No dia 30 de junho de 2020, foi discutido e aprovado no Brasil o Projeto de Lei 2.630/2020, apelidado de “Lei das Fake News” ou “Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet”. Escrita pelo Senador Alessandro Vieira (PSDB-SE) junto ao relator Orlando Silva (PCdoB-SP), o PL tem como objetivo combater a disseminação de informações falsas e o uso indevido de redes sociais. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a maioria das notícias falsas circuladas durante a pandemia da Covid-19 foram compartilhadas pelo aplicativo de mensagens WhatsApp.
Com o novo projeto de lei, o Congresso Nacional propôs a criação do Conselho de Transparência e Responsabilidade na Internet, que pretende iniciar estudos e recomendações sobre liberdade, responsabilidade e transparência na internet.
O PL das Fake News foi proposto como uma resposta aos crescentes problemas relacionados à desinformação e à manipulação da opinião pública através das redes sociais e aplicativos de mensagem. Antes de ser aprovado, o Projeto de Lei foi debatido no Congresso Nacional e passou por várias alterações.
A principal proposta do PL é estabelecer regras mais rigorosas para o uso das redes sociais e aplicativos de mensagem. Ele visa responsabilizar as plataformas digitais pelo conteúdo que circula em suas redes e também estabelecer mecanismos para identificação de usuários que compartilham informações falsas ou ofensivas.
Algumas das principais disposições da lei incluíam:
Cadastro de usuários: As plataformas digitais seriam obrigadas a manter um cadastro de todos os usuários, incluindo informações como número de telefone e endereço de IP.
Verificação de contas: As redes sociais teriam adotar medidas para verificar a autenticidade dos perfis de seus usuários, a fim de evitar a criação de perfis falsos.
Rastreamento de mensagens encaminhadas: Aplicativos de mensagem, como o WhatsApp, deveriam adotar mecanismos para rastrear a origem das mensagens encaminhadas em massa, facilitando a identificação de possíveis propagadores de desinformação.
Responsabilidade das plataformas: As plataformas digitais seriam responsabilizadas pelo conteúdo ilegal ou prejudicial divulgado em suas redes, podendo ser penalizadas caso não tomassem as medidas necessárias para remover o material denunciado.
No entanto, é importante ressaltar que o Projeto de Lei gerou muita controvérsia e recebeu críticas de diversos setores, em especial das big techs. Alguns argumentaram que a legislação poderia violar a privacidade dos usuários e prejudicar a liberdade de expressão. Além disso, houve preocupações sobre a aplicação da lei e a possibilidade de perseguição política.
O cientista político André Rosa explica sobre o poder da disseminação de notícias em relação ao PL das Fake News através das plataformas digitais e como isso afeta diretamente a opinião pública e o meio político, além disso o cientista fala sobre a pressão que ocorre de fora para dentro no que se refere a opinião pública e o Congresso.
De acordo com o novo texto proposto, uma entidade de auto regulação composta pelas próprias empresas seria responsável por fiscalizar o cumprimento da lei e aplicar sanções. Essa abordagem busca envolver as empresas de tecnologia na fiscalização e aplicação das regras previstas no projeto, em vez de depender exclusivamente do poder público para sua implementação.
Em entrevista, a advogada de direito cibernético Giovanna Ghersel destaca pontos essenciais para o entendimento das tramitações do PL. Confira a entrevista na íntegra:
1-Quem é considerado responsável pela disseminação de fake news de acordo com a legislação? O texto mais atual do Projeto de Lei das Fake News, (apresentada no dia 27/04/2023), dispõe em seu art.2 que a norma se aplica aos provedores que oferecem serviços ao público brasileiro e exerçam atividade de forma organizada, cujo número médio de usuários mensais no país seja superior a dez milhões. Dentre esses provedores incluem-se, através de redes sociais, ferramentas de busca, mensageria instantânea e provedores de aplicações ofertantes de conteúdos sob demanda. 2-Quais são os desafios práticos na aplicação da lei das fake news? O principal desafio do texto atual seria em relação a possível criação de uma entidade que regule as plataformas da internet. Os provedores consideram que isso pode ser uma potencial censura, limitando a liberdade de expressão. Algumas pessoas jurídicas ainda relatam que a lei aumentaria os custos do serviço, o que faria com que ele tivesse que deixar de ser ofertado gratuitamente. 3-Já existe alguma penalidade prevista para aqueles que praticam fake news? Na legislação atual não há penalidade específica para a prática de disseminação de Fake News. As penalidades poderiam ser, no máximo, fruto de possíveis indenizações a serem geridas no em um processo cível. De acordo com o Marco Civil da Internet, nos artigos 18 e seguintes, o provedor de conexão apenas será responsabilizado por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros quando houver decisão judicial que requeira a retirada do conteúdo e o provedor se recuse a cumprir. Já no PL 2630, o art. 44 dispõe que o descumprimento das decisões judiciais que determinarem a remoção imediata de conteúdo ilícito pode gerar multa de cinquenta mil reais até um milhão de reais por hora. Além disso, o art. 47 dispõe sobre a possibilidade de sanções administrativas como multa diária e multa simples de até 10% do faturamento do grupo econômico no Brasil. 4- Como a lei aborda questões relacionadas à liberdade de expressão e à censura? O projeto de lei dispõe que as vedações não implicam restrição ao livre desenvolvimento da personalidade individual, à livre expressão e à manifestação artística, intelectual, de conteúdo satírico, religioso, político, ficcional, literário ou qualquer outra forma de manifestação cultural. A norma também afirma que deve haver a observância da liberdade de expressão e a vedação à censura. Contudo requer a análise e moderação de conteúdos que visem a difusão de conteúdos ilícitos no âmbito dos serviços ou que estimulem crimes, principalmente relativos à violência contra a mulher, ao racismo, à proteção da saúde pública e que ameacem o Estado democrático de direito. 5-Na sua opinião com o Brasil deve reagir a pressão das big techs? A moderação de conteúdo e a responsabilização dos provedores já é algo praticado na União Europeia, que inclusive incentivou a criação da Lei Geral de Proteção de Dados. O Brasil busca se adaptar às legislações digitais mundiais, inclusive para garantir a maior segurança do usuário. As big techs obviamente não se interessam em aumentar o custo do seu serviço, visto que a moderação de conteúdo oneraria o seu serviço. Contudo, é preciso que o nosso país se atualize diante das legislações digitais, sem, contudo, perder o direito à liberdade de expressão. Penso que o Brasil não deve deixar de legislar sobre o assunto, sem, entretanto, inviabilizar o serviço dos provedores.
COMO FUNCIONARIA A PL DAS FAKE NEWS?
O texto do PL das Fake News propõe a necessidade das plataformas gerenciarem os conteúdos divulgados nas mídias sociais. O foco principal do projeto são as grandes empresas de tecnologia, conhecidas como “big techs”, que administram essas mídias sociais. Todas as regras e responsabilidades estabelecidas no projeto se aplicam às mídias sociais, mecanismos de busca e serviços de mensagens instantâneas.
Dessa forma, as empresas devem agir em relação aos conteúdos que incentivem ou disseminem crimes como subversão violenta do Estado Democrático de Direito, golpes de Estado, atos de terrorismo e crimes contra crianças e adolescentes, por exemplo.
É o que explica o cientista de dados Remis Balaniuk, de 59 anos . De acordo com ele, uma regulamentação mais rigorosa em relação às fake news poderá responsabilizar as plataformas digitais pelo conteúdo compartilhado em suas plataformas.
“Vai exigir que as big techs adotem medidas mais rigorosas para combater a disseminação de notícias falsas e outros conteúdos prejudiciais”.
Remis Balaniuk, cientista de dados
Nesse contexto, as plataformas devem atuar de maneira preventiva em relação aos “conteúdos potencialmente ilegais” e também devem compartilhar relatórios de transparência, disponibilizando-os na internet. Esses documentos devem estar em português e precisam fornecer informações sobre os procedimentos de moderação de conteúdo.
Na prática, a lei determina que assim que as empresas tiverem conhecimento de qualquer informação suspeita que indique a possibilidade de ocorrência de um crime, elas devem informar imediatamente às autoridades. Se algum conteúdo for ocultado ou excluído, o autor deve ser informado sobre os motivos que levaram a essa ação.
REAÇÃO DO BRASIL À PRESSÃO DAS BIG TECHS
De um lado, há quem afirme que o objetivo da proposta é controlar conteúdos que contenham notícias falsas, de outro, há quem acredite que se trata de censura e o fim da liberdade de expressão. A realidade é que a PL das Fake News é a aplicação da legislação já existente no Brasil ao mundo digital.
O texto do projeto de lei introduz uma série de medidas e impõe obrigações às grandes empresas, tendo como principal objetivo introduzir a obrigatoriedade da moderação de conteúdos publicados na Internet, a fim de identificar, deletar ou sinalizar contas ou publicações com conteúdo considerado criminoso.
“No mundo não virtual, essas características já são observadas na constituição por exemplo no artigo V em que em que são tratados os direitos e também deveres de todos os cidadãos, o parágrafo IV diz: “IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”
João Lucas Moreira Pires, cientista político.
Para Moreira Pires existe livre manifestação desde que não ocorra de forma anônima” O cientista político destacou ainda diversos outros pontos importantes para a compreensão da PL, confira no bloco a seguir.
O PL 2630/2020, também conhecido como PL das Fake News, discute a regulamentação das plataformas digitais e opõe interesses de diversos grupos políticos e setores da sociedade. De um lado, há quem afirme que o objetivo da proposta é controlar conteúdos que contenham notícias falsas, de outro, há quem acredite que se trata de censura e o fim da liberdade de expressão. Todos os setores econômicos são regulados, seja ele jornal impresso, jornal televisivo ou a venda de medicamentos por exemplo, o setor das big techs também precisa de regulamentação como qualquer outro, então regulamentar um setor é uma atividade essencial do estado e natural, o modo como a regulamentação ocorre é que determina. A legislação proposta não aplicará sanções a empresas cujas atividades sejam e-commerce, plataformas de vídeo como o Zoom, enciclopédias online. O texto introduz uma série de medidas e impõe obrigações às grandes empresas, tendo como principal objetivo introduzir a obrigatoriedade da moderação de conteúdos publicados na Internet, a fim de identificar, deletar ou sinalizar contas ou publicações com conteúdo considerado criminoso. No mundo não virtual, essas características já são observadas na constituição por exemplo no artigo V em que em que são tratados os direitos e também deveres de todos os cidadãos. O PL das Fake News tem por objetivo fazer com que esse tipo de parâmetro fique claro também no mundo virtual, online, a lei atual como citada a sim segundo diversos juristas e algumas decisões já tomadas pelas autoridades enquadra o mundo virtual, outros interpretam que não, portanto criar uma regulamentação clara é essencial. A lei visa criar parâmetros e facilitar o enquadramento legal já existente no mundo virtual, os pontos que se destacam são: Proibição contas falsas, utilização de “bots”, Limitação no alcance de mensagens altamente compartilhadas; obriga a identificação dos usuários que patrocinam o conteúdo publicado (retomamos a constituição que é vedado o anonimato), sede mínima em território nacional da empresa, pois se ela opera no país, é necessário que ela também possa responder no mesmo e criação de punições específicas para descumprimento da lei. Para garantir o cumprimento da lei, o que está proposto é que seja criado um órgão autônomo para fiscalizar os provedores de internet, ou seja, a criação do Conselho de Transparência e Responsabilidade da Internet. Algo como a Anatel ou a Aneel. Esta agência seria responsável por iniciar processos administrativos e aplicar as punições e sansões de forma administrativa e provocando o judiciário quando necessário. Ao entrar em funcionamento a lei deve sim alterar minimante o jogo político brasileiro, pois hoje existe uma série de políticos que fazem uso dessa brecha legal para publicar uma série de conteúdos que se fossem escritos em um jornal tradicional ou veiculados em um canal de televisão nem chegariam ao ponto de ir ao ar ou serem impressos e caso fossem seriam responsabilizados legalmente até tendo que publicar retratações. Portanto é dever do estado e não do governo regulamentar, existe muitas vezes uma confusão com esses conceitos, o atual governo pode propor um projeto de lei ou alterações em leis existentes, mas em estados democráticos existem instituições e categorias que são de “estado” existem independente da vontade política do ocupante do planalto, as instituições de estado existem para garantir e balizar o funcionamento da sociedade, do governo de plantão e da economia. As big techs são acusadas de afrontar o estado ou pressionar, lob é algo natural na política e faz parte do jogo, tanto que muitos países já regulamentarem como essa prática pode ser feita, o Brasil não tomou tal iniciativa. O que acontece é que empresas com interesses vão usar os mecanismo a sua disposição para conseguir regulamentações que favorecem a si, a função do estado a propor qualquer lei, regra ou projeto é fazer sua lição de casa antes olhar se já existente regulamentação semelhante internacional onde ocorreu, como ocorreu, se deu certo ou se deu errado, a partir disso pensar a realidade local e a partir disso propor algo e estar aberto a negociação pois não necessariamente sua vontade original prevalecerá, porém é ter noção do que é o mínimo que você quer alcançar com aquela iniciativa e saber que qualquer política ou lei que seja pode ser trabalhada em um ciclo que depois que foi implementado pode vir a sofrer ajustes. A função do estado e a legislação de forma ideal tem de ser no sentido de regulamentar criar regras de funcionamento e operação, não é ser censura, é criar condições para o funcionamento de um setor dentro das leis que estão estabelecidas na constituição do país.
Redação e produção: Alexandra torres, João Pedro Cruz, Letícia Lima, Maria Eduarda Álvares e Samara Bandeira
Vinicius Júnior, um dos melhores jogadores da atualidade, vem encontrando seu grande rival nos últimos anos: o racismo. O primeiro grande caso foi no em 2018, quando o craque ainda jogava pela equipe do Flamengo. Na saída de campo em um clássico contra o Botafogo, no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, o jogador foi chamado de “neguinho safado” por um torcedor alvinegro. Após isso, o atleta foi vendido ao time espanhol Real Madrid, onde se viu envolvido em novas agressões raciais e uma cadeia de polêmicas.
Em 2021, ao chegar na Espanha, o jovem brasileiro foi chamado de macaco pela torcida do Barcelona. Meses antes da Copa do Mundo no Qatar, no ano de 2022, mais um problema para Vini: suas danças, dribles e alegria ao jogar também viraram assunto na mídia espanhola. O jogador Koke, da seleção espanhola e capitão do Atlético de Madrid, comentou em uma entrevista que entenderia a revolta e racismo da torcida caso Vinicius fizesse um gol no estádio rival e comemorasse dançando. Na mesma polêmica, o agente El Chiringuito, personagem muito influente no futebol espanhol, disse no maior programa esportivo local para o jogador brasileiro “parar de fazer macaquice”.
Logo após esses acontecimentos, veio o fatídico clássico contra o Atleti, (termo como o Atlético de Madrid é chamado por seus torcedores). O jogo foi no estádio Wanda Metropolitano da equipe Colchonera, na Espanha, a torcida rival fez um coro na entrada do estádio cantando “Vinícius eres un mono” (“Vinícius é um macaco”). A manifestação racista chocou o mundo do futebol tanto pela quantidade de pessoas envolvidas quanto pela ausência de punição aos agressores.
Após a Copa do Mundo de 2022, Real Madrid e Atlético de Madrid se enfrentaram novamente, pela Copa do Rei, outra vez no estádio Wanda Metropolitano. A atitude dos torcedores rivais foi ainda mais covarde e agressiva. Eles enforcaram bonecos vestidos com camisas do craque brasileiro ao longo de diversos pontos turísticos da cidade e com a frase “Madrid odeia o Real”.
Fonte: Uol.com
Por fim, o caso mais recente foi o estopim para a comoção mundial contra os atos de racismo. Tudo aconteceu em um jogo válido pelo campeonato espanhol contra o Valência no qual Vinicius foi chamado de macaco desde o momento em que o ônibus chegou ao estádio adversário. Revoltado com a situação, no segundo tempo do jogo, o jogador foi até o fundo do campo apontar e denunciar torcedores do Valência que o chamavam de macaco. Não satisfeitos com o tom da agressão, ainda faziam sons e imitavam um macaco. A partida foi paralisada por alguns minutos, porém nada ocorreu. Ao final do jogo, o brasileiro se voltou contra os jogadores adversários e os confrontou. Com isso, ele acabou sofrendo agressões verbal e física, sem que houvesse qualquer represália ou punição da arbitragem. Vinícius foi punido e expulso com cartão vermelho, em razão de uma suposta reação agressiva que não aconteceu, como ficou demostrado por imagens da cena observadas depois da partida.
Fonte: R7.com
Mas como chegou nesse ponto? O Vini é o primeiro atleta ofendido por torcedores espanhóis e europeus?
A Espanha foi um dos principais países colonizadores da América no período das Grandes Navegações. Durante esse período, os espanhóis contribuíram para a implantação de um sistema de escravidão de povos nativos e africanos. Introduziram mudanças estruturais na economia, na forma de organização social e religiosas dos povos nativos, com um processo de dominação ancorado na catequização e no aculturamento baseado nos padrões europeus. Esse período foi o auge do Eurocentrismo, visão que coloca a Europa como o centro de tudo, que é refletido na sociedade até hoje. Essa lógica tem protagonizado históricos casos de xenofobia com imigrantes nos países europeus em geral. Não é possível esquecer que grandes grupos extremistas políticos ligados ao fascismo e nazismo surgiram na Europa durante a Segunda Guerra Mundial.
Há vários exemplos de declarações preconceituosas relacionadas a essa visão eurocêntrica. O jogador de futebol Mbappé, por exemplo, em referência à sua seleção e ao futebol mundial, fez uma declaração antes da Copa do Mundo de 2022 desprezando o futebol africano e sul-americano. Na partida final do evento esportivo, o francês acabou vendo a Argentina vencer de seu time.
O mesmo tom tem aparecido em falas de jogadores descendentes de outras etnias, mas que jogam em seleções europeias.
“Sou alemão quando ganho e imigrante quando eu perco.”
Mesut Ozil
“Quando as coisas vão bem, sou atacante da Bélgica, quando não, sou descendente de congoleses.”
O preconceito contra estrangeiros não é novo no futebol europeu. Outros jogadores de diferentes gerações também já se manifestaram contra a discriminação dentro das próprias seleções nas quais jogaram, como Zinedine Zidane, Karim Benzema, Patrick Kluivert e Mario Balotelli (foto acima), por exemplo.
A legislação dos países europeus, em geral, prevê punições contra racismo. No Código Penal Espanhol, em especial, já existe um artigo que prevê o crime de racismo. O artigo 510 trata dos “delitos cometidos com ocasião do exercício dos direitos fundamentais e das liberdades públicas garantidas pela Constituição” e prevê pena de um a quatro anos. Atualmente, o Ministério da Igualdade da Espanha vem elaborando um projeto de lei que propõe, além da pena, multas de 300 mil a 500 mil euros. Apesar disso, há leniência das autoridades e das ligas quanto a esses casos, como o próprio Vini que veio a público confrontar o La Liga, por poder não contar com apoio do presidente, principalmente nas redes sociais.
Fonte: Twitter do @vinijr
Fonte: Twitter do @vinijr
Fonte: Twitter @vinijr
Na Champions League, o maior campeonato de clubes do mundo, em um jogo entre Istambul Basaksehir e Paris Saint Germain no ano de 2020, a partida foi encerrada por um caso de racismo vindo por parte do quarto árbitro do jogo para o auxiliar técnico da equipe turca, Pierre Webó. Liderados por toda a delegação do Basaksehir e do PSG, foi decidido que ambas as equipes abandonariam o gramado antes mesmo do fim da partida. Nesse caso, a União das Federações Europeias de Futebol (UEFA), órgão máximo do futebol europeu, suspendeu o árbitro Sebastian Constantin Coltescu da Romênia até o fim da temporada de 2020/2021.
Já no Brasil, no Rio de Janeiro, foi criado um projeto de lei que prevê encerramento imediato das partidas esportivas em casos de racismo no estado. Conhecida como lei Vini Jr, a PL foi aprovada no dia 7 de junho na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Fonte: oglobo.com
Foram realizadas duas entrevistas com pessoas negras sobre o assunto, uma estudante e um atleta.
Isabela Chaves 18 anos, estudante.
Importância da luta do Vini: “A luta dele contra o racismo é muito importante pois mostra força e motiva outras pessoas negras a não aceitarem esse tipo de atitude. Por ele ser um jogador negro nascido na periferia do Rio de Janeiro e um dos destaques do futebol mundial ele tem um alcance muito maior, mostra para outras pessoas negras que elas também podem chegar lá como ele, tornando-se assim uma figura muito importante na luta contra o racismo e a favor da inclusão.”
Desigualdade: “Já estivemos em situações piores, porém a luta pela igualdade não acabou e nem está perto de acabar, uma vez que casos de racismo como esse têm sido cada vez mais frequentes.”
Allan Vinicios, Jogador profissional de basquete, 19 anos
Você já sofreu racismo praticando esporte?
“Não, pois o basquete é um esporte que aceita mais a cultura negra.”
Após ver todos os casos de racismo com o Vinicius Junior, você teria medo caso um dia fosse jogar na Espanha?
“Não teria pois isso é uma coisa que já acontece aqui mesmo no Brasil. E se nos escondermos, esse tipo de movimento vai ganhar mais força.”
Você acha que dentro do esporte nós estamos evoluindo ou regredindo em relação a igualdade?
“É difícil analisar o esporte como um todo porque todo esporte tem uma cultura, mas acredito que, sim, estamos evoluindo para a igualdade .”
Produção: Bruno Azambuja, Samuel Portuguez, Francisco Lustosa
Entenda os conflitos a respeito da imagem do atual líder espiritual e político do Tibete nos últimos tempos.
O Dalai Lama, renomado monge budista conhecido por sua mensagem de paz e compaixão, tem sido alvo de grandes debates ao redor do mundo. Em um vídeo, é líder espiritual é visto pedindo a uma criança que “chupe a sua língua” após o menino ter ido comprimentá-lo. O ato gerou críticas que colocaram em xeque sua reputação e suas ações.
O episódio aconteceu no dia 28 de fevereiro de 2023, em um evento público da M3M Foundation no subúrbio da cidade de Dharamsala, na Índia, onde se localiza o templo do líder religioso. A equipe de imprensa de Dalai Lama já se pronunciou sobre o ocorrido se desculpando com a criança e sua família pelo importuno.
“Sua santidade com frequência provoca as pessoas de maneira inocente e jocosa. Ele pede desculpas pelo incidente”.
Comunicado da assessoria do Dalai Lama
Em entrevista, uma senhora adepta a religião, que pediu para não ser identificada, relatou: “Acreditamos na iluminação, no equilíbrio do universo e assim seguimos os ensinamentos de Buda. Aprendemos a alcançar a libertação que seria o fim do nosso sofrimento humano e conseguimos isso através da meditação onde nos desprendemos de tudo que é passageiro. Na minha opinião, esse tipo de atitude de pedir a uma criança que o beijasse foi algo desrespeitoso, por mais que tenha sido chamado de brincadeira pelo o que eu vi no jornal.”
A conselheira Ana Paula Matias, do Conselho Nacional dos Direitos da Criança, explicou: “A primeira coisa importante de se analisar é que as crianças têm direitos, emoções, sentimentos e vontade própria que devem ser respeitadas. Olhando para o Dalai Lama como uma figura pública, ele ainda deve ter cuidado com suas atitudes por mais que seja considerada uma brincadeira, pois o que ocorreu naquele vídeo foi um ato totalmente condenável. E esse tipo de acontecimento mais uma vez nos trás um tema tão delicado e importante o direito da criança que deve ser melhor trabalhado e abordado.”
O historiador Eustáquio Vidigal deu sua opinião a respeito: “Diante do contexto, entendo que o terrível acontecimento está muito mais relacionado ao homem, Tenzin Gyatso, do que ao seu título de Dalai Lama. Seria certo condenar toda a Igreja Católica por um ato de um bispo ou de um padre? A conduta do Dalai Lama, assim como a de outros religiosos que usam o manto da religião para abusar de crianças, é inaceitável e não existem justificativas para tais comportamentos. Claro que a posição de um grande líder mundial traz uma responsabilidade ainda maior por parte do homem, que dificilmente se separa do cargo de Dalai Lama. Outro agravante é a omissão das autoridades religiosas diante dos fatos, quase não há punições para esses religiosos. No caso do Dalai-lama, para piorar, as autoridades tentaram minimizar a situação.”
Fonte: Página oficial da BBC
Sucessora
Entretanto, não é a primeira vez que o religioso se envolve em controvérsias. Uma de suas principais polêmicas é a respeito de comentários machistas. Em 2019, o líder religioso deu uma entrevista à BBC onde foi questionado sobre a possibilidade do próximo Dalai Lama ser uma mulher. Ele disse, sorrindo, que sua sucessora deveria ser bonita.
“Se uma Dalai Lama mulher vier, ela deverá ser mais atraente”.
Dalai Lama
A aluna de jornalismo Samara Oliveira foi convidada a comentar sobre essa essa questão: “Como mulher esse tipo de fala é desanimadora. Ser vista como um objeto independentemente da posição que eu ocupe me dá uma sensação de náusea. Saber que um “líder religioso(e teoricamente político)” diz isso é como retroceder. Mas não há muito que se esperar de um homem em posição de poder. Monge, padre, rabino, todos continuam sendo homens que ao terem o poder da influência se veem imunes a todo tipo de moral. Infelizmente se isso foi o que a mídia conseguiu captar, é porque por baixo dos panos existe uma quantidade inesgotável e repulsiva de machismo e pedofilia.”
Assédio e Corrupção
Os jornalistas franceses Élodie Emery e Wandrille Lanos investigaram algo que denunciaram como a “Lei do Silêncio”, dentro da religião budista em que há relatos de de abuso, violência, corrupção e acusações contra o Dalai Lama e seu assessor e tradutor Matthieu Ricard, por omissão.
Foi publicado um livro “Budismo, a lei do silêncio” que conta sobre as investigações que ocorreram em centros budistas espalhados pelo Ocidente nos últimos 40 anos. Também foram escutados depoimentos de 32 discípulos sobre suas situações de abuso envolvendo os mestres. Ainda existem casos de crianças que foram vítimas de violência sexual, onde foram retiradas de seus pais e forçadas a viver como parceiras dos mestres.
Uma figura bastante recorrente é o mestre Sogyal Rinpoche, fundador da Rigpa, que foi acusado por oito ex-discípulos de agressão sexual. Em 2017, ele chegou a ser alvo de uma punição simbólica e foi obrigado pelo dalai-lama a se aposentar antes da hora
Para os autores, esses relatos não são casos isolados, mas algo que corrompe o sistema do budismo tibetano. A causa disso é o acobertamento por parte de grandes líderes como o Dalai Lama, que já havia sido alertado em 1993 durante encontro com outros membros europeus e americanos.
“Até agora, as autoridades espirituais tibetanas têm ignorado as vozes das vítimas, alegando repetidamente que o assunto não é de sua responsabilidade. Tentativas de dentro para abordar a questão do abuso sexual nas comunidades foram enfrentadas com frieza ou hostilidade direta”
Élodie Emery e Wandrille Lanos
Europa para europeus
Outro ponto de discórdia é com relação a falas xenofóbicas ditas em 2018, onde Dalai Lama sugeriu que a Europa deveria ser mantida somente para os europeus, conforme o aumento do número de imigrantes e refugiados no continente. O líder religioso afirmou que deve ser oferecido acolhimento, ensino e treinamento para os que vieram de fora, porém que eles devem retornar ao seus países de origem.
“Toda a Europa (irá) eventualmente se tornar um país muçulmano? Impossível. Ou país africano? Também impossível ”….(melhor)“ manter a Europa para os europeus ”.
Dalai Lama
A advogada Camila Sena, especialista em imigração, reage às declarações do Dalai Lama e destaca os direitos dos imigrantes.
É meu dever defender os direitos dos imigrantes e refugiados em todo o mundo. Atualmente, há uma crescente hostilidade em relação a esse assunto em muitas partes do mundo, mas especialmente na Europa, onde vemos uma ascensão preocupante de partidos políticos de extrema direita que promovem uma agenda anti-imigração. No entanto, gostaria de discorrer sobre as falas do líder espiritual tibetano Dalai Lama, que recentemente afirmou que “a Europa pertence aos europeus”.
Camila Sena, advogada
Sena ainda aponta questões sensíveis nesta discussão.
Esta declaração é extremamente preocupante e, infelizmente, é um exemplo do progressivo sentimento nativista e de exclusão em todo o mundo. Ele como líder de grande influência, apontado como sinônimo de sabedoria e compaixão, deveria ter mais cuidado com suas colocações e opiniões pessoais, uma vez que, elas influenciam pensamentos e atitudes de milhares de pessoas. Como defensora dos direitos dos imigrantes e refugiados, é importante destacar que a Europa e outros países do mundo tiveram papel ativo na colonização de muitas nações da África, Ásia e América Latina, o que, por sua vez, resultou em sérios desafios sociais, econômicos e políticos nos países colonizados e em suas populações. E, portanto, os países colonizadores têm uma responsabilidade em ajudar as populações que foram afetadas por sua exploração passada. Além disso, é importante lembrar que os imigrantes e refugiados são, muitas vezes, vítimas do fracasso das políticas de seus países de origem e das consequências das ações dos países colonizadores. Muitos deixam suas casas e famílias em busca de segurança, emprego e outros recursos básicos para sobreviver.
Camila Sena
A advogada de imigração também alerta para a a responsabilidade dos governos europeus.
Humanitariamente, considero ser da responsabilidade dos países mais desenvolvidos oferecerem proteção a essas pessoas, especialmente aqueles que foram afetados pela pobreza, conflitos armados, guerras, perseguição e outras formas de violência e discriminação. Ao longo da história, a imigração tem sido uma força para o avanço social e econômico dos países. Ajudando os imigrantes, estamos, de fato, ajudando nossos próprios países a prosperar e, assim, criando um mundo melhor para todos. Portanto, reitero minha posição como defensora da imigração, e que, é da responsabilidade de todas as nações oferecer ajuda e proteção a esses indivíduos, independentemente de onde eles vêm. Nenhum ser humano é ilegal e, como membros do mesmo planeta, temos o dever de cuidar uns dos outros, independentemente de cor, nacionalidade, religião ou outros fatores.”
Quem é Dalai Lama?
Para compreender melhor o porquê dessas declarações terem gerado tanta repercussão e posicionamentos é necessário conhecer quem é essa figura. Então foi consultado o historiador Eustáquio Vidigal que disse: “Primeiro precisamos deixar claro que Dalai-lama não é uma pessoa e sim um título. A pessoa escolhida para o cargo seria a reencarnação de Buda na terra.”
Seu nome verdadeiro é Tenzin Gyatso, nasceu em uma pequena cidade do Tibete chamada de Taktser, no dia 6 de julho de 1935. Ainda quando criança, com apenas dois anos de idade, foi reconhecido como o 14º Dalai Lama.
Em sua autobiografia, “Minha Terra e Meu Povo” é descrita a experiência de quando ele, ainda pequeno, identificou com sucesso vários itens pertencentes ao 13º Dalai Lama, seu antecessor. O religioso também escreveu que lhe foram entregues objetos nos quais ele teria que adivinhar qual pertencia à sua encarnação anterior e qual seria apenas algo comum. Ele respondeu corretamente, em ambos os casos.
Quando ainda tinha apenas 15 anos, o líder espiritual assumiu o poder do Tibete em 1950, porém o cenário do país era de confronto com a China, o que acabou resultando em seu exílio alguns anos depois, em 1959. Antes de fugir para a Índia, liderou esforços para modernizar o país enquanto preservava sua cultura e tradições.
Desde aquela época, Dalai Lama sempre se pronunciou a favor da paz, dos direitos humanos e da não-violência. Em 1989, ele recebeu o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços inabaláveis para resolver amigavelmente a questão do Tibete, defendendo a autonomia e buscando através do diálogo com as autoridades chinesas meios de resolver essa questão.
Aos 87 anos de idade, Dalai Lama ainda continua sendo uma figura amplamente admirada e respeitada em todo o mundo, apesar das polêmicas e controvérsias. Além disso, alguns críticos alegam que ele também é considerado um objeto de contradições dentro do próprio Tibete, pelo seu regime autoritário dentro da comunidade, enquanto outros questionam a legitimidade de sua reencarnação e papel político.
O passado brasileiro e seu compromisso com a democracia
Ao olharmos para seu passado, encontramos uma figura que se destacou não apenas por sua música, mas também por seu posicionamento político e sua coragem em enfrentar a ditadura militar brasileira.
Durante os anos sombrios da ditadura, a voz de Rita Lee ecoou como um grito de liberdade e resistência. Suas canções se tornaram hinos para uma geração que ansiava por mudança e por um Brasil mais justo. Letras provocativas e melodias envolventes foram sua arma para contestar o regime autoritário que governava o país naquela época.
Rita Lee não teve medo de enfrentar a censura e a perseguição que assolavam a indústria musical. Ela se recusou a se calar e continuou a compor e se apresentar, mesmo diante das ameaças constantes. Suas músicas se tornaram um símbolo de resistência.
Além de sua música, Rita Lee também participou ativamente de protestos e movimentos sociais que buscavam a restauração da democracia no Brasil. Ela juntou-se a outros artistas e ativistas para exigir a volta dos direitos civis e políticos que haviam sido negados pelo regime ditatorial. Sua coragem em se posicionar abertamente contra o governo militar tornou-se um ícone da luta pela liberdade de expressão.
Após a ditadura militar, Rita Lee permaneceu fiel a seus princípios e continuou a usar sua voz para defender causas sociais e políticas. Um exemplo notável foi seu envolvimento com o movimento conhecido como Democracia Corintiana.
Esse movimento foi uma verdadeira revolução dentro do futebol brasileiro, pois buscou a participação democrática dos jogadores na tomada de decisões dentro do clube Corinthians.
Rita Lee, junto com outros artistas engajados, apoiou a Democracia Corintiana, que foi um símbolo de resistência e igualdade em uma época em que o Brasil ainda se recuperava das cicatrizes da ditadura. Esse movimento uniu jogadores, torcedores e artistas em uma luta por justiça social e democracia, dentro e fora dos gramados.
A relação de Rita Lee com a democracia não se limitou ao ativismo político. Sua música sempre foi permeada por uma postura crítica em relação à sociedade e às injustiças que a permeiam. Ela usou sua voz para levantar questões importantes, promover a igualdade de gênero e denunciar a opressão de minorias.
Rita Lee é um exemplo inspirador de uma artista que transcendeu as barreiras da música para se tornar uma voz ativa na defesa da liberdade e da justiça social. Seu legado é uma lembrança poderosa de que a música e a arte têm o poder de catalisar mudanças sociais e políticas. Sua coragem em desafiar a ditadura militar e seu compromisso com a democracia deixaram uma marca na história do Brasil e na memória daqueles que lutam pela liberdade em todas as suas formas. seu compromisso com a democracia deixaram uma marca indelével na história do Brasil e na memória daqueles que lutam pela liberdade em todas as suas formas.
Viagem entre planos, drogas e espiritualidade:
Entre as notas musicais e as viagens psicodélicas, a vida de Rita Lee foi como uma canção repleta de nuances e contrastes. Sua trajetória artística e sua relação com as drogas se entrelaçaram, e a música “Lança Perfume” é um exemplo disso.
“Lança Perfume” é uma canção que nos leva a uma jornada sensorial, onde as notas musicais se misturam com as fragrâncias dos tempos áureos da contracultura. É uma ode à liberdade de experimentar, uma fusão de cores e texturas que ecoam em nossa mente e despertam os sentidos mais profundos.
As letras de Rita Lee têm o poder de nos transportar para um estado de êxtase, como se estivéssemos flutuando em uma névoa de pura euforia. Elas são como um convite para desbravar novos horizontes, mergulhar em um mundo desconhecido e encontrar beleza nas experiências que desafiam as convenções.
O produtor musical e empresário brasileiro, João Marcello Bôscoli; filho da cantora Elis Regina e do compositor Ronaldo Bôscoli, em conversa exclusiva, relata algumas passagem da artista. Bôscoli, atualmente, apresenta diariamente o programa *Sala de Música* na rádio CBN, é uma das referências na memória, na história da música brasileira.
João Marcello Bôscoliinstagram.com/jmboscoli
Na entrevista, João aborda temas da carreira musical de Rita Lee e momentos marcantes que viveram juntos. Segundo o produtor musical, atrelar as drogas e o sexo em suas músicas é um mito.
“O que aflorou nas poesias da Rita mais erótica como no trecho: meu bem, você me dá água na boca, é um bolero. A contribuição monumental é colocar a mulher na primeira pessoa e falar de prazer […] em culpa e com muito talento”.
João Marcello Bôscoli, produtor musical
Mas por trás dessa aparente celebração das drogas, há uma mensagem mais profunda. Rita Lee sempre foi uma artista que se preocupou em questionar os costumes, desafiando a moralidade imposta pela sociedade. Suas letras, incluindo as de “Lança Perfume”, são reflexões sobre a liberdade pessoal, a busca por prazeres intensos e a quebra de tabus.
No entanto, é importante destacar que a relação de Rita Lee com as drogas não se limitou apenas às suas músicas. Ela viveu de forma intensa e enfrentou seus próprios demônios, lutando contra o vício e as consequências que ele trazia. Em sua caminhada, Rita encontrou desafios e momentos difíceis, mas também descobriu força para se reinventar e encontrar equilíbrio.
A história de Rita Lee é um lembrete de que a criatividade e a busca pela liberdade nem sempre caminham em linha reta. As drogas podem ter sido uma fonte de inspiração e experimentação para a artista, mas também trouxeram suas dores e dificuldades. No entanto, sua música e sua coragem em enfrentar seus próprios demônios deixaram um legado marcante na cultura brasileira.
Tropicália e Brasilidade
Rita Lee, uma estrela incandescente no espaço da música brasileira! Sua passagem pela Tropicália foi como uma colisão cósmica que lançou faíscas de genialidade e ousadia por todo o universo sonoro.
Imagine-se em um turbilhão de cores psicodélicas, onde a imaginação floresce e a liberdade é a palavra de ordem. É nesse cenário que Rita Lee desabrochou como uma flor alucinógena, trazendo seu talento e rebeldia para os palcos e estúdios.
Naqueles tempos de efervescência criativa, Rita se uniu a grandes mentes artísticas como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé. Juntos, eles construíram a trilha sonora de uma revolução cultural, desafiando as normas e abrindo espaço para novas experimentações.
Em meio aos ruídos de guitarras distorcidas e batidas frenéticas, Rita Lee ecoava sua voz poderosa, lançando pérolas musicais que ecoam até os dias de hoje. “Ovelha Negra” foi um grito de liberdade e autoafirmação, enquanto “Ando Meio Desligado” soava como uma viagem cósmica através dos sentidos.
Mas não se engane, a Tropicália não se limitava apenas à música. Era uma explosão cultural que desafiava convenções em todos os aspectos. Rita Lee mergulhou de cabeça nessa efervescência, explorando diferentes expressões artísticas.
Ela mergulhava nas poesias de Hilda Hilst, revirava as páginas de livros proibidos e desafiava a censura com sua irreverência. Através de suas letras, Rita transbordava críticas sociais, questionando as estruturas opressivas da época e enaltecendo a liberdade individual.
Suas músicas marcaram gerações. “Definidora do tempo” é como João Marcello define Rita Lee.
“Ela ajudou a definir os momentos históricos […] A figura dela é muito interessante, a imagem dela, seu jeito de falar, maneira de se vestir”.
João Marcello Bôscoli, produtor musical
No entanto, a Tropicália não foi apenas um mar de rosas para Rita Lee. Ela enfrentou a fúria dos conservadores e a incompreensão dos tradicionalistas. Suas apresentações eram repletas de provocações e escândalos, como quando rasgou um cartaz de “proibido fumar” durante um show.
A energia transgressora da Tropicália impregnou-se na alma de Rita Lee, moldando sua carreira e personalidade. Ela se tornou uma artista que desafiou expectativas, navegando por diferentes estilos musicais ao longo dos anos, sempre fiel à sua essência rebelde.
Melodias alucinantes
Rita Lee é uma figura que nos lembra que a arte muitas vezes floresce em meio aos momentos mais turbulentos. Suas letras e melodias continuam a nos transportar para universos paralelos, onde podemos explorar os limites da imaginação e desafiar as convenções sociais. Ela nos ensina que é possível transformar nossas vivências, sejam elas desafiadoras ou inspiradoras, em obras de arte que ecoam pela eternidade.
“Um dos momentos que estivemos juntos foi no ginásio do Ibirapuera, lotado de gente, com uma super produção, grandes telas, balões, uma passarela, tudo muito grande. E a Rita foi um sucesso estrondoso, era apenas ela […] Ela era única, ela sempre esteve além do tempo”.
João Marcello Bôscoli, produtor musical
Compositora e musicista brasileira que ganhou destaque como vocalista da banda Os Mutantes na década de 1960. Mais tarde, ela embarcou em uma carreira solo de sucesso, misturando rock, pop e influências da música brasileira para criar seu som único. Ao longo de sua carreira, Rita Lee lançou inúmeros sucessos e álbuns, tornando-se uma das figuras mais influentes do rock brasileiro.
Outra biografia
Rita Lee: Outra Autobiografia – O Podcast é um episódio disponível no Spotify e no Globo Play, que traz uma discussão sobre a autobiografia da lenda do rock brasileiro Rita Lee. O podcast explora vários aspectos da vida e carreira de Rita Lee, fornecendo informações sobre suas experiências e contribuições para a indústria da música.
Em sua autobiografia, intitulada “Rita Lee: Outra Autobiografia”, ela mergulha em sua jornada pessoal, oferecendo detalhes íntimos sobre sua infância, influências musicais, processo criativo e altos e baixos da vida dela. O episódio do podcast discute os principais momentos e temas do livro, proporcionando aos ouvintes uma compreensão mais profunda da vida e da visão artística de Rita, além de contar com a exclusiva participação de Roberto de Carvalho, onde ele conta cada detalhe do casamento e convívio com a artista. É um podcast onde podemos além de conhecer ela, nos emocionamos juntos com Roberto, onde várias vezes chora de saudades de sua esposa assim como nós, brasileiros, que sentimos também falta dessa grande estrela do Rock. É bastante discutido também, sobre a pandemia e com ela a aproximação do casamento entre os dois onde Roberto diz que “foi um tempo delicioso, nunca tinha ficado tanto tempo ao lado dela.” e enfrentando o câncer junto com sua cônjuge.
Primeira Consulesa Cultural do Internacional:o clube do povo abraçou e lamenta a perda de sua primeira musa, a rainha do rock
Os cônsules culturais tem como objetivo homenagear o sócio(A) colorado(as) com destaques na cultura de um modo geral. Os requisitos básicos para se tornar cônsul cultural são:
1) Ser músico, cantor(a), ator/atriz, poeta, apresentador de rádio e/ou televisão, produtor e/ou compositor musical ou de teatro e tudo que se relacione com a cultura de um modo geral e que tenha destaque na mídia na sua área de atuação.
2) Não estar envolvido com nenhum cargo no Inter nem ser participante de grupos políticos do Clube.
3) Não ser conselheiro do Clube.
4) Não ter como atividade principal a crônica esportiva do Rio Grande do Sul.
5) Não ocupar nenhum cargo político (eleito) no país.
Missão:
Levar o nome do Sport Club Internacional, com zelo e dedicação, para todos os locais onde sua arte se fizer presente.
Como ser nomeado cônsul cultural colorado:
Deve ser aprovado pela diretoria do Clube. Após a indicação, a Vice-presidência de relacionamento social averigua se o candidato preenche os requisitos. Em uma solenidade de nomeação, o clube fornecerá uma carteira de cônsul cultural, apenas representativa e sem direito a ingresso nos jogos, e um certificado de cônsul cultural colorado. O nome do cônsul será publicado no site oficial do clube.
Mas a relação de Rita com o time sulista era além de uma homenagem, já que a artista era corinthiana. Ritinha, para os íntimos, foi a primeira mulher a se tornar cônsules do Colorado. Durante seus shows em Porto Alegre, a musa do rock fazia questão de ressaltar que as cores do time combinavam com o vermelho de seus cabelos. Em uma entrevista dada ao ge em 2008, Rita expressou sua emoção de representar o Internacional, e na mesma época, o ídolo colorado Fernandão, que morreu em 2014, estava deixando o clube.
“Ser uma consulesa colorada me deixa para lá de emocionada. Naquele mesmo sábado, soube que Fernandão havia saído do clube e eu estava jururu. Mas depois, conversando com o pessoal do Inter, fizemos uma macumbinha para que tudo continuasse na paz e até ganhamos do Botafogo”, disse durante a entrevista.
Ao receber a notícia do falecimento de Rita Lee, o clube prestou homenagens em suas redes sociais.
“O Clube do Povo perde também a primeira artista mulher nomeada consulesa cultural do Inter. Vai em paz, Rainha. Você estará para sempre em nossos corações”, escreveu o clube.
Antes da partida contra o Athletico-PR, o time colorado prestou mais homenagens a sua primeira consulesa, com aplausos que ecoaram pelo Beira- Rio durante um minuto, o clube ainda citou em seu twitter a seguinte frase: “ Seu legado é eterno, Rita! ❤️ ♾️”
A cantora Rita Lee morreu na noite de uma segunda-feira, 8 de maio de 2023, aos 75 anos de idade. Ela foi diagnosticada com câncer de pulmão em 2021 e desde então tratava a doença. Foi sinalizada que tinha o problema com um tumor primário no pulmão esquerdo.
Por este motivo, foi preciso fazer um tratamento na cantora contra a doença. Infelizmente, Rita não resistiu, deixando um legado e inúmeros fãs no Brasil e no mundo inteiro.
Produção: Emanuela Feitosa Felipe Araújo Isabella Soares Lucas Dias Maria Gabriela Siqueira
Há décadas, o homem busca aprimorar máquinas para executar tarefas antes exclusivas do trabalho humano. No entanto, questiona-se até que ponto as máquinas podem substituir a criatividade dos homens, especialmente em áreas que dependem da sensibilidade e ponto de vista sensíveis.
A automação de tarefas e a busca por replicar a consciência humana sempre estiveram presentes no debate científico, mesmo antes da invenção dos computadores. Os estudos sobre redes neurais e os métodos de simulação do cérebro humano ganharam destaque no século XX, com avanços significativos a partir da década de 1950. Desde então, a Inteligência Artificial (IA) tem se expandido de forma definitiva. Já em 1927, no filme “Metrópolis”, mesmo sem vozes e cores, a IA era retratada, como uma criação que ajudava a humanidade ou que a destruía. Esses temas têm sido explorados ao longo da história da arte, refletindo o fascínio e a preocupação em relação às máquinas inteligentes.
Cinema
O curta-metragem, “Sunspring”, teve seu roteiro de ficção científica, completamente escrito por uma Inteligência Artificial, concorrendo até a um festival no Reino Unido. A obra recebeu críticas por diálogos confusos e repetitivos, mas segundo o diretor, seu filme segue um padrão interessante.
Segundo Fabrício Beltran, colunista do jornal Terra sobre Inteligência Artificial no cinema, o cotidiano tem exposto a convivência benéfica do ser humano com a tecnologia.
“O cinema proporciona debates essenciais. Nós, enquanto sociedade, estamos no meio de uma transformação digital ampla, com princípios bem resolvidos e contribuições a serem compartilhadas por todos, de forma acessível e inclusiva.”
Fabrício Beltran, colunista
Em maio, roteiristas de Hollywood entraram em greve por não estarem de acordo com o lucro das plataformas de streaming. Os trabalhadores têm sofrido com a redução salarial de 23%, afetando a qualidade de vida de suas famílias.
Foto: REUTERS/Chris Pizzello/File Photo
Uma das explicações para a diminuição de salário é o modelo de produção dos streamings, que trabalham com temporadas curtas e com intervalos menores. O desenvolvimento da Inteligência Artificial também é preocupante para a categoria, visto que a IA é capaz de criar roteiros de maneira rápida, além de reduzir os custos de produção, afetando diretamente os profissionais. Eles também pedem o fim da chamada “salinha de roteiristas” pois consideram que isso torna o trabalhador descartável pela falta de acordo contratual.
Foto: Chris Delmas / AFP
A paralisação vem afetando a produção de filmes e séries como o sucesso da Netflix Stranger Things; Grey’s anatomy, da Star +; e The Last of Us, da HBO Max. Assim como em 2007, quando roteiristas também paralisaram várias produções. O sindicato espera conseguir um acordo digno que ofereça o básico pra qualidade humana, além das produções de filmes, séries e programas já afetados, a greve pode afetar uma das principais premiações: o Emmy.
Música na IA
A utilização da Inteligência Artificial ganhou destaque com a popularização de ferramentas como o DALL-E, um sistema capaz de criar imagens a partir de descrições em texto. Um exemplo conhecido é a foto do Papa com trajes considerados inadequados pelos fiéis, que foi gerada por essa ferramenta. A partir desse episódio, surge a preocupação com a facilidade de criação de notícias falsas e o uso indevido da IA.
O rápido avanço dessa tecnologia tem preocupado até mesmo seus próprios criadores. Em março, eles assinaram um termo que solicita uma pausa no desenvolvimento da ferramenta até que sejam estabelecidos meios regulatórios claros para identificar quais materiais são criados por IAs. A falta de identificação adequada tem levado à disseminação de Deep Fakes, que consistem no uso da Inteligência Artificial para trocar rostos em vídeos, sincronizar movimentos labiais, expressões faciais e outros detalhes.
Portanto, a discussão em torno do uso da IA está cada vez mais presente, destacando a importância de estabelecer diretrizes e regulamentações que garantam a transparência na autoria de materiais criados por essas tecnologias. Dessa forma, busca-se mitigar os riscos de abusos e a disseminação de conteúdos fraudulentos, preservando a integridade e a confiança nas produções geradas por Inteligência Artificial.
Entrevista com Larissa Cristely Valentim Bueno
“As pessoas estão em busca de músicas com fácil digestão”
Larissa Cristely Valentim Bueno
Larissa Criately, baixista da banda de punk grunge Vanice, fala sobre sua paixão pela música desde a infância e sua busca por um espaço na cena musical brasileira. Ela compartilha sua experiência com Inteligência Artificial, mencionando que trabalha com marketing e está sempre atenta às novas tecnologias.
Criately reconhece o potencial do ChatGPT para auxiliar na criação de sinônimos e ideias de temas e contextos para músicas, mas ressalta que a Inteligência Artificial não possui a capacidade de criar e transmitir emoção e significado nas letras, algo que os seres humanos são capazes de fazer.
A baixista expressa preocupação com a facilidade de uso da voz dos cantores para criar outros materiais sem a devida autorização ou créditos. Ela destaca que a voz, mesmo sendo uma parte essencial da música, muitas vezes não recebe a importância adequada e existem poucas regras que protegem os direitos dos artistas correspondentes.
Quanto ao uso excessivo da máquina na criação musical, a baixista questiona o impacto na criatividade humana e ressalta que o entretenimento é uma necessidade fundamental para as pessoas. Ela observa que a produção acelerada de músicas está banalizando o propósito original da criação musical, com uma demanda crescente por materiais de “fácil digestão” que não requerem muita reflexão. Por fim, comenta sobre a necessidade dos músicos de se promoverem, uma vez que os algoritmos tendem a recomendar sempre o mesmo conteúdo já popular, dificultando o engajamento de novos artistas que geralmente não são indicados ou destacados.
Artes Visuais
Atingindo também a área das Artes Visuais, o ArtStation, principal plataforma que reúne portfólio para artistas, teve um relacionamento conturbado com o uso da Inteligência Artificial. A grande maioria de seus usuários entraram em protesto em relação ao uso do mesmo, sobrecarregando a página principal com imagens de repúdio ao uso da IA. Todas essas imagens usaram como base a arte feita por Zakuga Mignon, principal responsável por subir a #SupportHumanArtists.
A principal crítica feita por Zaguka e pelos usuários da plataforma, se baseia no fato de que enquanto compartilham a plataforma com pessoas que utilizam de tais softwares, seus trabalhos são vulneráveis a modelos de IA. Esses modelos são treinados para vasculharem artes disponíveis no site e assim gerarem um produto a partir do trabalho de milhares de outras pessoas, que não consentiram em ter seu trabalho usado, e muito menos ganharam alguma compensação por isso.
O site acabou tendo uma resposta bem controversa ao problema, deletando vários posts da página principal que protestavam sobre o caso, na qual alegavam que o conteúdo violava os seus termos de serviço. O artista de belas artes Logan Preshaw, que já trabalhou em filmes como “Avatar” e “MIB: Homens de Preto Internacional”, se solidarizou com a causa, também fazendo seu post de protesto no site, mas acabou tendo seu post removido nem 20 minutos após postá-lo.
ArtStation is now curating Trending to remove AI protest imagery. My Round Eight image was removed from the tab altogether within 20 minutes. pic.twitter.com/T7hAZVsEWI
Quando abordamos sobre suas ações, o site foi incapaz de especificar qual termo de serviço estava sendo violado. Após a falha em censurar seus usuários, o site insistiu em não banir trabalhos feitos por IA, anunciando uma nova opção que seria designada para impedir que a arte de seus usuários fossem utilizadas para treinar modelos de Inteligência Artificial.
Outra grande empresa que teve grande repercussões devido ao uso de IA foi a Marvel Studios, tendo diversas criticas em relação as imagens de sua nova serie “Invasão Secreta”, no qual todas suas imagens foram todas geradas através de IA.
Em uma entrevista para o site de noticias “Polygon”, o diretor da série Ali Selim revelou “não entender muito bem como a Inteligência Artificial funciona”. Ele comenta que “acabou ficando fascinado pelas maneiras na qual a IA poderia traduzir o sentimento de que algo ruim aconteceria, o qual ele visava para série”.
Method Studios, responsáveis por trabalharem em séries anteriores da Marvel Studios, tais como “Ms. Marvel”, “Loki” e “Cavaleiro da Lua”, decidiu não responder perguntas relacionadas a como exatamente a sequência da abertura foi feita. Em sua resposta ao site “The Hollywood Reporter”, o estúdio afirma que “o trabalho de nenhum artista foi substituído pela introdução dessas novas ferramentas”, é a partir dessa fala tentaram explicar a situação:
“O processo de produção foi altamente colaborativo e iterativo, com foco dedicado a esta aplicação específica de um conjunto de ferramentas de IA. Envolveu um tremendo esforço de talentosos diretores de arte, animadores (proficientes em 2D e 3D), artistas e desenvolvedores, que empregaram técnicas convencionais para elaborar todos os outros aspectos do projeto. No entanto, é crucial enfatizar que, embora o componente de IA forneça resultados ideais, a IA é apenas uma ferramenta entre a variedade de conjuntos de ferramentas usados por nossos artistas.”
Method Studios
O artista conceitual, Jeff Simpson, responsável por trabalhar no desenvolvimento visual da série, comenta que não fazia ideia do uso da IA até o lançamento da série, é acredita que a ferratamenta foi terceirizada ao estúdio.
Secret Invasion intro is AI generated. I’m devastated, I believe AI to be unethical, dangerous and designed solely to eliminate artists careers. Spent almost half a year working on this show and had a fantastic experience working with the most amazing people I ever met…
Em um momento no qual roteiristas da Marvel Studios e de muitos outros estúdios entram em greve devido a desvalorização do seu trabalho e o medo de serem substituídos, o primeiro exemplo de produção em massa de uma IA que indiscutivelmente substitui o artista de certa maneira, torna a situação que se discutia vir a ser preocupante, uma realidade cada vez mais próxima.
Ainda como exemplo, no âmbito da arte visual, Jason M. Allen, designer de jogos de 39 anos, se candidatou ao concurso “Fair Fine Art Competition”, em Pueblo West, Colorado. O homem ganhou o concurso com sua obra “Théatre D`opera Spatial”, que foi elaborado pelo “ Mid Journey” (programa cria imagens a partir de descrições textuais). O resultado do concurso revoltou desenhistas e artistas em geral, que foram se expressar sua indignação em suas redes sociais. O caso viralizou e a discussão sobre o uso da IA na área da arte virou pauta, não só na vida dos artistas, mas do público.
Maria Lúcia Soares Reis, aluna do terceiro semestre de design visual na Universidade Católica de Brasília (UCB), deu sua opinião sobre o caso de Jason. “Eu particularmente não gosto de IA em qualquer âmbito criativo, odeio a ideia de uma máquina fazer um processo orgânico e que demonstra a percepção de mundo do criador, afinal os conhecimentos, gostos e referências de um criativo é o que influencia suas criações.”
“Por exemplo, teve um cara que fez um livro infantil 100% com IA e na minha percepção é uma coisa extremamente fria da parte dele, por que primeiro um livro infantil não é um simples entretenimento que pode ser feito que qualquer criança vai gostar, livros infantis são muito complexos (pelo menos um bem feito) e necessitam de muito estudo para ser feito, além disso, fazer algo robotizado é algo tão frio especialmente para um criança que está no seu momento se formação”.
Maria Lúcia Soares Reis, estudante
Literatura
A Inteligência Artificial chegou também na literatura. O interessante desse campo, por exemplo, é que pode-se utilizar a ajuda do ChatGPT para avaliar seu livro, fazer correções gramaticais, fazer ajustes na edição e até procurar por sinônimos. No entanto, alguns escritores usam a ferramenta por completo. O autor Ammar Reshi escreveu um livro infantil por inteiro com a ajuda do ChatGPT para o texto e o MidJourney para as imagens. É o caso citado anteriormente por Maria Lúcia.
O processo de desenvolvimento do livro levou menos de 72 horas. Após a publicação do livro, “Alice and Spargel”, Ammar recebeu críticas como, “Escrita rígida e sem personalidade” ou “arte triste de doer”. Tanto o ChatGPT, quanto o MidJourney usam artifícios já encontrados nas redes, ou seja, a obra não seria 100% original.
As criticas ao seu trabalho foram diversas, em especial os comentários sarcásticos do artista Corey Brickley, no qual ele destaca todos os erros na ilustração de Ammar, todos em decorrência da carência de qualidade devido ao uso da IA.
welcome to the industry! Since your new to publishing I thought I might offer some feedback pic.twitter.com/ZfeBfOKsdM
— Corey "Commissions Closed" Brickley Illustration (@CoreyBrickley) December 12, 2022
Apenas… “Estilo de livro infantil.” Nenhuma história de artesanato, interpretação ou habilidade de um artista, corpos inteiros de trabalho agora são apenas moídos em pasta para as pessoas provarem em estilo buffet”.
Corey Brickley, ilustrador
Riscos à democracia cultural já podem ser facilmente identificados. Esse impacto além de ser cultural, pode ser também econômico, já que a geração de emprego pode diminuir com redução de custos em processos automatizados. A tendência é a baixa da criatividade e o aumento da reprodução de padrões.
O ChatGPT, é um modelo de IA que interage de forma conversacional, o permitindo ter um diálogo capaz de responder perguntas, admitir seus erros, contestar premissas incorretas e rejeitar solicitações inadequadas. treinado para fornecer informações detalhadas baseadas nas instruções de seus usuários, nos forneceu uma entrevista sobre suas habilidades na escrita literária, ressaltando que as mesmas são limitadas e não se igualam a capacidade humana.
Pense bem…
A obra à esquerda, é uma pintura impressionista de Pierre August Renoir, já a obra à direita, é uma pintura feita pela plataforma criadora de imagens “Microsoft Bing”. A I.A recebeu o comando de gerar a imagem de um parque inspirada no movimento impressionista e este foi o resultado. As semelhanças são claras, mas aí vem a reflexão, esta imagem pode ser considerada uma arte autoral ou um plágio? Bom levando em conta de que a inteligência possui um banco de dados, e os usa de base para gerar a imagem que foi pedida, talvez sim. Contudo, esse não seria o mesmo raciocínio de apenas um releitura de um artista? Ou uma obra inspirada em um movimento de arte específico? Seguindo este raciocínio, talvez plágio não seja a melhor palavra para definir esta imagem, mas arte seria? O que difere a releitura à direita da releitura de um artista qualquer sobre a obra de Pierre?
Agora olhando por um perspectiva diferente, a imagem à direita é uma ilustração dos personagens mais famosos desenvolvidos pelo “Studio Ghibli”, famoso estúdio de animação japonesa responsável por diversos filmes icônicos da franquia, como “Meu amigo Totorô”, “Viagem de Chihiro”, “Princesa Monoke”, entre outros. Por conta de seu traço de design único e tramas envolventes, as animações japonesas ganharam muita fama não só no Oriente como no Ocidente. A imagem à esquerda, foi uma ilustração gerada pela mesma I.A citada anteriormente e recebeu o seguinte comando: “gerar uma ilustração de um gato flautista inspirado no design usado pelo “Studio Ghibli”, este foi o resultado. É possível notar que existem semelhanças grandes com o estilo de animação, obviamente a imagem gerada não é perfeita, ou seja, dá para notar que não é algo original confeccionado pela empresa, mas algo perto. Além de que a ferramenta utilizada para esta exemplificação, não é a única. Inteligências como esta são aprimoradas de forma constante e rápida atualmente, logo, uma versão mais perfeita do que o exemplo, é mais do que provável. Isso seria um problema para o estúdio ou uma ferramenta útil? O emprego de designers estaria em risco? Os artista perderiam sua utilidade? Olhando por este lado, chegamos ao um lado mais sensível dessa reflexão, são mais qualidades ou desvantagens? A I.A futuramente poderia se tornar futuramente uma ameaça a grandes multinacionais? Aonde tudo isso irá chegar?
Artes Plásticas
Entrevista com Fernando Grilli
“ Arte não é sobre ter, mas sim, sobre ser”
Fotos Fernando Grilli
Fernando Grilli é um renomado artista plástico contemporâneo que estabelece um diálogo profundo entre a fotografia e a arte algorítmica em suas criações. Nascido na Argentina, ele cresceu em um ambiente permeado pela arte, com pais fotógrafos que o introduziram desde cedo nesse universo. Ao longo de sua carreira, Fernando também teve experiências na mídia, trabalhando em rádio, jornais e televisão como produtora publicitária e produtora executiva. Foi durante sua estadia na Europa que ele teve a oportunidade de aprofundar seus estudos em fotografia e arte plástica, agregando novas camadas de conhecimento à sua prática artística. Ao retornar ao Brasil, estabeleceu-se no Rio de Janeiro e teve a chance de capturar a essência do carnaval da cidade, produzindo fotos que retratam, através do seu ponto de vista, a festividade de maneira única.
Há aproximadamente um ano, Fernando Grilli deu início à criação de suas obras algorítmicas, explorando uma técnica híbrida que combina fotografias com intervenções manuais e digitais, como pintura, desenho, colagem e retoque digital, por meio de elementos que ele busca em IAs. É um trabalho minucioso, um processo em constante evolução. Essa abordagem contínua de pesquisa e experimentação impulsiona sua busca por novas fontes de inspiração, levando-o a se dedicar a novas formas de interagir com a arte e explorar os limites de sua expressão criativa.
Fotos Fernando Grilli
Quando questionado sobre a possibilidade de a Inteligência Artificial substituir artistas, Fernando Grilli responde com confiança, afirmando que não tem medo que isso aconteça. Ele destaca que utiliza a IA da mesma forma que utiliza um pincel, enxergando-a como uma ferramenta complementar. Para ele, um artista que conhece seu próprio talento, sua capacidade de criação e expressão não precisa temer que uma máquina possa tomar seu lugar. A Inteligência Artificial é vista como um recurso adicional que amplia suas possibilidades de criação. Por esse motivo, não é capaz de substituir o olhar e a autenticidade de um artista.
O artista plástico, Fernando Grilli, também observa que está revivendo a reação das pessoas diante do aperfeiçoamento da IA, comparando-a ao impacto gerado pela invenção do primeiro celular sem fio. Ele destaca que muitas pessoas ainda não sabem como utilizar plenamente essa tecnologia e não têm uma noção clara de onde ela pode levar. No entanto, ele acredita que, se utilizada para o bem, a Inteligência Artificial pode representar uma ótima evolução. Um exemplo disso são as próprias obras de arte de Fernando, que, mesmo incorporando elementos de IA, conseguem transmitir sua criatividade e emoção de forma autêntica.
Recentemente, Fernando apresentou uma série de fotografias que retratam a Amazônia, nas quais ele incorporou elementos digitais para aprimorar as fotografias que ele mesmo tirou. Além disso, ele está trabalhando em uma nova construção que explora a cidade de Buenos Aires, combinando fotos pessoais do artista com elementos de Inteligência Artificial, o artista destaca que essa criação remete a sua infância, família e local em que Fernando é apaixonado. Atualmente, está expondo suas obras em uma Bienal da Finlândia e possui diversos projetos em andamento fora do Brasil. Sua arte é uma manifestação única e poderosa que envolve tanto temas pessoais quanto questões relevantes para a sociedade.
Por fim, Fernando Grilli expressa seu desejo em voltar a se dedicar às pinturas inspiradas em suas fotografias. Para ele, em um mundo onde tudo é voltado para o dinheiro e tudo se transforma em um produto da indústria, a verdadeira essência da arte não se resume em ter, mas a ser. Um artista genuíno não está preocupado em ter muito dinheiro, mas sim em transmitir sua expressão, perspectiva e emoções por meio de sua arte. Ele ressalta que continua nutrindo sua paixão pela arte, para que um dia alguém possa olhar para suas obras e se reconhecer nelas, encontrando um sentido para a própria vida. A verdadeira realização artística reside na capacidade de impactar e ressoar nos corações e mentes das pessoas.
Para saber mais saber mais sobre o trabalho feito por Fernando Grilli, acesse o site: https://fernandogrilliart.com/ e seu instagram @fernandogrilli_art
Produção: Mariana Gomes Rabelo Mariana Evangelista Andrew Ily Rafaela Techmeier Sofia Thomas
Em um ambiente em que o futebol conquista o coração do povo, o crescente valor dos ingressos pode ser uma barreira.
Taça Champions League — Foto: Agência Reuters
O futebol sempre foi considerado um esporte de todos, tanto pela facilidade de prática quanto pelas festas promovidas nos estádios pelos torcedores de todas as classes sociais. Se no início do século passado a sua popularização foi responsável pelo crescimento do esporte, hoje a espetacularização promovida pelos responsáveis por organizar os grandes eventos trazem mudanças ao futuro do jogo. Com a vinda da Copa do Mundo, este processo torna-se ainda mais evidente e abre uma discussão sobre os prós e contras na elitização desse esporte que é tão popular.
Os interesses comerciais transformaram o jogo de futebol em grandes espetáculos, com gastos extravagantes e pouco resultado prático, o torcedor passou a colocar na ponta do lápis e questionou o real valor da vinda destes eventos, para decidir se o preço pago não era alto demais. O processo de elitização do futebol não é novo, está em curso e em um ritmo cada vez mais acelerado. Apesar de se ter a ideia de que é uma consequência dos tempos modernos, o futebol pode ser moderno e democrático.
De acordo com uma pesquisa feita pela Football Association (FA), 52% dos entrevistados admitem pensar em futebol ao menos uma vez por minuto, e 94% confessaram fazer planos após a divulgação do calendário onde dita as principais competições.
Esse esporte começa sendo um apreço, mas muitos encontram nele um espaço para mudar de vida, pois ele permite que equipes com menor capacidade de investimento financeiro consigam fazer frente aos supertimes. Um exemplo é o América-MG, que chegou às semifinais da Copa do Brasil eliminando times considerados mais fortes.
Porém, nos últimos tempos, essa situação vem sofrendo mudanças. Cada vez mais há dificuldade na relação entre gastos e sucesso esportivo, sendo diretamente proporcional. Pode-se verificar tal realidade a partir dos orçamentos dos finalistas da UEFA Champions League (UCL), a mais prestigiosa competição entre clubes de futebol, onde muitos investiram mais do que foi liberado.
Fonte: Transfermkt
Mesmo os clubes, mostrados no infográfico, fazendo parte dos mais ricos do mundo, a relação foi deficitária em alguns dos casos, o que fez com que iniciativas para garantir mais dinheiro para investimento se tornassem praticamente obrigatórias, ignorando todos os princípios do esporte. É o caso da polêmica Europa Super League (ESL), onde a competição foi anunciada por um grupo formado pelos times mais ricos da Europa como resposta ao novo formato da já citada UCL.
À primeira vista, parece ser uma iniciativa boa: confrontos entre os maiores clubes do mundo acontecendo várias vezes por ano, a exemplo das grandes ligas americanas. Mas, analisando a fundo o formato, percebe-se que ele é uma tentativa de exclusão dos clubes menores, criando um abismo ainda maior do ponto de vista econômico.
Fonte: Football Money League, consultoria Deloitte
Dos clubes mais ricos da Europa, apenas Zenit e Paris Saint Germain não faziam parte da ESL, que prometia cifras milionárias para seus participantes graças ao financiamento obtido com a JP Morgan, empresa de serviços financeiros na América Latina.
Protesto em frente ao Old Trafford contra a ESL (lê-se na faixa: Criado pelos pobres, roubado pelos ricos) Foto: Martha Kelner
A liga não teve o sucesso esperado pelos chamados cartolas – empresário de futebol – em razão dos protestos de torcedores, principais afetados por essa decisão, seja por descaracterizar o que torna o futebol emocionante, seja diretamente com aumento dos preços dos ingressos. Tal aumento é uma das alternativas encontradas pelos clubes para financiar a montagem dos elencos, mas isso afeta diretamente os torcedores mais pobres, principalmente no Brasil, onde a desigualdade social afeta a maioria da população.
Impactos no país do futebol
De acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019, 24,7% da população brasileira estava abaixo da linha da pobreza. Com a pandemia, a situação econômica desses indivíduos se agravou. Um estudo do grupo Food for Justice da Universidade de Berlim, feito durante a pandemia, apontou que 59,4% das residências do Brasil se encontram em situação de insegurança alimentar, ou seja, famílias que se preocupam com a possibilidade ou a realidade de não ter alimento suficiente. Um cenário no qual o fenômeno de elitização do futebol tem grande impacto. Se a maioria da população é pobre e mal tem o que comer, certamente não frequentará os estádios.
A herança dos novos estádio construídos para a copa do mundo de 2014 teve consequências no acesso de público às chamadas arenas de futebol. Estádios centenários como o Maracanã foram convertidos nesses modernos espaços que são pensadas para o consumo e não para a cultura futebolística. Ou o caso do segundo time mais popular do país, o Corinthians, abandonou o Pacaembu em prol da Arena Corinthians. (posteriormente rebatizada como Arena Neo-Quimica graças a uma negociação de naming rights).
O conforto proporcionado nestes espaços pode parecer convidativo, mas custa caro. Soma-se a isso a inflação do mercado da bola (causada pelos times-empresa-estados citados mais cedo no texto), e quem paga a conta é o torcedor.
Outro fator que agrava a situação é que o valor do ingresso não é o único gasto dos torcedores, há também transporte, alimentação e produtos oficiais do time. Um dos entrevistados relatou que “o custo da cerveja e alimentos no estádio aumentou muito”. Para não deixar de acompanhar seu time, ele conta que “muitos desses produtos eu parei de consumir”. Um processo que é confirmado pelo antropólogo Amdreia Sander Damo, especialista em cultura do futebol brasileiro, em entrevista ao Puntero Izquierdo e ao Ludopédio.
“Há um processo de elitização do futebol que está em marcha há algumas décadas, tendo se intensificado com a arenização. A elite clubística e a grande mídia têm achado isso ótimo, porque o faturamento aumentou.”
Andrei Sander Damo, antropólogo
Para os torcedores que não têm condições financeiras de acompanhar seu time, eles podem assistir aos jogos de casa. Entretanto, essa não é uma solução eficiente como relata outro entrevistado: “outra questão importante são as transmissões, muitas vezes (acontecem) em canais pay-per-view ou em canais que não são da TV aberta”, gerando mais gasto. No gráfico abaixo podemos analisar a verba repassada nos jogos da Libertadores dos times Flamengo, Palmeiras e Grêmio, entre 2018 a 2020.
Fonte: Conmebol
Dos 4 torcedores de grandes clubes da Série A ouvidos nessa reportagem, foram unânimes em dizer que a elitização dificulta o acesso ao estádio e ao consumo dos produtos oficiais do clube.
“ notoriamente os jogos passaram a ser frequentados em sua maioria por pessoas de classe média para cima, portando e consumindo produtos oficiais – de preço elevado, diga-se de passagem.”
Juliana Pinho, torcedora do Flamengo
Essa realidade dos torcedores se complica quando envolve famílias numerosas. Ir em grupo ao estádio, adquirir fardamento dos clubes ficou proibitivo.
“(A elitização) me afeta pois minha família é composta por 5 pessoas e acaba ficando caro ir ao estádio, comprar camisas oficiais e produtos da marca.”
Anderson Santos, torcedor do Vasco da Gama.
Vitor Brine, jornalista esportivo da emissora ESPN, foi mais distante em seu programa “Tabelinha” e previu o que pode ser a consequência mais trágica do processo iniciado agora:
“O futebol é para todos. Mas se virar só um negócio e não respeitar a alma, um dia, não hoje, pode ser daqui a 200 anos, o futebol vai acabar”.
Vitor Brine, jornalista esportivo da ESPN
Com o falso argumento de que os clubes precisam faturar, o futebol vai ficando cada vez mais distante da classe trabalhadora, do torcedor apaixonado. Com ingressos caros, jogos exclusivos na TV paga e nos canais de streaming na internet a turma das populares fica cada vez mais longe do esporte. O futebol deixa de ser de massa, do povo, e se torna uma máquina de lucros e um espetáculo somente para quem tem condições de pagar. Vai se distanciando do que torna o futebol tão apaixonante é seu caráter horizontal e democrático. Afunilando ainda mais, o acesso dos torcedores e a quantidade de clubes que conseguem competir nas grandes ligas, há sério risco do esporte perder sua identidade.
Variações no fomento da produção audiovisual brasileira travam a expansão do setor. A arrecadação da Condecine 2020 é a menor desde 2012 quando a Condecine Tele, os serviços de telecomunicações que distribuem os produtos audiovisuais no país, foi lançada pela lei 12.485/2011 que contribui para o aumento da receita.
Colagem: Glenielle Alves
O Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), suporte milionário responsável pelo incentivo no desenvolvimento da cadeia de atividades do audiovisual brasileiro, tem pelo quarto ano consecutivo queda em seus principais setores de arrecadação (Condecine e Fistel). A Condecine (Contribuição para o desenvolvimento da Indústria Cinematográfica) decresceu, respectivamente, -9,79% (2018-2019), -83,4% (2020) e, posteriormente, a Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações) com -48% (2019-2020) de sua receita.
Os dados do Relatório Anual de Gestão da FSA (Fundo Setorial do Audiovisual) mostram que a pandemia da covid-19 agravou as condições de produção e financiamento do audiovisual. Houve uma redução de 77% na bilheteria anual (2020), já em relação aos filmes brasileiros, movimentaram apenas 9,1% dos espectadores com arrecadação de R$144,7 milhões, representando menos 55,8% no comparativo à 2019.
Visto as dificuldades durante a pandemia, em parceria com o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) e BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul), o Comitê Gestor lançou uma linha de crédito emergencial (2020) no valor de 400 milhões para a manutenção dos empregos e da estrutura produtiva do setor (produtoras, distribuidores e exibidores). O montante foi distribuído da seguinte forma:
R$ 250 milhões para aplicação direta com o BNDES no financiamento de projetos superiores a R$ 10 milhões;
R $150 milhões restantes para créditos em projetos entre R $50 mil a R $10 milhões.
O Comitê Gestor determinou também o Programa de Apoio Especial ao Pequeno Exibidor (PEAPE), em torno de R $8,5 milhões, que visa apoiar os empregos e empresas exibidoras de cinema de pequeno porte diante das restrições da Covid-19, na condução das salas de exibição. Essa medida em específico não é reembolsável.
Segundo o cineasta Fáuston da Silva (Brasília-DF), elaborador de curtas como “Meu amigo Nietzsche” (2012), “Balãozinho Azul”(2014), “Terra em que Pisar” (2020) entre outros, o grande desafio para o produtor, independente ou não, é justamente o fomento financeiro. Nesse aspecto o FSA (Fundo Setorial do Audiovisual) alimenta parte dos gastos, apesar de ser um processo longo. “Por exemplo, qualquer Estado que invista R $1,00 no audiovisual, a proposta do FSA é investir o dobro em cima”, afirmou. Mas também discutiu o processo cíclico do setor:
“Todo imposto que é pago pelo produtor no audiovisual, uma porcentagem tem que ser reinvestida na própria cadeia do setor ”.
Fáuston da Silva, diretor de cinema.
Em contato com o diretor, roteirista e empreendedor Caio César (Nilópolis- RJ), responsável pelo curta “Tudo Bem” (2020) e a sequência “Nosso Tudo Bem” (2021) parte I e II, o desenvolvimento do seu primeiro projeto se deu a partir de RS 2.500,00, advindos do edital “Cultura Presente nas Redes Sociais”, e outros R$ 2.500,00 próprios do diretor para sustentar a demanda do filme. O segundo projeto, a sequência “Nosso Tudo Bem” , foi feito com orçamento de R $50.000,00.
“Quando nós -equipe- fizemos os curtas e conseguimos captar o dinheiro, fazer rodar em quatro dias e ter uma parte I e II com pouco dinheiro e tempo. Mas com qualidade. Senti a necessidade de empreender nas artes e assim comecei a montar o que hoje é a Pulo do Gato Preto Produções. Ela ainda é muito centrada em mim, porém está se preparando para ser uma casa criativa, onde eu possa assessorar pessoas que queiram produzir seus próprios trabalhos para desenvolver uma cultura de produção independente […] O dinheiro público vai ser menos frequente e toda essa organização- fundos- irá ser mais restrita ”, disse Caio César.
Caio César: arquivo pessoal
As Produções Nacionais durante a Pandemia
O Brasil já contabiliza mais de 17 milhões de casos de covid, conforme o consórcio da imprensa (13/06), e este fato não distancia a ficção da realidade. A produção nacional trabalhou com a narrativa para tratar das inseguranças da covid-19, o distanciamento social e as prevenções necessárias. O diretor Caio César, da “Pulo do Gato Preto Produções”, exprimiu sua perspectiva sobre filmar durante uma pandemia e inseri-la nos curtas “Tudo Bem” (2020) e “Nosso Tudo Bem”:
“O primeiro projeto foi uma gravação muito tensa e acho que ainda assim está na tela. Tem uma tensão e ,além dela, o prazer de estar ali. Muita gente não estava no ofício há algum tempo. No segundo projeto, a gente tinha muito mais dinheiro para fazer um processo mais fácil que, ao mesmo tempo, fosse uma grande preocupação. Então, toda equipe foi testada e seguiu os protocolos (distanciamento e higienização). Foi- no geral- uma dinâmica leve, mas muito bem trabalhada para que a equipe pudesse fazer todo o trabalho com a maior segurança possível”, confessou.
César, questionado sobre novos projetos, não pretende fazer mais curtas.
“Estamos- Pulo do Gato Preto Produções- nos programando para fazer conteúdos de longa duração para poder se posicionar nesse lugar como produtora de fato, como alguém que agrega talentos”.
Caio César, produtor.
É nessa visão de agregar talentos que promoveram o curta“Como Sobreviver à Quarentena”, lançado no último dia 11. Direção de Fernando Cassano; produção e atuação de Francisco Vitti. A obra retrata a monotonia da rotina e como ela influencia na saúde mental.
Capa: Pulo do Gato Preto Produções
O cineasta Fáuston da Silva conta também com a produção de seu mais novo, e primeiro, longa-metragem “Manual do Herói”, com previsão para o início das filmagens no dia 20 de outubro deste ano e lançamento em 2022 . O filme, financiado pelo FAC (Fundo de Apoio à Cultura do DF) e FSA (Fundo Setorial do Audiovisual), abordará de forma metafórica o engajamento políticoatravés da figura de um herói da periferia.
“A ideia é fazer um filme de super-herói na periferia com gente brasileira e com a paleta de cor do povo brasileiro debatendo um tema político. […] Meu cinema é um cinema periférico”, enfatizou.
Fáuston da Silva, cineasta.
Teste de elenco: Manual do Herói, arquivo pessoal.
Storyboard: Manual do Herói
Cineasta: Fáuston da Silva
Há ainda dois outros projetos que estão em fase de captação:
Filme “Menina”: trata a história de uma ribeirinha de 9 anos que não foi registrada, logo não tem um nome, por isso o adjetivo “menina”. Ela está viajando com o pai à Manaus para finalmente ser registrada. Mas nessa viagem há várias experiências.
Filme “Joãozinho”: Fáuston, sem muitos detalhes, adianta que é uma comédia sobre a educação e seu funcionamento. A ideia surgiu com as famigeradas “piadas de joãozinho”.
O Desmonte da Cultura do Governo Bolsonaro
Colagem: Glenielle Alves
O Ministério da Cultura (Minc), após 34 anos de funcionamento, foi extinto mais uma vez por meio da medida provisória número 870 de 01 de janeiro de 2019. A MP estabeleceu a organização básica dos órgãos da Presidência da República e os Ministérios, nos quais encarregaram o Ministério da Cidadania a pasta da cultura. No documento disponibilizado pelo Diário Oficial da União (DOU), o Ministério da Cidadania se responsabilizou pela:
XIV – política nacional de cultura;
XV – proteção do patrimônio histórico e cultural;
XVI – regulação dos direitos autorais;
XVII – assistência ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária nas ações de regularização fundiária, para garantir a preservação da identidade cultural dos remanescentes das comunidades dos quilombos;
XVIII – desenvolvimento e implementação de políticas e ações de acessibilidade cultural;
XIX – formulação e implementação de políticas, programas e ações para o desenvolvimento do setor museal.
Além da criação da Secretaria Especial da Cultura e subordinação da Secretaria Nacional do Audiovisual. A seguir mais informações dos principais acontecimentos do panorama cultural diretamente dos arquivos do Estadão:
Conforme o Sistema Nacional da Cultura (SNC), o Brasil mudou a pasta da cultura várias vezes para outros setores. Nos anos 90, o Minc foi transformado em uma Secretaria Especial vinculada à Presidência da República, mas que em 1992 retornou às ações como ministério. A comando de Michel Temer com a medida provisória número 726 (2016), o Ministério da Cultura também foi extinto, passando a integrar o Ministério da Educação na época.
População de menor renda é a que mais utiliza o serviço.
O ônibus é o segundo meio de transporte mais utilizado no Distrito Federal no caminho ao trabalho (38,2%). Ele fica atrás só do automóvel, utilizado por 47% da população. Os dados são da Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios – PDAD 2018, realizada pela Companhia do Desenvolvimento do Planalto Central (Codeplan). O ônibus ocupa o primeiro lugar, especificamente, entre os grupos de média-baixa e de baixa renda. Ambos os grupos abrangem 15 cidades satélites, das quais duas (Ceilândia e Samambaia) possuem estações de metrô.
A pesquisa da Codeplan revela, ainda, que o Plano Piloto é onde a maioria trabalha. Jefferson Hishiyama, mestrando em Planejamento de Transportes no Programa de Pós-Graduação em Transportes da Universidade de Brasília (PPGT-UnB), enfatiza que a função social do transporte público é fornecer às pessoas o acesso a oportunidades urbanas – emprego, estudo, lazer e saúde. Partindo dessa perspectiva, ele avalia o sistema de transporte do DF em seu estudo de dissertação.
Hishiyama baseia a avaliação na diferença a partir do acesso ao emprego e à educação quando se tem o carro e quando se depende da rede pública. Ele observa que a maior parte das oportunidades se concentram no Plano Piloto, em Taguatinga e na Ceilândia. Portanto, a maior frequência de linhas é no sentido “RA-Plano Piloto”.
“a situação faz com que viagens por ônibus entre as próprias regionais acabem sendo inibidas”.
Jefferson Hishiyama, mestrando em Planejamento de Transportes
*Renda domiciliar média. Fonte: PDAD 2018
Fonte: PDAD 2018
QUEM ANDA DE ÔNIBUS
Ágata Reis, 19 anos, mora no Gama e trabalha no Guará. Na ida, ela pega o ônibus direto, pouco antes das 7 da manhã. Mas, na volta, ela precisa pegar o metrô e três ônibus, pois não há a mesma opção sem conexões como havia mais cedo. Existem apenas duas linhas que fazem o trajeto Gama-Guará de modo direto, de acordo com a programação do DF no Ponto. Há dois horários de saída do Gama – de manhã – e de volta do Guará – ao final da tarde, correspondendo aos períodos de pico.
A integração entre diferentes veículos se torna uma necessidade. O sistema de bilhetagem eletrônica unificada, controlado pelo BRB, promove essa conexão. E esse é um dos atributos que Hishiyama aponta como bons no DF, além da oferta de sistemas de massa – BRT, Bus Rapid Transit, Ônibus de Trânsito Rápido, e metrô – e das faixas exclusivas nas regiões de tráfego intenso. Mas ainda faltam melhoras na eficiência, aponta ele. Mais pontos de integração e maior conforto tornariam o sistema mais atrativo aos brasilienses.
Hishiyama notou que a acessibilidade a emprego e estudo por ônibus é mais restrito até na Asa Norte e na Asa Sul, onde ele esperava não ver níveis tão diferentes, comparado ao carro.
“A configuração da malha viária de Brasília e dos itinerários das linhas que formam a rede de atendimento. Na Asa Sul e Asa Norte, por exemplo, as linhas de ônibus se concentram nos eixinhos, W3 e L2, sempre no sentido norte-sul. Quando uma pessoa deseja ir das quadras 600 às 900 (…), demora muito mais tempo a viagem por ônibus”.
Jefferson Hishiyama, mestrando em Planejamento de Transportes
Voltando a rotina de Ágata, no dia-a-dia, ela gasta aproximadamente 1 hora para ir, e um pouco mais para voltar. É o tempo de viagem mais registrado pela pesquisa “Como anda meu ônibus”, realizada pelo Instituto de Fiscalização e Controle (IFC) com apoio do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).
A maior parte dos usuários de transporte público mora em áreas periféricas ao Plano Piloto. A psicanalista Marina Rodrigues, mestre em psicologia clínica pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada – ISPA, lembra que usar esse tipo de transporte no DF ainda é sinal de inferioridade econômica, sem falar que, em razão da pandemia de Covid-19, as pessoas tem o receio da aglomeração.
“ter status é ter carro”.
Marina Rodrigues, psicanalista
A assessoria do Secretário de Estado de Transporte e Mobilidade do DF (Semob), Valter Casimiro Silveira, informou que a pasta implementou medidas para evitar a propagação da doença desde o início da pandemia. Uma delas é a higienização dos veículos a cada viagem, pelos operadores do Sistema de Transporte Público Coletivo do Distrito Federal (STPC/DF). Outra é que todas as janelas dos ônibus devem permanecer abertas. Entretanto, os ônibus do BRT não oferecem essa opção, já que foram projetados com ar condicionado e sem abertura dos vidros. Em junho de 2020, uma reportagem do Bom dia DF registrou reclamações.
A experiência de Ágata é que as janelas dos veículos do BRT continuam sem abrir. Um anúncio oficial passa nos ônibus, informando que eles são higienizados a cada parada numa estação. Porém, “só Deus sabe” se essa limpeza é feita de verdade, diz ela. Outra coisa que ela não vê é a disponibilização de álcool em gel, um item obrigatório para toda a frota, segundo a Semob. Os dispensadores do produto deveriam estar nos pontos de fácil acesso e visibilidade, como nas áreas de embarque, fornecido pelas operadoras do STPC/DF, informou a Secretaria.
A pesquisa do IFC destaca a característica pendular do transporte público no DF. Isso causa superlotação pela manhã, no trajeto Satélites – Plano, e pelo início da noite, no trajeto oposto. Essa sobrecarga piora a percepção das pessoas sobre o serviço.
“Há quem esteja passando pela pandemia em um transatlântico e há uma enorme maioria que está se agarrando a pedaços de madeira para sobreviver.”
Marina Rodrigues, psicanalista
Fonte: Como anda meu ônibus – IFC/2020
O SISTEMA
A parte rodoviária do STPC/DF é composta pelo serviço básico e pelo complementar. O básico é o mais utilizado, e opera da seguinte forma: o distrito é dividido em cinco regiões chamadas bacias; em cada bacia opera uma empresa de transporte. E a atuação da empresa depende de concessão pública do GDF. O serviço complementar inclui linhas rurais e executivas, sendo operado pela Sociedade de Transporte Coletivo de Brasília (TCB) e outras 12 operadoras.
Concessão pública: Contrato firmado entre a administração pública e uma empresa privada. A empresa passa a executar e explorar economicamente um serviço público, sendo remunerada pelas tarifas pagas pelos usuários do serviço.
O que é uma concessão pública. Portal da Indústria.
Fonte: Como anda meu ônibus – IFC/2020
A construção do BRT em grande escala fez parte de um projeto que já completa mais de uma década desde sua elaboração inicial. O Governo Federal queria otimizar a mobilidade urbana nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 (Brasília, São Paulo, Natal, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Recife, Fortaleza, Manaus e Cuiabá). Muitos planos mudaram, atrasaram, obras foram descartadas e outras incluídas e bilhões de reais foram gastos. A Copa do Mundo ocorreu há 7 anos e ainda há obras incompletas.
A população avaliou vários aspectos do sistema através de questionários que o IFC distribuiu na realização da pesquisa. As notas vão de ótimo a péssimo. Cerca de 36,8% dos respondentes avaliam como “regular” o estado de conservação dos ônibus. O único item que recebeu maioria absoluta de notas positivas foi o da distância até as paradas, visto por 36,4% como “bom”. Isso significa que elas estão bem localizadas geograficamente, indica a análise do Instituto.
No entanto, 64% vê como péssima ou ruim a proteção contra o sol ou chuva oferecida nos pontos. E a iluminação pública dos locais também recebeu avaliações negativas por mais de 60% das pessoas. À noite, a escuridão em volta do ponto de ônibus é considerado um fator perigoso. O item que avalia a sensação de segurança também recebeu maioria de respostas (37,6%) em “péssimo”.
Hishiyama observa no decorrer de sua pesquisa que oportunidades urbanas podem ficar mais acessíveis com o aumento da cobertura do transporte público, ou seja, quando ele estiver mais perto das pessoas e de seus destinos e mais eficiente. Essa é a solução mais fácil de ser implementada.
“Sistemas de ônibus convencionais têm a versatilidade de ajustes (…) dos itinerários”
Jefferson Hishiyama, mestrando em Planejamento de Transporte
Além disso, esses ajustes demandam menos custos em infraestrutura, comparados aos sistemas de massa. Para os mais complexos, como o BRT, ele ressalta que o sistema deve trabalhar em rede, não em linhas isoladas. Os pontos devem garantir a integração de maneira rápida, segura e prática. Mas para que mudanças realmente ocorram, a população precisa participar, aponta Hishiyama.
“Juntamente ao trabalho, educação, saúde, lazer e outros, o transporte também é um direito social nosso. Temos o direito de exigir um transporte público melhor.”
Jefferson Hishiyama, mestrando em Planejamento de Transportes
O METROPOLITANO
De acordo com a PDAD 2018, 3,6% da população utiliza o metrô para ir ao trabalho. Ele circula por seis regiões administrativas (Plano Piloto – somente Asa Sul -, Águas Claras, Ceilândia, Samambaia, Guará e Taguatinga) do total de 33 que compõem o distrito. Mas, desde 19 de abril, os metroviários do DF estão em greve. Então a circulação dos trens está em 80% da capacidade nos períodos de pico, variando nos outros horários e dias da semana.
O funcionamento só não parou completamente por determinação judicial, segundo nota publicada pelo SindMetrô/DF. O metrô faz parte do trajeto que o professor Alex Vidigal, da Universidade Católica de Brasília, percorre até o trabalho. Ele lamenta a greve e diz que “quando [o metrô] está funcionando plenamente, é um ótimo transporte coletivo”.
Foto: Paulo Barros/Ascom/Metrô-DF
Foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
Foto: Paulo Barros/Ascom/Metrô-DF
Foto: Paulo Barros/Ascom/Metrô-DF
Vidigal mora em Águas Claras, onde o metrô é o segundo meio de transporte mais utilizado. Desde a década de 1990, o desenvolvimento da infraestrutura da cidade já era pensado para viabilizar a implantação do metrô, inaugurado oficialmente em 2001. O professor diz que optou pelo transporte público por achar que o carro próprio gera muitos gastos, considerando gasolina, revisões e IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores – para os carros com menos de 15 anos, no DF).
Um dos projetos de parceria público-privada do GDF, sob a gestão de Ibaneis Rocha, foca no metrô. É o projeto de Concessão para Gestão, Operação e Manutenção dos Serviços de Transporte Metroviário do DF, que pretende aumentar a frota de trens. Dessa forma, o serviço se tornaria mais eficiente, pois diminuiria os intervalos entre viagens, informa a Semob. O plano é aumentar a composição de 24 trens no horário de pico para 40, sendo 5 deles reservas. A proposta está sob análise do Tribunal de Contas do DF (TCDF).
Parceria público-privada: “É quando há algum tipo de pagamento pelo ente público em razão de a tarifa ou conjunto de receitas serem insuficientes para remunerar a prestação do serviço pelo concessionário. Ocorre na modalidade administrativa ou patrocinada.”
Aliadas da mobilidade, parcerias público-privadas avançam no DF. Agência Pública. 32/02/21
Imagem: Companhia do Metropolitano do Distrito Federal
As linhas do metrô seguem a lógica de conectar três pontos principais: Plano Piloto, maior centro de oportunidades, e as duas cidades mais populosas, Ceilândia e Samambaia. Juntas, as linhas formam um “Y”, um formato no qual Hishiyama vê restrições até mesmo dentro de Brasília, onde não há opções de destino mais diversificadas do que Asa Sul e Rodoviária.
“Quando estou me deslocando, a melhor forma é o metrô, muito bom como transporte coletivo.”
Alex Vidigal, professor
A Companhia do Metropolitano do DF oferece um sistema informativo que os pontos de ônibus ainda não têm. Os painéis, ou as chamadas “televisõeszinhas”, das estações mostram quanto tempo falta para o trem chegar. Elas foram inauguradas em 2017. Esse sistema é um dos maiores diferenciais, segundo Ágata. Ela acha o metrô mais rápido e relata que tem mais incertezas com os ônibus. Às vezes, ela chega na parada e tem “que ficar esperando um tempão”, conta. Não há como saber onde o veículo está.
No dia 7 de junho, rodoviários da Viação Marechal anunciaram greve e mais de 400 ônibus deixaram de circular. Sem saber da paralisação, Ágata esperou normalmente pelo ônibus na manhã daquele dia. Primeiro, pensou que ele estava atrasado, mas na verdade o veículo não viria. Então ela recorreu ao serviço de transporte particular Uber para chegar ao trabalho a tempo. Na tarde do mesmo dia, a Marechal voltou a circular, após um acordo entre os trabalhadores e a empresa.
Como a psicanalista Rodrigues, o professor Vidigal vê, no DF e no Brasil, a cultura de que ter um carro é sinal de superioridade. Para ele, o transporte coletivo é parte muito importante da estrutura social, e o sistema do DF ainda é “muito limitado”. Para além do trabalho, Vidigal utiliza o ônibus e o metrô de forma geral, para ver amigos e familiares.
“Tem horários da noite que não tem ônibus circulando. É uma falta de respeito, para uma capital”.
Alex Vidigal, professor
Mas dependendo da cidade e do horário, a programação deixa a desejar. Nessa situação, ele opta pelo Uber. É uma escolha que ele evita, mas que às vezes é necessária.
Outro projeto de mobilidade da Semob é tirar do papel o VLT – Veículo Leve sobe Trilhos. O VLT também fazia parte dos planos pré-Copa de 2014 e nunca foi entregue. Em 2018, 39% das obras prometidas para a Copa de 2014 no DF não estavam concluídas, contabilizou o Correio Braziliense. O VLT da W3 foi discutido em audiência pública no ano passado e atualmente o projeto passa por ajustes, a pedido do TCDF.
A Secretaria não se manifestou sobre expandir as linhas de metrô para outras cidades satélites, e os projetos em curso nas regiões norte, sul e oeste do DF se destinam ao sistema BRT. Ainda que a expansão do metrô seja desejável do ponto de vista dos usuários, Hishiyama destaca os fatores que podem impossibilitar a obra. Por exemplo, um baixo potencial de demanda, as características do solo e o alto custo da estrutura metroviária aos cofres públicos.
O pesquisador também enfatizou uma das “boas práticas” no planejamento da mobilidade urbana: a diversificação do uso do solo. É um planejamento que diminui a dependência de carro particular e estimula tanto o uso do transporte público quanto o ciclismo e a caminhada. E ele aponta o sistema de ônibus de Curitiba, do tipo “tronco-alimentador”, como exemplo de promoção de conectividade e mobilidade.
Sem abraços, sem aperto de mão e sem beijo no rosto. As mudanças bruscas nas rotinas e a necessidade de cumprir os protocolos de distanciamento influenciaram consideravelmente o convívio social. O chamado “novo normal” veio repleto de obstáculos comportamentais e enfrentá-los sem comprometer as emoções ainda está sendo um grande desafio.
Foto: Divulgação
Doenças psiquiátricas ou transtornos mentais
As mudanças e transformações no modo de viver e se relacionar com outras pessoas, foi algo comum na vida de qualquer cidadão ao longo dos últimos meses. A população precisou passar por um processo de adequação com a nova realidade e se adaptar às novas condições impostas durante a pandemia causada pela covid-19. No entanto, muitas não conseguiram seguir com a saúde mental inabalável.
O novo momento vivido provocou um aumento considerável das doenças psiquiátricas, chamadas também de transtornos mentais. De acordo com uma pesquisa do instituto Ipsos, encomendada pelo Fórum Econômico Mundial e cedida à BBC News, 53% dos brasileiros afirmaram que sua saúde mental piorou no último ano.
Os transtornos mentais atingem mais de 20 milhões de brasileiros atualmente, dando ao país o título de mais ansioso do mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), e o quinto mais depressivo.
As doenças psiquiátricas ou neurológicas são provocadas por diversos fatores e podem aparecer em qualquer pessoa, de qualquer faixa etária. Essas doenças são descritas por qualquer tipo de anormalidade, comprometimento e sofrimento de ordem psicológica ou mental. Tais transtornos podem aparecer em momentos de crise ou de tensão, acarretando em alterações do sistema emocional e da produção de neurotransmissores cerebrais e problemas hormonais.
Entre as doenças psiquiátricas existentes, algumas têm sido mais incidentes durante o período de isolamento social e merecem destaque.
Transtorno de Ansiedade
Provocando um medo que aparentemente não tem motivo, o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) é capaz de gerar uma preocupação excessiva ao indivíduo, desconforto e sentimentos constantes de tensão e apreensão. Causam também sintomas físicos como tensão muscular, taquicardia, dificuldades para respirar, além de calafrios ou ondas de calor.
Depressão
A depressão é uma das doenças psiquiátricas mais comuns no mundo. Ela afeta mais de 400 milhões de pessoas e a tendência é de que as mulheres sofram mais do mal do que os homens.
O sintoma principal da depressão é o sentimento de tristeza, a pessoa perde o interesse em fazer atividades mais simples do dia e carrega consigo sentimentos de culpa. Pode perder o sono, além de sofrer alterações no apetite e na concentração. Em seu estado critico, a depressão pode levar ao suicídio.
Transtorno Mental Comum
O Transtorno Mental Comum (TMC) é um transtorno definido pelos sintomas depressivos, sintomas de ansiedade, irritabilidade, situações repentinas que causam tristeza profunda, fadiga, insônia entre outros sinais. Pessoas que recorrem a especialistas apresentando alguns desses indícios, mas não atendem as condições de classificação de depressão e ansiedade, geralmente recebem o diagnóstico do TMC.
Após o diagnóstico, o paciente precisa seguir as devidas recomendações, com o objetivo de tratar e favorecer um resultado satisfatório, já que o TMC é o transtorno inicial para outras doenças, ou seja, uma boa articulação no tratamento da saúde mental pode evitar prejuízos psicológicos futuros.
Síndrome do Pânico
A doença de síndrome ou transtorno do pânico é conhecida pela incidência inesperada e sem explicação de crises de ansiedade bastante fortes, definida por um medo muito agudo e desespero que ocasionam sintomas físicos e emocionais considerados apavorantes.
As causas para o aparecimento dessa doença ainda não foram totalmente esclarecidas, mas estudiosos relatam que fatores genéticos, o uso excessivo de medicamentos, álcool e drogas podem contribuir.
Os principais sintomas de síndrome do pânico são náuseas, taquicardia, suor e calafrios, desespero incontrolável e sensação de morte.
Foto: Julia Mendes.
Efeitos psicológicos do isolamento social
Manter relacionamentos familiares, sociais e afetivos, e as trocas interpessoais são essenciais para o bem-estar e a qualidade de vida de pessoas de todas as idades. A mudança repentina que alterou os modelos de convívio social, afetou as emoções e gerou sentimentos de insegurança, medo, frustração e angústia.
O ser humano necessita de contato físico para a construção de melhores relações afetivas. Esse tipo de contato é capaz de induzir reações neuronais complexas na espécie humana, como explica a médica psiquiatra Carolina Tajra. A liberação de neurotransmissores cerebrais e as mensagens que esse contato humano transmite são diversas.
O contato físico nos mostra que não estamos sozinhos no mundo, gera sensação de conforto e acolhimento, contribuindo para o controle do estresse. O toque físico, portanto, tem uma função social central.
Carolina Tajra, médica psiquiatra.
Tajra conta que a procura por atendimento em saúde mental nos últimos meses aumentou consideravelmente e que, sem dúvidas, a pandemia é principal causa desta demanda. Os quadros de ansiedade são prevalentes, mas o trauma da perda também.
“O luto e episódios depressivos também são muito frequentes e, surpreendentemente, os quadros de estresse pós traumático”.
Carolina Tajra, médica psiquiatra.
A universitária Nátalie Lima, 22 anos, tinha uma rotina intensa antes da pandemia. Conciliava o seu tempo entre faculdade, academia, igreja e reuniões com os amigos aos finais de semana. Para ela, se adaptar aos novos protocolos de convívio não foi nada fácil, o que agravou seu quadro psicológico. A estudante de odontologia morava com seus avós antes da pandemia, mas há 1 ano e meio teve que aprender a conviver consigo mesma. Amedrontados com vírus e sem perspectiva de vacinas, seus familiares já idosos, decidiram se mudar logo no primeiro semestre de pandemia para uma casa na zona rural. Foi um meio de evitar contaminação.
“Eu sempre tive problemas com depressão e ansiedade, e o isolamento piorou muito, porque eu sou o tipo de pessoa que necessita de contato físico, da presença de amigos e da minha família, mas tive que me afastar de todo mundo”.
“Durante todo o ano de 2020 eu vi minha família pouquíssimas vezes e pra mim isso foi horrível, eu me sentia muito sozinha. A saudade dos meus familiares piorou muito as minhas crises de ansiedade”,
Nátalie Lima, 22 anos.
Imagem da estudante em um momento de crise de ansiedade. Foto: Arquivo pessoal.
Já o funcionário público e arquiteto, Jônatas Bueno, 36 anos, está trabalhando de home office desde março de 2020. Ele tem ficado mais recluso em casa com sua esposa e seu filho de 2 anos durante a pandemia, evitando sair até mesmo para atividades essenciais como mercado. O arquiteto tem usufruído ainda mais de aplicativos de delivery e não tem frequentado eventos sociais. Seu filho também não vai mais à escola e nem em parquinhos de criança.
Com mais de 500 mil mortos no Brasil e milhares de pessoas sofrendo a dor do luto, Jônatas também teve de enfrentar, sem o abraço e o consolo de pessoas queridas, a perda de seu pai, que faleceu em março de 2020.
“O isolamento social retardou uma recuperação de um processo psicológico que eu estava passando devido ao falecimento do meu pai. O medo de perder mais alguém era muito grande, então esse processo de luto foi muito mais difícil do que eu acho que seria, se a gente pudesse encontrar nossos parentes normalmente para nos abraçarmos e chorar juntos”.
Jônatas Bueno, 36, arquiteto
Psicólogo Otávio Guimarães fala sobre como o isolamento social afetou o psicológico dos brasileiros.
A psiquiatra Carolina reforça que, devido à pandemia, surgiram os atendimentos on-line e que a saúde psicológica muito ganhou com isso, uma vez que pacientes podem realizar consultas diversas com maior conformo, praticidade e comodidade.
A instabilidade gerada por essas transformações na rotina sugere a busca por ajuda profissional especializada em saúde mental. Sobretudo nos casos em que se percebem desajustes emocionais muito intensos e persistentes. O ideal é recorrer ao apoio profissional o quanto antes.
Foto: Monicky Yuka
Na linha de frente
Apesar do sofrimento generalizado, a situação pandêmica pode ter sido mais intensa para uns do que para outros. Entre essas pessoas, algumas profissões exigiam, além do enfrentamento da pandemia, o convívio com mortes, números e situações de crises. Como foram com profissionais da saúde e jornalistas.
Mesmo que acostumados a lidarem com notícias ruins e grandes perdas, profissionais da saúde lidam com essa situação de uma forma mais acelerada, além das pressões emocionais e mentais. É o caso de Anna Paulina Carneiro, 29 anos, que atua como clínica geral.
Anna Paulina explica que a falta de preparo dos profissionais da saúde para enfrentar com toda a situação, uma carência durante o período de formação, foi um obstáculo. Ela relata que teve inclusive muita dificuldade para se ‘desligar’ do trabalho, mesmo durante folgas mais prologadas.
Foto: Arquivo pessoal.
“Tive problemas de relacionamentos pessoais por conta disso porque o meu celular virou um instrumento de trabalho todos os dias. Sempre tinha alguém que conseguia meu número e perguntava informações sobre a Covid ou mesmo pacientes que tinham uma piora e eu precisava voltar. Até agora não consigo me desligar e não é porque a gente não quer, é porque não conseguimos mesmo’’
Anna Paulina, clínica geral.
A pandemia também tem sido desafiadora para os jornalistas, que possuem papel fundamental em informar e conscientizar a população. No entanto, durante esse período, os profissionais batalham como nunca contra a infodemia, termo utilizado pela OMS que caracteriza o excesso de informações, muitas vezes imprecisas e equivocadas, a respeito da doença.
Para o repórter do Metrópoles Tacio Lorran, a experiência de cobrir as mortes e os trágico números deixados pela covid-19 foi uma experiência complicada. Apesar de lidar bem com as situações que a profissão envolve, o jornalista foi a Manaus, capital do Amazonas, para cobrir a falta de oxigênio nas unidades de atendimento saúde da cidade, o maior colapso sanitário da história daquela capital.
Arquivo profissional
“EmManaus eu vi gente perto de morrer, vi gente morrendo, vi gente na fila para conseguir pegar oxigênio, vi gente que estava internada e em desespero por não saber se faltaria oxigênio”. (…)”Mudou muito meu ponto de vista, até mesmo o meu olhar sobre a pandemia”.
Tacio Lorran, jornalista
A jornalista e repórter do Correio Braziliense Bruna Lima também conta sobre as dificuldades de fazer uma cobertura sobre a maior pandemia enfrentada pelo mundo nesse século.
Para Bruna, o sentimento é de estar “remando contra a maré”, pois a dificuldade de fazer seu trabalho nunca foi tão grande. A repórter ainda explica que essa situação tem afetado não só sua vida profissional, mas, também, sua saúde.
“Eu acho que ninguém está bem e quem precisa estar perto e lidar com essas notícias e números também não está”. (…) “Eu perdi parentes próximos para a covid. É muito triste ter que continuar escrevendo sobre isso”.
Bruna Lima, jornalista
Bruna em Manaus para acompanhar a vacinação da população indígena. Foto: Ueslei Marcelino
Na área de educação, não é diferente. Os professores precisam cuidar do estado emocional deles e dos alunos. A professora da educação infantil, Jéssica da Silva, 30 anos, foi um desses profissionais que enfrentou os desafios para desenvolver a aprendizagem adequada dos seus alunos.
Ela afirma que o comportamento dos estudantes mudou consideravelmente durante o ensino remoto. Conta que para se manter bem durante o pico da pandemia e passar segurança a seus alunos, foi necessário se apoiar em “laços da vida” .
“Alguns sempre perguntavam o que era Covid e comentavam que um parente morreu disso.Muitos deles não tinham recursos para acessarem as aulas ou não tinham acompanhamento dos pais.’’(…) “quando vejo os bons resultados dos meus alunos, sinto que tudo valeu a pena”.
Jéssica da Silva, 30 anos, professora da educação infantil
Arquivo pessoal
Nos últimos meses, muitos estudos foram realizados para avaliar os impactos da quarentena sobre o estado psíquico da população. Um artigo publicado recentemente no Scielo/USP revela a importância do cuidado em relação à Covid-19 e à saúde mental, com foco em conter os riscos de depressão, ansiedade e de outros sintomas emocionais potencialmente prejudiciais.
Consciência com o corpo e a mente
Uma forma eficaz de manter a sanidade mental, principalmente durante o isolamento, é a prática de atividade física. A dificuldade de frequentar academias e aulas coletivas fez com que os atletas de plantão buscassem por atividades mais variadas, inclusive ao ar livre.
Dados do Strava, aplicativo on-line voltado para amantes do esporte, registraram um crescente aumento de adeptos das atividades físicas no ano de 2020. Durante os primeiros meses da pandemia, foram dois milhões de novas adesões ao aplicativo, totalizando mais de 73 milhões de atletas pelo mundo – mais de 9,5 milhões só no Brasil.
O Sport Tracker, outro aplicativo para atletas, também registrou um aumento de 10% no número de praticantes de esporte no último ano.
Apesar dos empolgantes números, a OMS divulgou, em janeiro de 2021, um estudo confirmando que a população brasileira se exercita menos do que deveria. A pesquisa mostra que, nos últimos 15 anos, um em cada dois adultos (47%) no Brasil, não praticam atividades físicas da maneira correta para manter o corpo saudável.
Após um estudo realizado com 16 mil pessoas durante a pandemia, a realidade é que a população brasileira não está preocupada em mudar o resultado. Em um questionário online compartilhado pela revista Veja nas redes sociais durante o ano de 2020, identificou que somente 40% dos entrevistados estavam fazendo algum exercício durante a quarentena.
A instrutora de ioga Sathia mostra como a meditação ajuda a enfrentar os desafios emocionais.
A atividade física é apontada pelos especialistas como um dos principias antídotos para evitar todo o tipo de doença. Além do desenvolvimento de transtornos mentais a falta de exercícios ainda pode contribuir para o aumento de peso, doenças cardiovasculares como infarto e AVC, diabetes tipo 2 e apneia do sono.
É uma questão que vai muito além da estética, como relata o personal trainner Lucas Morais na reportagem abaixo.
Os riscos e as alternativas para cuidar da cabeça e das emoções
Trabalho experimental realizado pela turma 2020 2 de Redação Digital do Curso de Jornalismo da Universidade Católica de Brasília. Supervisão do professor Alexandre Kieling.
As reportagens produzidas por estudantes de Jornalismo Digital da Universidade Católica de Brasília buscam tratar temas contemporâneos com uso de ferramentas online. São experiências digitais ancoradas na visualização de dados em infográficos, fotografias e ilustrações, com o desafio de exercitar a criatividade nesse laboratório acadêmico de prática jornalística. Os temas nessa edição abrangem violência contra a mulher, a história de Brasília e do Correio Braziliense, e o investimento na cultura do Distrito Federal.
O projeto, supervisionado pelo Prof. Alexandre Kieling, foi executado pelos estudantes: Amanda Queiroz, Áurea Batista, Beatriz Duarte, Giovana Rodrigues, Glenielle Alves, Graca Nyambura, Jeanine Bonfo, Júlia Rezende, Maria Cecília Lima, Maria Luísa Martins, Raphael Barbosa,Raphaela Peixoto e Vivian Tavares.