COVID-19 A PRAGA DO SÉCULO XXI
Impactos sociais, econômicos, políticos e culturais: o mundo sob estado de alarme
A pandemia do novo Coronavírus está mudando o planeta. Os hábitos da população mundial passam por rígidas transformações. Não apenas em ordem epidemiológica por meio dos protocolos de saúde. A vida social, a vida econômica, as relações de trabalho, a mobilidade, o consumo. A necessidade do isolamento como principal medida de precaução à expansão desenfreada do vírus impôs novas rotinas, novas práticas, novas rotinas. A desigualdade mostrou sua face mais cruel, os desníveis materiais e tecnológicos ficaram expostos. Entre quatro paredes velhos fantasmas eclodiram, como o sofrimento mental e a violência doméstica. De outra sorte, uma percepção mais refinada de solidariedade e fraternidade ganharam evidência. O esforço narrativo que vem a seguir busca registrar e ajudar na compreensão dessa Terra em transe.
Reuters-Aly Song- Testes feitos em profissionais da bolsa de valores de Tóquio
O ponto de partida
Os primeiros casos do coronavírus tiveram origem no mercado de frutos do mar na cidade de Wuhan, na China. As primeiras ocorrências foram relatadas na virada do ano, em 31/12/2019. A incidência aumentou de maneira exponencial nas primeiras semanas. A doença provocada pela variação do vírus Sars – síndrome de insuficiência respiratória grave -, dois meses depois (11/02/2020) de detectada em Wuhan, foi nomeada oficialmente pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como Covid-19.

A resposta universal
O desconhecimento sobre as características do vírus lançou a ciência em uma corrida para conhecê-lo e encontrar antídotos. Como estratégia para ganhar tempo, a receita eficiente recomendada pela autoridades de saúde foi o distanciamento social. A medida terminou adotada pela grande maioria dos países como forma de conter a disseminação do coronavírus (Sars-CoV-2), especialmente para desafogar a pressão no atendimento dos sistemas de saúde de cada país que, independente da sua posição na geração de PIB – Produto Interno Bruto – , não tinham estrutura para um atendimento em escala. Paralelamente foi deflagrada uma campanha que precisou estimular a civilização humana na retoma de um hábito básico de higiene pessoal, lavar as mãos. E passou a ser obrigatório o uso de máscaras em qualquer ambiente coletivo, especialmente na rua. O fato é que a pandemia está mudando os hábitos da população mundial, criando uma nova dinâmica, uma nova realidade.
Diferença entre distanciamento, isolamento social e quarentena
- Distanciamento social é a diminuição de interação entre as pessoas de uma comunidade para diminuir a velocidade de transmissão do vírus.
- Isolamento é uma medida que visa separar as pessoas doentes (sintomáticos respiratórios, casos suspeitos ou confirmados de infecção por coronavírus) das não doentes, para evitar a propagação do vírus. O isolamento pode ocorrer em domicílio ou em ambiente hospitalar, conforme o estado clínico da pessoa.
- Quarentena é a restrição de atividades ou separação de pessoas que foram presumivelmente expostas a uma doença contagiosa, mas que não estão doentes (porque não foram infectadas ou porque estão no período de incubação). (Fonte: TelessaúdeRS – UFRGS).
SOLIDARIEDADE
A nova ordem mundial
O isolamento social se transformou em um momento desafiador para todos, ricos e pobres, escolarizados e analfabetos, crentes e ateus. Não importa a etnia, a região, de uma hora para outra todos foram separados da sua vida “normal”. As restrições resultaram em consequências mais agudas para grupos de risco (idosos, doentes crônicos) e para quem já tinha poucos recursos ou nada para viver. Muitos ficaram sem nenhuma renda. Governos e organizações começaram a se mobilizar para ajudar e amparar o grande número de pessoas que ainda estão vulneráveis. Uma onda de solidariedade vai ocupando o planeta. Começando com coisas simples como uma ida ao supermercado para o vizinho que faz parte do grupo de risco. Surgiu assim, em todo Brasil, um movimento chamado “vizinhança solidária”. Foi só o começo.

Cesta do bem
No Distrito Federal um movimento comunitário do Jardim Botânico desenvolve um trabalho de arrecadação e distribuição de cestas básicas. O projeto, chamado de Cesta do Bem, é uma iniciativa de uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). As doações são entregues em vouchers e a família podem retirar os produtos em mercados de São Sebastião.
Contato
www.org.br/institucional/cesta-do-bem
contato@mcjb.org.br
3427-3038
Em meio à crise, ações colaborativas surpreendem famílias e grupos em vulnerabilidade. A Distribuição de alimentos, doação de produtos de higiene pessoal, álcool em gel e máscaras aumentou. Em todo Brasil comunidades de fé, ongs, empresas e vizinhanças mostram que, em tempos difíceis, compartilhar se torna a palavra de ordem.
Campanha: Vamos precisar de todo mundo
Organizada por Brasil Popular e Povo Sem Medo a campanha tem como objetivo divulgar iniciativas de solidariedade, receber doações e dar suporte para quem precisar de ajuda.
Contato:
Rede solidária
A Rede Solidária é uma ação da Associação Brasileira de ONGs (Abong) em parceria com a Conectas Direitos Humanos para dar suporte e divulgar iniciativas de solidariedade. Nela é possível ter acesso a palestras, atividades, lives e outros conteúdos.
Movimentos Contra a Covid-19
A campanha Movimentos Contra a Covid-19, da Central de Movimentos Populares (CMP) disponibiliza acesso ao cadastro e divulgação de pontos de recebimento e distribuição de alimentos e produtos de higiene e limpeza em ocupações, favelas e periferias de todo país.
Para doar acesse:vaquinha on-line

O movimento de apoio e ajuda sensibiliza cada vez mais pessoas, é o caso do Solidarte que reúne artistas e voluntários.
Projeto Dividir
O Projeto Dividir é uma iniciativa de catadores e catadoras de Brasília, nele são arrecadadas doações de mantimentos, itens de higiene e de limpeza, além de quantias em dinheiro para serem distribuídos às pessoas carentes. As doações devem ser realizadas diretamente no Objeto Encontrado (102 Norte), de meio-dia às 20h ou por transferência bancária.

Violência – velhos problemas que persistem
Com grande parte do mundo sob quarentena, emergiu um velho desafio social: a violência doméstica que não cessa. Ao contrário, aumenta. Crianças e adultos que vivem em ambientes com abuso tiveram sua vulnerabilidade ampliada. Os fantasmas, que se revelavam entre quatro paredes, voltaram com força. Essas vítimas passaram a incluir a lista de consequências da pandemia do coronavírus.
No mundo inteiro existem pessoas que sofrem com a violência em casa. O convívio diário tem deixado os agressores mais violentos e as agressões constantes. As vítimas estão confinadas com os agressores. Em muitos países da América Latina cresceram os pedidos de ajuda em casos de violência doméstica.
Em São Paulo, no centro dos casos de COVID-19 no Brasil, durante os primeiros dez dias de quarentena, as denúncias aumentaram em 30%. Os dados são do Observatório de Igualdade de Gênero da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal).
A fuga dessa situação de violência torna-se ainda mais difícil em razão da restrição de serviços e de movimentação na quarentena. E se agrava pela diminuição de renda. No Brasil, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos constatou alta de quase 9% nas denúncias dos casos de violência doméstica realizadas pelo Disque 180.

A quem recorrer?
As mulheres têm buscado os canais de emergência da PM, PC e GCM quando conseguem fazer contato durante o processo da agressão ou logo após. A maior dificuldade das vítimas é para registrar a ocorrência e pedir uma medida protetiva. Esse processo deve ser iniciado nas Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (DEAMs), Defensoria Pública, Ministério Público e advogados. Como elas não podem sair de casa, o acesso a esses canais é limitado. Mesmo assim, uma rede de apoio vem sendo ativada para dar suporte às vítimas. São grupos de mulheres que atuam em redes sociais. Não silencie. Veja alguns contatos que podem ser acionados.
- Núcleo de assistência jurídica de defesa da mulher: (61) 999350032
- Centro de atendimento à mulher: (61) 33237264
- Polícia Militar: 190
- Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos: Disque 100
- Disque Denúncia – 180
- Casa da Mulher Brasileira – (61) 32265024 – (61) 32245295
- Programa de prevenção a violência doméstica da Polícia Militar: (61) 39101349
- Site: www.mapadoacolhimento.org
- Baixe o app: PenhaS
- Mande um email para (najmulher@defensoria.gov.br )
ECONOMIA
O Planeta parou
Todos os sistemas produtivos e de consumo sentiram o impacto
A pandemia de coronavírus afetou todos os setores, levando alguns – como a saúde, por exemplo – a beira de um colapso. Os efeitos na economia são devastadores. O consumo, com as pessoas sem sair de casa, teve uma redução drástica. O sistema econômico congelou. Desemprego, falências, desativação de indústrias viraram rotina. Em todo o mundo, em especial nos países emergentes, houve fuga maciça de capitais estrangeiros e, em consequência, perda da capacidade de investimentos.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) tem recebido solicitações de países emergentes que buscam por auxílio financeiro para salvar suas economias. De acordo com a diretora-gerente do Fundo, Kristalina Georgieva, o mundo sofreu uma paralisia instantânea da economia.
“Nossa estimativa atual para as necessidades financeiras gerais dos mercados emergentes é de US$ 2,5 trilhões”.
O mercado financeiro, considerado um dos principais indicativos da saúde econômica do mundo globalizado, sofreu fortes quedas. Na bolsa brasileira, houve uma redução média de 30% em todas as empresas que negociam suas ações. Setores do varejo foram os mais afetados como shoppings, lojas de shoppings, lojas de eletrodoméstico, empresas aéreas.
Brasil
No Brasil, especialistas estimam que o país viverá recessão econômica pós Covid-19. O Produto Interno Bruto (PIB) deve fechará negativo em 5%. Conforme o IBGE o desemprego já atingia 12,3 milhões no trimestre computado em fevereiro. Setores de máquinas, micro empresas, varejo e bares e restaurantes projetam cortes de até 3 milhões de vagas ainda neste semestre. A CNC -Confederação Nacional do Comércio, aponta que as demissões no setor podem alcançar a marca de 1,8 milhão de vagas até o final do ano. (fonte:https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2020/04/22/desemprego-provocado-por-covid-19-comeca-a-ser-medido-por-empresas.htm)

A situação do país é delicada, em especial pelas especificidades da economia local. Segundo especialistas, o Brasil viveu uma década perdida. A economia do país dava sinais, antes da pandemia, de instabilidade com crescimento abaixo da média. Porém, com a chegada do novo vírus, o país caminha para fechar o período de 2011 a 2020 com o menor crescimento médio de uma série histórica de 120 anos.
Fotos: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília- Higienização do Shopping Popular de Ceilândia. Alina Souza/Correio do Povo- Centro de Porto Alegre com ambulantes em toda parte. Fernando Frazão/Agência Brasil- Lotérica na Barra da Tijuca, Rio, funcionando com o distanciamento social.
Medidas Governamentais
O Governo Federal tem executado medidas na tentativa de dar fôlego aos estados e municípios. Adotou também ações de transferência de renda, como o auxílio emergencial de R$ 600,00. A maioria dos economista brasileiros entende que o governo demorou para apresentar medidas concretas e claras à população e mesmo ao parlamento.
Em 20 de março o Congresso Nacional – Câmara e Senado -, aprovaram decreto legislativo reconhecendo o estado de calamidade pública no Brasil. Com a medida, o Governo Federal não precisa, temporariamente, cumprir com a regra de ouro, podendo aumentar os gastos correntes acima dos valores aprovados no orçamento. Uma prerrogativa que deu ao governo condições legais para adotar medidas de emergência que exigissem mais despesas.
Diante da autorização, algumas ações da equipe econômica do governo Bolsonaro, comandada por Paulo Guedes, foram apresentadas. São destinadas a diversas áreas de atuação. Vão desde a liberação de dinheiro a estados e municípios até a transferência de renda diretamente para pessoas dos cadastros sociais ou que ficam sem qualquer atividade remunerada, como o caso do ambulantes e empreendedores individuais.
O governo lançou um programa de proteção ao emprego. Com ele, as empresas podem congelar salários e diminuir jornadas, desde que mantenha o funcionário empregado. O governo também lançou o financiamento de 85% das folhas de pagamento das empresas, com garantia do Tesouro Nacional.
O FGTS também será utilizado no combate à pandemia. A partir de junho, o Governo Federal vai liberar saques de até R$ 1.050,00 por conta que o trabalhador tiver. Além disso, também foi criado o Auxílio Emergencial, em conjunto com o Poder Legislativo, que já está realizando pagamentos desde abril de R$ 600,00 aos trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados.
Serão pagas três parcelas. Segundo estimativas do próprio governo, mais de 46,2 milhões de brasileiros já receberam o auxílio.
O socorro aos estados e municípios
O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, em maio (5/5/2020), em sessão virtual, o texto-base do Projeto de Lei Complementar (PLP) 39/20, do Senado, que prevê ajuda de R$ 125 bilhões para os estados, o Distrito Federal e os municípios em razão da pandemia de Covid-19. Foram 437 votos a 34. Após acordo com a equipe econômica, o texto do Senado proíbe a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios de concederem qualquer tipo de aumento salarial até o final de 2021, assim como a realização de concursos e a criação de cargos. Ficarão de fora dessas regras as categorias de servidores civis e militares envolvidos diretamente no combate à Covid-19.
Distrito Federal
Na Capital Federal um dos setores mais afetado é o de Hotéis, Restaurantes e Bares. Segundo o sindicato da categoria, estima-se que até o final do isolamento mais de 11,2 mil trabalhadores sejam demitidos somente do setor.
Sindicatos, empresários e empregados vem cobrando mais urgência do governo na apresentação de medidas para proteger os empregos. Recentemente, o BRB – Banco Regional de Brasília- reabriu uma linha de crédito chamada Supera-DF, que atende pessoas físicas e jurídicas com empréstimos a juros baixos, mas sabe-se que com tantas solicitações, não será possível atender a todos.
Nas agências do trabalhador, que estão presentes em algumas cidades do Distrito Federal, a oferta de vaga caiu de 400 para menos 100, de acordo com uma consulta realizada pelo Jornal de Brasília.
Educação
Todas as telas a serviço do ensino
A Covid-19 vem trazendo impactos decisivos no futuro de muita gente. Os efeitos podem ser percebidos na educação dos brasileiros que tem sido modificada pela tecnologia, em virtude do ensino a distância. No entanto, nem todos estão aptos ou adeptos a nova rotina. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), metade dos estudantes do mundo estão sem aula. Os que sonham em realizar um concurso, e vestibular neste ano, vivem na incerteza de não saber quando serão aplicadas as provas.
Devido ao Coronavírus, no dia 18 de março o Ministério da Educação (MEC) autorizou a substituição de aulas presenciais das instituições federais de ensino por aulas no formato de ensino a distância. A medida foi publicada em portaria no Diário Oficial da União e vale até durar a pandemia. A autorização é válida para as universidades federais, os institutos federais, e faculdades privadas. A portaria, porém, veda a medida aos cursos de Medicina e às práticas profissionais de estágios e de laboratório dos demais cursos.
A outra mudança determinada pelo governo federal foi à suspensão da obrigatoriedade de escolas e de instituições ensino de cumprirem 200 dias de aula, correspondente ao ano letivo. A medida provisória (MP), decretada pelo Presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), em abril.
Impactos
A segunda etapa do levantamento da empresa de pesquisas educacionais Educa Insights, divulgado em parceria com a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), realizada entre os dias 27 e 30 de abril revelou que após 45 dias do início do isolamento social provocado pela pandemia da Covid-19 no Brasil, 78% das instituições de ensino superior particulares do país migraram suas atividades presenciais para aulas virtuais. As outras 22% preferiram optar por suspender as aulas ou o semestre.
O estudo foi feito com 1.513 pessoas, em todas as regiões brasileiras, e dentre as instituições que migraram suas atividades para o ambiente virtual, 89% delas já desenvolvem suas atividades de forma síncrona, a chamada “aula ao vivo”, ou assíncronas (gravadas). Ao analisar o percentual de estudantes que estão tendo aulas exclusivamente ao vivo, o número chega a surpreendentes 61%. Outras 28% utilizam tanto o formato simultâneo quanto atividades assíncronas. Enquanto que 11% utilizam exclusivamente o formato assíncrono, que é usado tradicionalmente na modalidade de Educação a Distância (EAD).
Aulas remotas, a sala de aula digital
Ensino Superior
A Universidade Católica de Brasília (UCB) faz parte das 89% das instituições que desenvolvem as aulas gravadas e ao vivo. O professor e doutor em Comunicação, Robson Dias exerce a disciplina de Comunicação Organizacional pelo Hangouts Meet, em que as aulas são transmitidas ao vivo, e são gravadas. O professor contou que há uma diferenciação na preparação do conteúdo, principalmente para voltar à atenção do aluno à aula.
“O conteúdo online é completamente diferente porque existe a mediação pelo computador. Há um estímulo maior que tem que ser feito para o aluno prestar atenção, porque há estudantes que desligam a tela, deixando apenas o microfone ligado, e vão fazer outras coisas”.
Desse modo, a metodologia do professor vai da aula expositiva ao teatro e dramatização de vivências. As outras ferramentas utilizadas são os formulários do Google: Google – Mapa mental; Kami – Discussão de textos; Padlet – Mural Eletrônico; Mentimeter – Nuvem de Palavras e/ou Jogos; Kahoot – Jogos. Para Robson a tecnologia está sendo muito eficaz, e deu significado a palavra superior que o ensino possui.
“Para mim a tecnologia usada está sendo útil. Diante a uma calamidade pública em que estamos vivendo, a educação como um todo contribuiu bem nessas medidas do remoto. Isso mostra que temos professores e alunos qualificados, e que a educação superior, é superior mesmo”.
Diego Anatálio, 20 anos, é estudante de jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), e está tendo cinco disciplinas pela plataforma Microsoft Teams, em que as aulas funcionam ao vivo com direito a chamada. Para o estudante, a experiência está sendo proveitosa, apesar de ter tido dificuldades para se adaptar.
“A ferramenta utilizada é boa, e as aulas são produtivas. No entanto, é um momento muito atípico e uma situação diferente de uma aula presencial e de tudo que estamos acostumados. No início foi difícil se acostumar, mas estou me dando bem. Porque não quero perder um semestre. Então faço o possível”.
A Universidade de Brasília (UNB) está entre as 22% das instituições de ensino brasileiras, que suspenderam as atividades, conforme foi divulgado pelo estudo da ABMES. A justificativa da contraposição foi de que grande parte dos alunos não têm acesso à internet de qualidade. Sendo assim, o primeiro semestre de 2020 foi suspenso. De acordo com a instituição, o conteúdo será reposto quando a situação se normalizar. Raíssa Benvindo, 22 anos, estudante do 9° semestre do curso de física na Universidade de Brasília (UNB), faz parte da grande demanda do grupo de estudantes que não teriam suporte em casa para acessar as matérias à distância.
” Eu não me sinto prejudicada com a suspensão do semestre. Pelo contrário, com o início das aulas EAD ao invés da presencial eu me senti muito prejudicada, porque a atual situação financeira da minha família não permitiu pagar a conta da internet. Além disso, a minha casa não tem estrutura. Sempre tive o hábito de estudar na UNB”.
Raíssa contou que as aulas virtuais a ajudariam. No entanto, discordou que o método é eficiente para suprir as necessidades dos universitários.
” Eu sempre fui de estudar sozinha. Se eu tivesse como ter internet, e um local adequado para estudo eu com certeza acharia uma boa ideia ter essas aulas. Mas o mundo não é ideal assim, e não existe estrutura para suprir esses déficits de todos os estudantes que precisam. Inclusive, os da UNB”.
Enem
A COVID-19 trouxe mudanças até para aqueles que ainda pretendem entrar em uma instituição de ensino. Em abril, uma decisão liminar da Justiça Federal de São Paulo chegou a determinar que o calendário do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) fosse alterado para ser adequado à realidade do ano letivo de 2020 após a pandemia do novo coronavírus. O exame digital estava marcado para os dias 11 e 18 de outubro e a aplicação de provas físicas seriam nos dias 1 e 8 de novembro.
O pedido de ação civil pública proposta pela DPU (Defensoria Pública da União), e assinado pela juíza Marisa Claudia Gonçalves Cucio, da 12ª Vara Cível determinava que o calendário de prova tivesse que ser adequado à realidade do ano letivo, que está suspenso em muitos locais por conta de políticas de isolamento determinadas pelos estados ou mesmo pelo governo federal. Desse modo o ENEM ficou sem data fixa. No entanto o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) derrubou a liminar, e manteve o calendário do vestibular. Após o ocorrido o MEC (Ministério da Educação) alterou apenas a prova digital para 22 e 29 de novembro.
Assim como as instituições de ensino que aderiram às aulas a distância, os cursinhos para a preparação do ENEM também se adequaram a novidade. O estudante Pedro Nascimento, 21 anos, que antes tinha a preparação presencial, e agora, está estudando para o exame por aulas remotas, é um exemplo. São cinco horas de aulas, com três a quatro matérias por dia com aulas gravadas e outras ao vivo. O rapaz contou que era contra ao EAD, mas que se acostumou, e está encontrando benefício.
Nunca gostei de ensino a distância. Mas, precisei me adaptar, e tem sido interessante fazer meus próprios horários. A vantagem é que se eu não tiver entendido alguma coisa, posso voltar quantas vezes quiser”.
Entre as aulas presenciais, e agora as onlines, Pedro prefere a EAD pela acessibilidade. Além disso, falou como está sendo para os demais colegas que não têm acesso.
“Depois de me adaptar, hoje prefiro à distância pela flexibilidade. A nossa turma se ajuda. todos têm whatsapp, aí temos grupos divididos por matéria em que um ajuda o outro, compartilhando pdfs e resumos”.
Diferente de Pedro, nem todos os estudantes se adequaram aos novos métodos de estudo. Uma pesquisa realizada pela Casa Fluminense – organização que estuda a vida urbana nas periferias – constatou que há mais de 2,3 milhões candidatos que não têm computador em casa, quase a metade dos inscritos. O estudo apontou também que a maioria dos estudantes frequentam escolas públicas e vivem em estados do Norte e do Nordeste do País.
Ensino de educação básico

As escolas públicas do Distrito Federal decidiram usar a tecnologia para transmitirem as aulas de um modo diferente: teleaulas, desde que o governador Ibaneis Rocha (MDB- DF) publicou decreto suspendendo as aulas para evitar a disseminação do coronavírus na capital. A iniciativa que tem o nome de Escola em Casa DF teve início no começo de abril sendo transmitido pela TV Justiça, que pode ser assistida na tevê aberta no canal 53, mais adiante na TV Gênesis, e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que cede os estúdios para as gravações.
Os vídeos educativos são exibidos das 9h às 12h, e tem conteúdo que vai desde a educação infantil até o ensino médio. As escolas públicas e particulares estão fechadas desde 12 de março, após decreto publicado no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF). De acordo com o governador Ibaneis Rocha (MDB), está previsto que as aulas retornem somente em agosto.
Saúde
O desafio não cessa
Solidão na crise
A Public Health publicou um artigo em sua revista de 2017 com base em 40 estudos realizados entre 1950 a 2016. A partir do quais o texto revela uma associação significativa entre o isolamento e a solidão. A conclusão sugere que estes fatores contribuem para um agravamento na saúde mental das pessoas. Um componente que contribuiria para o quadro de causas combinadas que pode levar a morte.
Durante a pandemia do novo Coronavírus, a medida geral recomendada pelas autoridades de saúde foi o isolamento social. E mesmo quando precisassem sair, as pessoas deveriam manter o distanciamento social. A situação impôs, principalmente para pessoas que vivem sozinhas e mesmo aquelas que estão no grupo de risco, o desafio de lidar com a solidão e o afastamento.

Para Vera Augusta , 73 anos, administrar o isolamento está sendo bastante difícil. Acostumada a sair todos os dias para resolver o que precisa, ela confessa que tem medo do vírus. Adotou o auto-isolamento restringindo visitas de familiares e amigos. No início de Março, Vera perdeu seu filho mais novo em decorrência de uma embolia pulmonar. Quatro dias depois o governo decretou o fechamento dos estabelecimentos comerciais e o isolamento social. O luto e a solidão se somaram entres os desafios do dia a dia. Vera optou pelo retiro em uma área rural da família onde recorreu à interação com o ambiente de plantas e animais.
Mas a maioria não tem essa opção. A alternativa vem sendo manter contatos virtuais, interações mediadas pela tecnologia. É o caso das mensagem de texto, chamadas de voz, videochamadas. Outra alternativa que tem sido cultivada nas regiões de condomínios e prédios residenciais é a conversa de janela com vizinhos. Nos casos em que, mesmo com essas medidas, o desafio do isolamento parecer insuperável, a alternativa que vem ganhando adeptos é a terapia online. .
Desde 2018, o CFP (Conselho Federal de Psicologia) liberou a prática de atendimento online. O terapeuta precisava apenas informar ao órgão. Com o novo Coronavírus e apenas os serviços considerados essenciais estando abertos, o CFP liberou todos os profissionais a tratarem seus clientes durante os meses de Março e Abril sem informação prévia ao órgão.
A terapia presencial e a online não apresentam diferença, o vínculo e o acolhimento estabelecidos não mudam, todo feedback, intervenção, palavra e troca são os mesmos durante a terapia.
A recomendação do Conselho Federal é que o paciente confira as credenciais dos profissionais antes de partir para a terapia e que encontre um profissional que seja da sua confiança.
Médicos com atendimento a distância

Telemedicina é o uso das tecnologias modernas para o fornecimento de informação e atenção médica a pacientes e outros profissionais de saúde situados em locais distantes. É uma subárea da telessaúde e sua principal área atualmente é a cibermedicina, medicina por Internet ou intranet. Outros meios de comunicações utilizados incluem telefones fixos, celulares, tablets, e robôs.
A telemedicina se tornou muito importante durante a pandemia do novo Coronavírus, o Ministério da Saúde, durante a gestão do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, liberou a telemedicina como excepcional e válida enquanto o país estiver em emergência de Saúde Pública. Sites como o Médico 24h, Dr.Consulta online, Telemed Saúde e Morsh são plataformas da telemedicina que usam aplicativos ou ligações para agendamento, consulta, diagnóstico e retorno de onde o paciente estiver.

A portaria do ministério autoriza cinco tipos de práticas da telemedicina. São elas:
Atendimento pré-clínico: triagem, na qual o paciente informa sintomas e sinais vitais;
Consultas: conversa entre paciente e médico;
Diagnóstico: conclusão do médico sobre o problema do paciente e seu tratamento;
Suporte assistencial: consulta de retorno, na qual o médico acompanha a evolução do paciente;
Monitoramento: acompanhamento mais frequente de febre, sinais vitais, etc.
Caso possua alguma dúvida, entre em contato com um médico de confiança e se puder, faça o teleatendimento.
O mundo pós-pandemia
O cenário atual é preocupante, existe uma grande incerteza sobre o futuro. Todo esse efeito da pandemia vai mudar todos os hábitos e costumes que a população mundial estava acostumada, é possível observar mudanças em todas as áreas como a interação das pessoas, o mercado de trabalho se reinventando, a educação se adaptando a novas tecnologias, novas formas de trabalhar.
Mãe de primeira viagem em meio a pandemia
(relato de Maria Luyne Araujo, estudante)
O ano de 2020 não está sendo fácil para ninguém, a pandemia do novo coronavírus e o crescente número de casos no Brasil vem causando insegurança e medo para todos nós. Para as mamães de primeira viagem, como eu, e para as gestantes é ainda mais preocupante, pois estamos trazendo novas vidas ao mundo, em meio a este caos. Segundo estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ainda não há comprovação de que mulheres gestantes têm mais chance de contrair o vírus, ou seja, elas não fazem parte do grupo de risco. Mas é importante ressaltar que durante a gestação, com as mudanças naturais que acontecem com o corpo da mulher, pode ocorrer queda de imunidade, deixando-a mais suscetível a contrair o vírus.

Além de toda a preocupação que se tem com bebês, todo o receio dessa nova experiência, se vamos ser boas mães, se vamos dar conta dessa aventura tão difícil que é cuidar e criar de uma criança, agora temos mais uma preocupação, um medo constante de contrair essa doença. No dia 05 de abril, meu filho, Arthur, veio ao mundo, foram 10 horas de trabalho de parto, até finalmente ver o rostinho dele. Enquanto estava na sala de parto, ouvi uma discussão no corredor entre médicos e enfermeiras, havia uma mulher no quarto ao lado que estava com suspeita de ter contraído o vírus. Naquele instante o medo já tomou conta de mim, e se alguém que teve contato com ela acabar espalhando COVID pelo hospital inteiro? E se chegar até mim?
Após o parto, tive que ir para o centro cirúrgico por causa de uma complicação, e internada por alguns dias a mais, pois perdi muito sangue e fiquei anêmica. Quando fui para o quarto, era compartilhado com mais três mulheres, e a regra era a seguinte, dar alta em no máximo 48 horas após o parto, porque não queriam deixar as puérperas e os recém nascidos em um ambiente hospitalar em meio a pandemia.
Tinham algumas pacientes que recebiam alta com 24 horas, eu via mulheres entrando e indo embora para suas casas todos os dias, e eu permaneci lá por 8 dias. As visitas estavam reduzidas, só era permitido uma visita por dia durante 15 minutos, quando a visita entrava o acompanhante não podia ficar no quarto, para não aglomerar.
Quando finalmente recebi alta para me recuperar em casa, os médicos me recomendaram a não receber nenhuma visita. Apesar de entender que é necessário para o bem do bebê, eu e meu marido ficamos tristes, pois queríamos que muitas pessoas queridas, família, amigos e parentes conhecem o Arthur. Alguns ainda pediram para ir visitar, falaram que iam tomar todos os cuidados e ir de máscara, mas mesmo assim, tivemos que dizer não, e muitas vezes foi difícil negar a pessoas tão especiais para nós, porém, não queremos expor nosso filho a esse risco.
É uma doença muito nova. Há ainda estudos inconclusivos. Não existem evidências de que seja possível passar o vírus para o bebê durante a gravidez e nem durante a amamentação, entretanto, é importante que haja uma maior precaução esses casos. Alguns países como os Estados Unidos e Inglaterra iniciaram testes para uma vacina contra o novo coronavírus, e isso me dá muita esperança para que logo tudo volte ao normal, e meu filho tenha uma vida normal e não confinado dentro de casa em quarentena.

Divulgação- Testes rápidos da Covid-19 feitos em drive-thru na cidade do Gama.
Disciplina do curso de Jornalismo da Universidade Católica de Brasília (UCB). O material aqui publicado tem caráter unicamente experimental. Faz parte dos exercícios da disciplina Redação Digital.
Estudantes realizadores: ANDRESSA DO NASCIMENTO GONÇALVES, EUGENIA MARTINS ALVES DE ARAUJO COSTA, FERNANDA GABRIELLA MARQUES BUENO, GABRIELA FONSECA COSTA, HEDHUY TENÓRIO VIEIRA, ISABELLA OLIVEIRA DE CARVALHO, KESLEY PEREIRA DA SILVA, LAÍS SILVA QUEIROZ ROCHA, LARISSA THAIANE DE ABREU PEREIRA, LAYS CRISTINE GOMES DA SILVA, MARIA LUYNE SILVA ARAÚJO, MARIANA SILVA DA NÓBREGA, NATHÁLIA ESTELA VARGAS, OMARA MARIA SOARES DA SILVA, RIBAMAR MARTINS DA SILVA, TIAGO KIRIXI RAMOS GOMES MUNDURUKU, TUANNY APARECIDA DE CARVALHO DE OLIVEIRA.
Professor Responsável: Alexandre Kieling – Estagiária Docente: Rachel Porfírio





