O último dia de 2019 ficou marcado para a maioria das pessoas como mais uma virada de ano, de década, mas não para a comunidade científica. Esse 31 de dezembro marcou para sempre as lembranças das autoridades da cidade de Wuhan, na China, quando confirmaram o primeiro surto do novo coronavírus. O vírus, de fácil disseminação, logo foi cruzando fronteiras e continentes, até que em 11 de março deste ano, a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou pandemia. Aquele fim de ano também iniciou uma escalada de eventos que mudaram o rumo e o ritmo da economia global.

O setor de serviços, especialmente o comércio, sofreu bastante. A economia brasileira, que já enfrentava dificuldades internas e limitações no mercado internacional, rapidamente sentiu os efeitos do isolamento e a consequente redução de consumo. O último estudo da Price Water House Coopers (PwC), já indicava uma performance muito tímida do Brasil. Das 100 maiores empresas globais listadas na amostra, nenhuma companhia brasileira estava no ranking, enquanto os Estados Unidos (EUA) computavam 57 empresas listadas. A pandemia só agravou a situação.
Perdas e ganhos
A desidratação da economia deixou vulnerável o que já vinha de ciclos de instabilidade. No mundo todo a concentração de esforços foi reduzir perdas econômicas e especialmente sociais.
“Vivenciar toda a experiência de uso de máscaras, isolamento social e perdas de vidas provavelmente irá deixar grandes cicatrizes nos habitantes pelo mundo e quanto mais tempo durar, maior será o problema econômico e social na população”,
Gita Gopinath, economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI)
Países já estudam formas de reduzir o impacto em seu Produto Interno Bruto (PIB). Entre as medidas buscam incentivar o consumo online ou o turismo consciente, que implica em cuidar da cultura local e o ambiente visitado. O esforço é fazer rodar a economia, seguindo as medidas de segurança sanitária recomendadas pelas autoridades internacionais. Mas todos sabem que a caminhada de recuperação será longa.
“Provavelmente, a maioria das economias demorará de dois a três anos para voltar aos níveis de produção que tinham antes da epidemia”,
Consultoria britânica IHS Markit

No Brasil, os indicadores de desempenho indicam que, além do comércio, a indústria também foi atingida.
O Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) n° 38, produzido pela Instituição Fiscal Independente (IFI), aponta que a crise causada pelo novo coronavírus afeta o Brasil em quatro pontos principais:
1) um abalo da demanda exterior, principalmente causada pelo fechamento das economias de outros países que o Brasil tem ligação econômica forte, como China, Estados Unidos e Índia;
2) um abalo na economia interna, decorrente do fechamento da economia brasileira que afeta diretamente o consumo privado;
3) um abalo no preço do barril de petróleo, que prejudica o Brasil por ser um grande exportador do produto;
4) a grande alta do preço do dólar, que incapacita a economia diretamente e desvaloriza a moeda local.
A conta de prejuízos no setor atingiu bilhões. Cancelamento de voos, bloqueio de voos internacionais, a pouca demanda aérea local, além da alta do dólar colapsam as empresas. A Azul, por exemplo, registrou uma perda de R$ 6,1 bilhões no primeiro trimestre do ano, algo inédito na companhia.
Os setores de entretenimento e alimentício também foram prejudicados diretamente pela crise. Inúmeros shows, eventos e festivais tiveram suas realizações canceladas ou adiadas para datas indefinidas. O festival de música alternativa Lollapalooza, que acontece em diversas cidades pelo mundo, foi transferido para setembro de 2021. No último evento aqui no Brasil, o evento registrou um público de 246 mil pessoas no circuito de Interlagos, local onde acontecem as apresentações.

No cinema, vários lançamentos blockbusters tiveram que ser adiados com o fechamento das salas de exibição. A alternativa foi o lançamento direto para as plataformas online. As lives também se tornaram o refúgio de artistas que tiveram que cancelar suas agendas lotadas de shows pelo Brasil. Restaurantes tiveram que ser fechados de acordo com os decretos estaduais e recorreram aos deliverys para sobreviverem.
Todos se lançaram em busca de alternativa de renda.
Os efeitos da crise econômica foram imediatos nas famílias com baixa e baixíssima renda, que buscam trabalho no serviço direto ao consumidor. Segundo o estudo do Banco Mundial, o número de pessoas que vivem com renda abaixo de meio salário mínimo (R$ 522,50) por mês poderia aumentar entre 5,6 milhões e 9,2 milhões. Porém, algumas políticas públicas, como o Auxílio Emergencial e o aumento de famílias beneficiárias do Bolsa Família, ajudaram a atenuar o cenário e o número deve ser mais baixo.
Empresas de água e de energia também estão sendo fortemente afetadas. Grande parte do prejuízo advém da queda do consumo de eletricidade e água, visto que muitas lojas, comércios e indústrias tiveram suas vendas e produções paralisadas. Além disso, atrasos na produção também são outro fator que geram ainda mais problemas nas empresas. O transporte urbano sofre do mesmo transtorno, visto que o número de passageiros caiu entre 50% e 70% nas áreas metropolitanas do país.
Mesmo com tantos problemas e prejuízos, houve um setor que se beneficiou do isolamento social. As empresas de comércio e serviços online, com a população em casa e conectada, experimentaram uma grande alavancagem nos seus negócios. Quem já era muito grande ficou bem mais gigante. Amazon, Apple e Facebook foram algumas das que mais cresceram durante o período da pandemia.
A indústria de cosméticos, delivery, farmacêuticos e comércio digital também registraram recordes em suas vendas pelo mundo, mostrando que com a adequação correta é possível contornar os problemas.
A onda de serviços online neste ano não parou com as diversas plataformas de streaming. De acordo com a Cashback World, o Brasil apresentou um aumento nas compras online de 73% em março. As plataformas de e-commerce mais acessadas foram:
• Pets (209%)
• Saúde & Beleza (91%)
• Alimentos & Bebidas (28%)
• Eletrônicos (14%)
• Farmácias (10%)
Novos serviços e negócios surgiram nesse embalo. A publicitária Ohana Boechat, 22 anos, foi uma das pessoas a ter um novo empreendimento durante a pandemia. Apesar de sempre ter tido vontade de abrir seu próprio negócio, foi só quando as coisas apertaram que a empresária viu uma oportunidade de pôr em prática o seu sonho. A Meraki Comunicação, agência de comunicação, nasceu em 19 de junho, e vem tendo muitos clientes que também procuram impulsionar os negócios.
O consumidor na rede
Segundo dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm), entre 23 de março e 31 de maio, 107 mil novos estabelecimentos foram criados na internet para a venda dos mais diferentes produtos, como alimentos, bebidas, roupas, calçados e produtos de limpeza. Antes da quarentena, a média de abertura de lojas na internet era de 10 mil estabelecimentos por mês.
Mesmo com a grande quantidade de novos negócios, o número de desempregados cresceu significativamente. Os dados divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (Pnad Contínua) revelam que a taxa de desemprego subiu para 13,3% no segundo trimestre deste ano. Essa é a maior taxa desde o primeiro trimestre de 2017.
Com o corte da renda, muitas pessoas deixaram de comprar coisas novas e optaram por comprar coisas usadas. Esse tipo de compra é classificada como economia circular. Atualmente, segundo relatório da Ellen MacArthur Foundation, cerca de 82 bilhões de toneladas de matéria-prima são inseridas no sistema produtivo mundial a cada ano. Pensando no meio ambiente e no coletivo, diversas pessoas têm procurado novas formas de consumo, assim, muitos brasileiros têm buscado comprar roupas, sapatos, eletrônicos e carros usados.
Muitas Startups conseguiram se adequar ao momento e oferecer seus serviços para os clientes de maneira adequada e segura.
Roselene Fachini, 50 anos, tem um brechó há nove anos. Ela contou que antes do início da pandemia da Covid-19, ela e algumas amigas estavam vendendo os produtos usados em um clube. Com o início da quarentena, ficou mais difícil realizar as vendas. Agora, o principal meio de venda delas é um aplicativo de mensagens. Apesar de as atividades do clube terem voltado ao normal, Fachini não tem expectativas para o retorno.
“Não estamos confiantes em nos expor, e também devemos ter cuidado com o próximo. Por enquanto, estamos no WhatsApp e com clientes fiéis que já nos conheciam.”
Roselene Fachini.
O setor de cursos foi campeão neste quesito. A Samba Tech, empresa especialista em distribuição de videoaulas, registrou 90% de aumento no consumo de seus vídeos online no primeiro trimestre do ano.
A maior plataforma de ensino à distância da América Latina, a Hotmart, é conhecida por oferecer um espaço digital para afiliados que buscam criar, divulgar ou expor seus produtos online. A empresa soube buscar seu público durante a crise e hoje registra cada dia mais alunos para sua plataforma.
Cursos profissionalizantes por ensino à distância (EAD) tomaram novas formas durante a pandemia e atraíram diversas pessoas em busca de qualificação neste momento. É o caso da Via Certa Educação Profissional, rede que atuava anteriormente a crise com o EAD e viu seus números dispararem durante a pandemia.

Décio Marchi, diretor executivo da empresa, explica que ainda há muito preconceito aos cursos online, mas que o EAD será tendência durante e depois da crise causada pelo novo coronavírus.
“As pessoas já estão desmistificando aquela teoria que se tinha de que estudar à distância é sinônimo de falta de qualidade. Pelo contrário. Quando começamos a atuar dessa maneira, com o início da pandemia, nossos alunos perceberam que também era possível ter o mesmo em casa, como se fosse uma aula presencial”,
Décio Marchi.
Artesanato
A área de artesanato foi outra que buscou se adequar aos seus consumidores. Antes voltada para atender um público pequeno, o artesanato foi essencial no combate ao vírus. Bilhões de máscaras de tecido foram confeccionadas para atender clientes exigentes que buscavam se prevenir da Covid-19. No início, a busca foi por produtos simples e que chamassem a menor atenção possível. Porém, com o tempo, a população adotou as máscaras como item de moda, sendo produzidas com estampas, formatos e cores diferentes.
E a confecção de máscaras se transformou em alternativa para inúmeras pessoas conseguirem pagar as contas do mês. É o caso da aposentada Ivanice Meireles, de 76 anos, que encontrou no artesanato a maneira de ajudar no sustento da casa.

“Fazer máscaras foi a alternativa que eu encontrei para manter minha renda. No começo, eu pesquisei na internet os modelos e comecei a fazer máscaras para o pessoal aqui de casa, mas depois veio a ideia de fazer para vender. Procurei vender em locais que não poderiam entrar sem máscaras, então as pessoas sempre iam atrás dos meus produtos”,
Ivanice Meireles.
Outro ramo que se destacou foi o de entregas por aplicativo, que teve que aumentar seus entregadores para suportar a grande demanda de pedidos. Comidas, roupas, eletrônicos e farmacêuticos são alguns exemplos de produtos que são pedidos pelos aplicativos e levados até as casas dos consumidores.
Uma das pessoas que encontrou alternativa nos aplicativos de entrega foi Fábio Oliveira, de 23 anos, que ao se deparar com a paralisação das aulas na Universidade Católica de Brasília decidiu realizar entregas para complementar a renda de casa.
“Queria ajudar minha mãe, que ficou desempregada na pandemia, então peguei uma moto emprestada com um tio e comecei no aplicativo. O trabalho rende, mas me sinto muito desvalorizado, além de ser muito perigoso”,
Fábio Oliveira.
Vale destacar que os entregadores reivindicam melhores condições de trabalho e pagamento para a categoria. No dia 1° de julho, trabalhadores da área se organizaram para protestar contra os aplicativos, com o argumento de serem desvalorizados, estarem sendo expostos a uma situação perigosa e que não recebem conforme o trabalho exercido.
Desemprego
Diante dos diversos obstáculos que o novo coronavírus acarretou na vida da população mundial, o desemprego continua sendo uma das maiores dificuldades para boa parte dos trabalhadores brasileiros. Comércios fechados, ruas vazias, escassez de vendas e diminuição dos lucros foi o que levou, no início da pandemia, em março de 2020, ao declínio da economia e redução na oferta de empregos no país, .
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD COVID-19), no Brasil, 13,5% das empresas reduziram o número de seus funcionários em julho, enquanto 6,2% da população foi afastada devido ao distanciamento social. Portanto, 5,8 milhões de pessoas foram afastadas de seus trabalhos e 8,3 milhões passaram a trabalhar remotamente. Escolas, universidades, instituições, empresas privadas, públicas e diversos outros segmentos ativos tiveram que se adaptar às reuniões online, para manter o desempenho e o planejamento do ano.
Porém, nem todos conseguiram conservar sua capacidade financeira. Segundo a PNAD, 3,2 milhões de pessoas afastadas dos empregos deixaram de receber remuneração. Dos que se mantiveram remunerados, 24,1 milhões de pessoas sofreram redução de salário. Para a pesquisa, apenas 44,1% da população recebeu o auxílio emergencial. Muitos não foram aprovados e não possuem uma fonte alternativa de renda.
Ainda em maio deste ano, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) relatou que em 49% das empresas o afastamento de seus funcionários ocorreu devido aos sintomas do coronavírus. A preocupação pela população de grupo de risco foi um pouco maior: 65% da indústria optou pelo distanciamento para preservar a saúde de seus funcionários. Porém, no Brasil, 8% teve contrato suspenso temporariamente e 15% teve suspensão definitiva. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no segundo trimestre de 2020 a maior parte de pessoas desocupadas no país tem idade entre 25 e 39 anos.
Já no Distrito Federal, o mês de junho registrou 327 mil pessoas desempregadas, de acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego, realizada pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (CODEPLAN) e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). De junho de 2019 a junho de 2020, o número de desocupados aumentou em 8 mil pessoas, diminuindo a empregabilidade em 3,1%. Apesar dessa baixa, a taxa de desemprego ficou relativamente estável, ao passar de 21,3% para 21,6%, entre maio e junho deste ano. Veja mais dados no vídeo a seguir:
De acordo com a pesquisa feita para a disciplina de Redação Digital, de 66 pessoas entrevistadas, 19 afirmam que perderam o emprego devido a pandemia do novo coronavírus. Do total, 85,4% afirmaram que conhecem alguém que ficou desempregado no período de isolamento social. Para os que não foram suspensos, 62,2% continuaram o trabalho de forma remota e 30,2% sofreram redução de salário. De 37 respostas, 24 afirmam que a falta de emprego acarretou em problemas financeiros. Dos que solicitaram o auxílio emergencial, mais da metade não foi aprovado e 57,1% relatam que não possuem fonte de renda alternativa.
Anderson Morais trabalhava na área de administração e como fotógrafo da casa de festas noturnas “Victoria Haus”. Devido a pandemia, foi demitido, assim como outros funcionários do local, por falta de receita no estabelecimento. Com o isolamento social, o entretenimento foi uma das áreas mais afetadas por conta da proibição de aglomerações.
“Muitos DJs, drags, fotógrafos… está um caos. Muita gente realmente precisa trabalhar para se sustentar”,
Anderson Morais
Anderson ainda solicitou o auxílio emergencial do governo, mas não foi aprovado. O recurso ajudaria, mas como ele mesmo lembra, o valor de 600 reais não seria suficiente para a estabilidade financeira das famílias, “pois só o valor de um aluguel é quase isso”. Diante do infortúnio, conseguiu se reinventar e usar sua profissão como renda extra para se sustentar durante a crise.
“Estou recebendo o seguro desemprego e estou me virando com um projeto de fotografia em Preto e Branco, como ensaios sensuais. É o que tem me ajudado também”,
Anderson Morais.
Retomada das atividades
Depois de um longo período fechado devido a pandemia do novo coronavírus, o comércio da capital voltou às atividades. Seguindo o plano de reabertura definido pelo Governo do Distrito Federal (GDF), os salões de beleza, barbearias e academias estão funcionando desde o dia 7 de julho. Já os bares e restaurantes retornaram na semana seguinte. Igrejas, parques, shoppings e centros comerciais abriram nos meses anteriores.
Para que isso ocorresse, foi necessário estabelecer novas regras para o funcionamento de cada serviço e adequar os estabelecimentos à nova realidade. No caso dos salões e das barbearias, algumas das obrigações são: higienização regular das cadeiras, distância de dois metros entre os clientes e a esterilização de todos os equipamentos após cada atendimento. Além disso, é recomendável manter o ambiente ventilado.
De acordo com a proprietária de um salão de beleza no Distrito Federal (DF), Bruna Casteliano, a loja precisou reduzir o número de funcionários criando uma escala de trabalho e ajustar o espaço conforme as exigências do governo. Mesmo com a queda no faturamento do setor , ela optou por reabrir o estabelecimento para não fechar as portas e demitir os empregados.
“Nós nos adaptamos a todas as mudanças que foram exigidas pelo governo e decidimos que é melhor continuar trabalhando do que fechar. Diminuímos pela metade o quadro de colaboradoras e elas continuam recebendo. O foco principal neste momento é manter as pessoas trabalhando com toda segurança para evitar o aumento do índice de desemprego e a propagação do vírus”,
Bruna Castelian
Em relação às academias, as regras incluem a limpeza dos equipamentos de uso comum regularmente, a delimitação do espaço para a prática dos exercícios, mantendo a distância entre as pessoas, e o fechamento do local ao menos uma vez ao dia por 30 minutos para higienização geral. Ainda, ficaram proibidas as aulas coletivas e o uso de bebedouros e chuveiros.
Para os estabelecimentos comerciais, as obrigações de saúde geral são mantidas e determinam também a garantia do espaçamento entre os clientes, a utilização de máscaras de proteção por todos, o revezamento dos trabalhadores, a proibição de pessoas do grupo de risco no trabalho, a disponibilização de álcool em gel e aferição de temperatura dos clientes e funcionários.

No caso dos bares e restaurantes, a higienização das mesas, cadeiras e cardápios constantemente está entre as exigências. Além disso, é necessário manter a disposição das mesas distantes com o limite de seis pessoas em cada e a disponibilização de talheres em embalagens individuais. Os locais devem funcionar com metade da capacidade e com restrição ao serviço de autoatendimento ou self-service.
Dono de uma hamburgueria na Arniqueiras, região administrativa do DF, Maurício Nunes encontrou dificuldades para manter o negócio com a chegada da pandemia do novo coronavírus. Ele precisou adaptar o local e os funcionários para enfrentar a situação. Segundo ele, mesmo depois da reabertura, o movimento ainda está fraco, e o motivo para isso pode ser o medo da população em sair de casa.
“Nas primeiras semanas, perdemos insumos, não conseguimos estruturar tele-entrega tão rapidamente e foi preciso gastar as economias para pagar os funcionários. Depois da reabertura, o movimento ainda não está normal: a população ainda tem receio, evita ambientes de contato, e, mesmo adotando todas as medidas sanitárias, ainda não conseguimos restabelecer o movimento de antes”,
Maurício Nunes
Receio dos clientes
A retomada do comércio em meio a pandemia divide opiniões. Para alguns, o GDF está certo em reabrir os estabelecimentos para permitir o giro da economia e uma diminuição no desemprego. Enquanto, para outros, não era o momento ideal, por medo de pegar a Covid-19, com tantas pessoas circulando nas ruas, aumenta frente à tudo funcionando, mesmo que existam novas regras de segurança.

De acordo com Abelardo Junior, morador da capital, o comércio ficou muito tempo fechado e causou prejuízos para muitas pessoas. “É preciso retomar as atividades para não criar um problema maior, mas, para isso, as medidas de segurança devem ser priorizadas pelos comerciantes e pela população geral”, enfatiza ele.
Em contrapartida, para Rodrigo Manzan, residente em uma região administrativa do DF, não precisava abrir o comércio todo e tão rapidamente como ocorreu, já que a cidade ainda está no pico do número de infecções. “Acredito que não era o momento de retornar, mesmo sabendo das consequências. Brasília ainda enfrenta uma alta no número de casos. Não me sinto seguro e confortável para sair e frequentar ambientes públicos”, ressalta ele.
Planejamento de reabertura
O governo de cada estado ficou responsável pelo controle da retomada de atividades. Para isso, a maioria estabeleceu planos de reabertura seguindo um planejamento conforme a ocupação de leitos nos hospitais. Locais que estavam na fase 1, por exemplo, apresentavam uma ocupação de leitos acima de 80% e a necessidade de distanciamento social completo.
Enquanto na fase 2, a ocupação de leitos deve estar abaixo de 80% e permitindo o distanciamento social seletivo. Nesta etapa, estão liberadas atividades como cultos religiosos e shoppings (sem a liberação de praças de alimentação), concessionárias, academias, salões de belezas e lojas de roupas, informática, eletrodomésticos e sapatos, entre outros.
Por fim, existem as fase 3 e 4. A primeira tem ocupação baixa e cenário epidemiológico melhor e abertura comercial seletiva, permitindo o funcionamento de todo o comércio, à exceção de casas de shows, boates, bares e restaurantes e eventos com mais de dez pessoas. A segunda permite que tudo esteja autorizado para funcionamento e prevenção contínua.
Trabalho realizado pela turma 2020 2 de Redação Digital do Curso de Jornalismo da Universidade Católica de Brasília. Supervisão do professor Alexandre Kieling.
Estudantes:
AMANDA CARNEIRO FREITAS
BRENDA DOS SANTOS PEIXOTO
GABRYEL JACKSON SACRAMENTO LINHARES
JULIA ELEUTÉRIO MARTINS
LUIZ FERNANDO FERNANDES
MARIANA ALBERNAZ MUNDIM TAVARES
MARIANA SOUSA DE ARAUJO
NICOLY SILVA DE SOUSA
YASMIN IBRAHIM DE FARIA




