O passado brasileiro e seu compromisso com a democracia
Ao olharmos para seu passado, encontramos uma figura que se destacou não apenas por sua música, mas também por seu posicionamento político e sua coragem em enfrentar a ditadura militar brasileira.
Durante os anos sombrios da ditadura, a voz de Rita Lee ecoou como um grito de liberdade e resistência. Suas canções se tornaram hinos para uma geração que ansiava por mudança e por um Brasil mais justo. Letras provocativas e melodias envolventes foram sua arma para contestar o regime autoritário que governava o país naquela época.
Rita Lee não teve medo de enfrentar a censura e a perseguição que assolavam a indústria musical. Ela se recusou a se calar e continuou a compor e se apresentar, mesmo diante das ameaças constantes. Suas músicas se tornaram um símbolo de resistência.
Além de sua música, Rita Lee também participou ativamente de protestos e movimentos sociais que buscavam a restauração da democracia no Brasil. Ela juntou-se a outros artistas e ativistas para exigir a volta dos direitos civis e políticos que haviam sido negados pelo regime ditatorial. Sua coragem em se posicionar abertamente contra o governo militar tornou-se um ícone da luta pela liberdade de expressão.
Após a ditadura militar, Rita Lee permaneceu fiel a seus princípios e continuou a usar sua voz para defender causas sociais e políticas. Um exemplo notável foi seu envolvimento com o movimento conhecido como Democracia Corintiana.
Esse movimento foi uma verdadeira revolução dentro do futebol brasileiro, pois buscou a participação democrática dos jogadores na tomada de decisões dentro do clube Corinthians.
Rita Lee, junto com outros artistas engajados, apoiou a Democracia Corintiana, que foi um símbolo de resistência e igualdade em uma época em que o Brasil ainda se recuperava das cicatrizes da ditadura. Esse movimento uniu jogadores, torcedores e artistas em uma luta por justiça social e democracia, dentro e fora dos gramados.
A relação de Rita Lee com a democracia não se limitou ao ativismo político. Sua música sempre foi permeada por uma postura crítica em relação à sociedade e às injustiças que a permeiam. Ela usou sua voz para levantar questões importantes, promover a igualdade de gênero e denunciar a opressão de minorias.
Rita Lee é um exemplo inspirador de uma artista que transcendeu as barreiras da música para se tornar uma voz ativa na defesa da liberdade e da justiça social. Seu legado é uma lembrança poderosa de que a música e a arte têm o poder de catalisar mudanças sociais e políticas. Sua coragem em desafiar a ditadura militar e seu compromisso com a democracia deixaram uma marca na história do Brasil e na memória daqueles que lutam pela liberdade em todas as suas formas. seu compromisso com a democracia deixaram uma marca indelével na história do Brasil e na memória daqueles que lutam pela liberdade em todas as suas formas.
Viagem entre planos, drogas e espiritualidade:
Entre as notas musicais e as viagens psicodélicas, a vida de Rita Lee foi como uma canção repleta de nuances e contrastes. Sua trajetória artística e sua relação com as drogas se entrelaçaram, e a música “Lança Perfume” é um exemplo disso.
“Lança Perfume” é uma canção que nos leva a uma jornada sensorial, onde as notas musicais se misturam com as fragrâncias dos tempos áureos da contracultura. É uma ode à liberdade de experimentar, uma fusão de cores e texturas que ecoam em nossa mente e despertam os sentidos mais profundos.
As letras de Rita Lee têm o poder de nos transportar para um estado de êxtase, como se estivéssemos flutuando em uma névoa de pura euforia. Elas são como um convite para desbravar novos horizontes, mergulhar em um mundo desconhecido e encontrar beleza nas experiências que desafiam as convenções.
O produtor musical e empresário brasileiro, João Marcello Bôscoli; filho da cantora Elis Regina e do compositor Ronaldo Bôscoli, em conversa exclusiva, relata algumas passagem da artista. Bôscoli, atualmente, apresenta diariamente o programa *Sala de Música* na rádio CBN, é uma das referências na memória, na história da música brasileira.

João Marcello Bôscoli instagram.com/jmboscoli
Na entrevista, João aborda temas da carreira musical de Rita Lee e momentos marcantes que viveram juntos. Segundo o produtor musical, atrelar as drogas e o sexo em suas músicas é um mito.
“O que aflorou nas poesias da Rita mais erótica como no trecho: meu bem, você me dá água na boca, é um bolero. A contribuição monumental é colocar a mulher na primeira pessoa e falar de prazer […] em culpa e com muito talento”.
João Marcello Bôscoli, produtor musical
Mas por trás dessa aparente celebração das drogas, há uma mensagem mais profunda. Rita Lee sempre foi uma artista que se preocupou em questionar os costumes, desafiando a moralidade imposta pela sociedade. Suas letras, incluindo as de “Lança Perfume”, são reflexões sobre a liberdade pessoal, a busca por prazeres intensos e a quebra de tabus.
No entanto, é importante destacar que a relação de Rita Lee com as drogas não se limitou apenas às suas músicas. Ela viveu de forma intensa e enfrentou seus próprios demônios, lutando contra o vício e as consequências que ele trazia. Em sua caminhada, Rita encontrou desafios e momentos difíceis, mas também descobriu força para se reinventar e encontrar equilíbrio.
A história de Rita Lee é um lembrete de que a criatividade e a busca pela liberdade nem sempre caminham em linha reta. As drogas podem ter sido uma fonte de inspiração e experimentação para a artista, mas também trouxeram suas dores e dificuldades. No entanto, sua música e sua coragem em enfrentar seus próprios demônios deixaram um legado marcante na cultura brasileira.
Tropicália e Brasilidade
Rita Lee, uma estrela incandescente no espaço da música brasileira! Sua passagem pela Tropicália foi como uma colisão cósmica que lançou faíscas de genialidade e ousadia por todo o universo sonoro.
Imagine-se em um turbilhão de cores psicodélicas, onde a imaginação floresce e a liberdade é a palavra de ordem. É nesse cenário que Rita Lee desabrochou como uma flor alucinógena, trazendo seu talento e rebeldia para os palcos e estúdios.
Naqueles tempos de efervescência criativa, Rita se uniu a grandes mentes artísticas como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé. Juntos, eles construíram a trilha sonora de uma revolução cultural, desafiando as normas e abrindo espaço para novas experimentações.
Em meio aos ruídos de guitarras distorcidas e batidas frenéticas, Rita Lee ecoava sua voz poderosa, lançando pérolas musicais que ecoam até os dias de hoje. “Ovelha Negra” foi um grito de liberdade e autoafirmação, enquanto “Ando Meio Desligado” soava como uma viagem cósmica através dos sentidos.
Mas não se engane, a Tropicália não se limitava apenas à música. Era uma explosão cultural que desafiava convenções em todos os aspectos. Rita Lee mergulhou de cabeça nessa efervescência, explorando diferentes expressões artísticas.
Ela mergulhava nas poesias de Hilda Hilst, revirava as páginas de livros proibidos e desafiava a censura com sua irreverência. Através de suas letras, Rita transbordava críticas sociais, questionando as estruturas opressivas da época e enaltecendo a liberdade individual.
Suas músicas marcaram gerações. “Definidora do tempo” é como João Marcello define Rita Lee.
“Ela ajudou a definir os momentos históricos […] A figura dela é muito interessante, a imagem dela, seu jeito de falar, maneira de se vestir”.
João Marcello Bôscoli, produtor musical
No entanto, a Tropicália não foi apenas um mar de rosas para Rita Lee. Ela enfrentou a fúria dos conservadores e a incompreensão dos tradicionalistas. Suas apresentações eram repletas de provocações e escândalos, como quando rasgou um cartaz de “proibido fumar” durante um show.
A energia transgressora da Tropicália impregnou-se na alma de Rita Lee, moldando sua carreira e personalidade. Ela se tornou uma artista que desafiou expectativas, navegando por diferentes estilos musicais ao longo dos anos, sempre fiel à sua essência rebelde.
Melodias alucinantes
Rita Lee é uma figura que nos lembra que a arte muitas vezes floresce em meio aos momentos mais turbulentos. Suas letras e melodias continuam a nos transportar para universos paralelos, onde podemos explorar os limites da imaginação e desafiar as convenções sociais. Ela nos ensina que é possível transformar nossas vivências, sejam elas desafiadoras ou inspiradoras, em obras de arte que ecoam pela eternidade.
“Um dos momentos que estivemos juntos foi no ginásio do Ibirapuera, lotado de gente, com uma super produção, grandes telas, balões, uma passarela, tudo muito grande. E a Rita foi um sucesso estrondoso, era apenas ela […] Ela era única, ela sempre esteve além do tempo”.
João Marcello Bôscoli, produtor musical
Compositora e musicista brasileira que ganhou destaque como vocalista da banda Os Mutantes na década de 1960. Mais tarde, ela embarcou em uma carreira solo de sucesso, misturando rock, pop e influências da música brasileira para criar seu som único. Ao longo de sua carreira, Rita Lee lançou inúmeros sucessos e álbuns, tornando-se uma das figuras mais influentes do rock brasileiro.
Outra biografia
Rita Lee: Outra Autobiografia – O Podcast é um episódio disponível no Spotify e no Globo Play, que traz uma discussão sobre a autobiografia da lenda do rock brasileiro Rita Lee. O podcast explora vários aspectos da vida e carreira de Rita Lee, fornecendo informações sobre suas experiências e contribuições para a indústria da música.
Em sua autobiografia, intitulada “Rita Lee: Outra Autobiografia”, ela mergulha em sua jornada pessoal, oferecendo detalhes íntimos sobre sua infância, influências musicais, processo criativo e altos e baixos da vida dela. O episódio do podcast discute os principais momentos e temas do livro, proporcionando aos ouvintes uma compreensão mais profunda da vida e da visão artística de Rita, além de contar com a exclusiva participação de Roberto de Carvalho, onde ele conta cada detalhe do casamento e convívio com a artista. É um podcast onde podemos além de conhecer ela, nos emocionamos juntos com Roberto, onde várias vezes chora de saudades de sua esposa assim como nós, brasileiros, que sentimos também falta dessa grande estrela do Rock. É bastante discutido também, sobre a pandemia e com ela a aproximação do casamento entre os dois onde Roberto diz que “foi um tempo delicioso, nunca tinha ficado tanto tempo ao lado dela.” e enfrentando o câncer junto com sua cônjuge.
Primeira Consulesa Cultural do Internacional: o clube do povo abraçou e lamenta a perda de sua primeira musa, a rainha do rock
Os cônsules culturais tem como objetivo homenagear o sócio(A) colorado(as) com destaques na cultura de um modo geral. Os requisitos básicos para se tornar cônsul cultural são:
1) Ser músico, cantor(a), ator/atriz, poeta, apresentador de rádio e/ou televisão, produtor e/ou compositor musical ou de teatro e tudo que se relacione com a cultura de um modo geral e que tenha destaque na mídia na sua área de atuação.
2) Não estar envolvido com nenhum cargo no Inter nem ser participante de grupos políticos do Clube.
3) Não ser conselheiro do Clube.
4) Não ter como atividade principal a crônica esportiva do Rio Grande do Sul.
5) Não ocupar nenhum cargo político (eleito) no país.
Missão:
Levar o nome do Sport Club Internacional, com zelo e dedicação, para todos os locais onde sua arte se fizer presente.
Como ser nomeado cônsul cultural colorado:
Deve ser aprovado pela diretoria do Clube. Após a indicação, a Vice-presidência de relacionamento social averigua se o candidato preenche os requisitos. Em uma solenidade de nomeação, o clube fornecerá uma carteira de cônsul cultural, apenas representativa e sem direito a ingresso nos jogos, e um certificado de cônsul cultural colorado. O nome do cônsul será publicado no site oficial do clube.
Mas a relação de Rita com o time sulista era além de uma homenagem, já que a artista era corinthiana. Ritinha, para os íntimos, foi a primeira mulher a se tornar cônsules do Colorado. Durante seus shows em Porto Alegre, a musa do rock fazia questão de ressaltar que as cores do time combinavam com o vermelho de seus cabelos. Em uma entrevista dada ao ge em 2008, Rita expressou sua emoção de representar o Internacional, e na mesma época, o ídolo colorado Fernandão, que morreu em 2014, estava deixando o clube.
“Ser uma consulesa colorada me deixa para lá de emocionada. Naquele mesmo sábado, soube que Fernandão havia saído do clube e eu estava jururu. Mas depois, conversando com o pessoal do Inter, fizemos uma macumbinha para que tudo continuasse na paz e até ganhamos do Botafogo”, disse durante a entrevista.
Ao receber a notícia do falecimento de Rita Lee, o clube prestou homenagens em suas redes sociais.
“O Clube do Povo perde também a primeira artista mulher nomeada consulesa cultural do Inter. Vai em paz, Rainha. Você estará para sempre em nossos corações”, escreveu o clube.
Antes da partida contra o Athletico-PR, o time colorado prestou mais homenagens a sua primeira consulesa, com aplausos que ecoaram pelo Beira- Rio durante um minuto, o clube ainda citou em seu twitter a seguinte frase: “ Seu legado é eterno, Rita! ❤️ ♾️”

A cantora Rita Lee morreu na noite de uma segunda-feira, 8 de maio de 2023, aos 75 anos de idade. Ela foi diagnosticada com câncer de pulmão em 2021 e desde então tratava a doença. Foi sinalizada que tinha o problema com um tumor primário no pulmão esquerdo.
Por este motivo, foi preciso fazer um tratamento na cantora contra a doença. Infelizmente, Rita não resistiu, deixando um legado e inúmeros fãs no Brasil e no mundo inteiro.
Produção: Emanuela Feitosa
Felipe Araújo
Isabella Soares
Lucas Dias
Maria Gabriela Siqueira
