Relatos da cobertura do novo coronavírus

A crise mundial provocada pela dissipação do novo coronavírus, ou Covid 19, como ficou classificado, junto com os esforços planetários para conter ou suavizar os impactos da pandemia trouxe o isolamento social que induziu uma brusca redução na mobilidade e na socialização da população em geral.

Foto do Jornal la Tercera, imagem sobre teste de sangue no controle do Covid-19

A cobertura Jornalística na Pandemia 

A rotina dos jornalistas mudou e o jornalismo profissional ganha força. 

O jornalismo na sua essência é uma representação discursiva da vida humana, sendo assim, o jornalismo tem sua origem mais remota aos tempos imemoriais em que os seres humanos começaram a transmitir informações, novidades e contar histórias. 

A cobertura jornalística é uma invenção da Modernidade, ligado à aparição da tipografia que incentivou a periodicidade da imprensa pois o costume de troca de notícias é um fenômeno sócio-cultural. Nascido no século XIX, a cobertura jornalística que deu origem ao jornalismo que conhecemos hoje surgiu com a massificação dos jornais, dispositivos auxiliares que facilitaram a transmissão da informação a distância como o telégrafo. 

E obtenção mecânica de imagens – as máquinas fotográficas, também tiveram imenso impacto. Sendo assim, a necessidade de notícias permitiu a aparição das agências noticiosas internacionais, que tornaram o jornalismo ser como conhecemos.

Campanha dos jornais impressos valorizando a informação profissional como forma de enfrentamento da pandemia

Durante anos, o jornalismo e a cobertura jornalística passaram por diversos estilos e formas de ser feito. No século XX, o jornalismo enfrentou os grandes momentos da humanidade como a aceleração do desenvolvimento e progresso da sociedade, a ascensão e queda dos regimes totalitários, as duas Grandes Guerras e o terrorismo, a multipolaridade entre as nações e o agravamentos dos problemas ambientais. Tudo isso impactou na forma que o jornalismo no século XXI seria feito, pois o surgimento da internet impactou diretamente nessa profissão. Os jornais impressos se adaptaram a chegada da fotografia, da rádio, da televisão e também estão se adaptando a internet. Os grandes veículos tem a versão web e também apareceram veículos exclusivos da web, além disso, o mais recente é o jornalismo feito nas redes sociais. Observando todas essas mudanças devido aos fatos históricos, o momento atual em que o mundo enfrenta a pandemia da COVID-19 (Coronavírus) o jornalismo profissional ganha mais audiência e espaço, renovando-se na cobertura de uma Pandemia. 

Pesquisa do Jornal Folha de São Paulo por meio do Instituto Data Folha da mesma empresa sobre credibilidade da população quantos aos meios de difusão de informações.

 Pandemia da Covid-19

O Coronavírus é uma grande família viral que causam infecções respiratórias em humanos e animais, o sintoma comum geralmente se assemelha a um resfriado comum, o COVID-19 ou como é popularmente conhecido o novo coronavírus é uma mutação do vírus que causa febre, tosse, dificuldade para respirar e falta de ar, o vírus é transmitido de pessoa para pessoa e pode ser fatal em casos em que as pessoas possuam doenças respiratórias, diabetes hipertensão, insuficiência renal, cardíaca, fumantes e idosos. O coronavírus foi classificado como pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 11 de fevereiro após ser detectado em todos os continentes, com isso, empresas e instituições começaram a tomar medidas de prevenção para diminuir a disseminação do vírus, como o isolamento social em diversos estados do Brasil, onde muitas empresas adotaram o modelo de Home Office para trabalho. 

Reuters- Aeroporto em Frankfurt, durante a pandemia do coronavírus

Números da Pandemia 

O Brasil é o país latino-americano que registra mais infecções por coronavírus, até o momento (12/4), são 20.964 casos confirmado, uma incidência de 99,2 casos a cada um milhão de pessoas. O país já registrou 1.141 mortes até a presente data, nenhum caso de pessoas recuperadas. Ainda na América latina, o Equador possui 7.257 casos confirmados, uma incidência de 415,71 casos a cada um milhão de pessoas, recuperações  411 e 315 mortes. Na Argentina 2.142 pessoas foram confirmadas com o vírus, 440 recuperadas e 89 mortes. A Europa é o Continente mais afetado pela pandemia do Coronavírus. A Itália possui 152.271 casos, 32.534 recuperações e 19.468 mortes. Na Espanha 166.019 foram diagnosticadas, 62.391 recuperadas e 16.972 mortes. Na França 93.790 casos, 26.391 recuperações e 13.832 mortes. No Reino Unido 78.991 casos, nenhuma incidência de recuperação e  9.875 mortos. Esses quatro países lideram o ranking de casos na Europa. A Alemanha possui 125.452 casos confirmados, dos quais 51.853 obtiveram recuperação e 2.871 mortes. Em Portugal 15.987 pessoas infectadas, 266 recuperadas e 470 mortes.Os Estados Unidos possui o maior recorde de mortes em um dia até agora, 1.920 mortes em 24 horas contabilizando 20.601 mortes no país e 533.378 casos confirmados. No Canadá, 23.318 pessoas foram confirmadas com o novo Coronavírus, 6.458 recuperadas e 653 mortes. (dados apurados até o dia 12/04)

Jordi Riera BBC- Paciente na UTI, utilizando aparelhos de ventilação em Barcelona.

Países sem registros do Coronavírus

Segundo um levantamento realizado pela revista Superinteressante, com base nos dados coletados pela Universidade Johns Hopkins, 15 nações não registraram casos do novo coronavírus (Covid-19) até 10 de abril. São eles Samoa, Lesoto, Coreia do Norte, Turcomenistão, Tajiquistão, Nauru, Tuvalu, Palau, Micronésia, Tonga, Vanuatu, Comores, Kiribati, Ilhas Marshall e Ilhas Salomão. Alguns outros territórios (que não são considerados países) como Antártida e Ilhas Christmas também ainda não tiveram registro de casos.

Mundo

Até o momento, em todo o mundo, já foram contabilizados 1.807.939 contaminados, 109.823 mortes e 416.620 curados do novo coronavírus. 

BBC Bruna Prado- Checagem de passageiros de voos internacionais no aeroporto do Rio de Janeiro.

Como o jornalismo se comporta na pandemia? 

Serviços considerados essenciais para a vida não puderam parar como mercados, farmácias, padarias, açougues, hospitais e clínicas, mas como fica o jornalismo nesses serviços?

O modelo de cobertura jornalística precisou mudar, o cuidado e higiene redobradas passa a ser obrigação, revezamento de pessoas dentro das redações, o distanciamento entre entrevistador e entrevistado passou a ser primordial e o uso de dois microfones também, assim como a limpeza dos equipamentos, jornalistas com mais de 60 anos são orientados a ficar em casa.

As adaptações nas rotinas dos jornalistas

Medidas de segurança contra o vírus 

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) emitiu um alerta de segurança para que os jornalistas possam seguir e se proteger do COVID-19 como:

  • Usar luvas de proteção se estiver em locais infectados;
  • Nunca coloque o equipamento no chão;
  • sempre lave bem as mãos com água quente e sabão antes, durante e depois de sair;
  • Evite encostar a mão no rosto, nariz, boca e ouvidos;
  • evite aperto de mãos, abraços e beijos;
  • Limpe bem seus óculos com água e sabão, bem como jóias;
  • Entrevistas a distância 
Cuidado dos profissionais
Existem muitas recomendações a serem tomadas durante as reportagens, portanto, cada emissora tem orientado seus repórteres e equipes quais medidas de prevenção se adequar, qual a distância recomendada para informações, além de até mesmo jornais ao vivo começarem a se adequar ao home office, e jornalistas fazerem a transmissão de seus jornais de casa como tem acontecido na CNN Brasil.

Cuidado dos profissionais II

Assim como em toda a população brasileira, o jornalismo também tem que se adequar aos decretos de isolamento, distância e prevenção.
Em muitos jornais impressos estão fazendo escalas para que as redações não fiquem muito cheias e vários jornalistas estão em suas casas fazendo home office. Os jornalistas maiores de 60 anos ou que se encaixam no grupo de risco estão sendo enviados para casa, isso está valendo para todos os estilos jornalísticos como TV, rádio, web, impresso. Na televisão também além das entrevistas, vários comentaristas estão fazendo os links ao vivo de casa. Nas rádios, os locutores estão trabalhando de casa, fazendo da sala ou quarto de estúdio.Em muitos jornais impressos estão fazendo escalas para que as redações não fiquem muito cheias e vários jornalistas estão em suas casas fazendo home office. Os jornalistas maiores de 60 anos ou que se encaixam no grupo de risco estão sendo enviados para casa, isso está valendo para todos os estilos jornalísticos como TV, rádio, web, impresso. Na televisão também além das entrevistas, vários comentaristas estão fazendo os links ao vivo de casa. Nas rádios, os locutores estão trabalhando de casa, fazendo da sala ou quarto de estúdio. 

Editores comandam equipes de casa

FAKE NEWS e a cobertura jornalística 

As notícias falsas geram desinformação e dificultam a divulgação de informações e orientações pelas autoridades à população. Notícias bombásticas, prometendo remédios ou soluções milagrosas circulam com facilidade no ambiente online e principalmente em aplicativos como Whatsapp e nas redes sociais como Facebook. E para ajudar, o aplicativo implementou uma medida para conter as mensagens, não é possível encaminhar mensagens para mais de uma pessoa.

Mesmo com a cobertura jornalística sendo eficaz e algumas emissoras têm dobrando o tempo da programação para aumentar o tempo de jornalismo sobre a COVID-19, o Whatsapp é um dos principais meios de difusão de notícias falsas, segundo o Relatório de Notícias Digitais do Instituto Reuters, a rede social tem mais de 130 milhões de usuários brasileiros. Muitos áudios adaptados supostamente relacionados a autoridades de saúde são divulgados em massa nesse veículo. 

Em um momento sensível, a saúde pública e a economia estão em evidência e é fundamental que a que a sociedade mantenha a imprensa fortalecida pois é uma das únicas barreiras que impedem a desinformação e o agravamento da crise. Para isso, alguns veículos que dentro da programação encaixam quadros para desmentir as notícias falsas e alertar a população. 

EL CLARÍN – Missa de Páscoa celebrada na Basílica de São Pedro no Vaticano, sem nenhum fiel por conta da propagação do vírus.

Transparência 

O diretor executivo da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, afirmou na última sexta-feira (11) que “os países terão que manter sistemas de monitoramento constante do coronavírus, porque podem vir várias ondas de contágio”. Essa afirmação veio após um questionamento sobre a avaliação do Brasil no tratamento das informações da pandemia.

A informação é forte aliada no combate ao novo coronavírus, em especial no combate a desinformação e às fake news. No mundo, os países têm demonstrado forte atuação para combater as notícias falsas. No Brasil, o Ministério da Saúde criou uma página em seu site para dirimir a desinformação.

Dentre os países mais afetados na Europa, a Itália possui a melhor avaliação de transparência, devido a um site criado especificamente com dados atualizados sobre os casos no país. O site possui informações detalhadas sobre novos casos, curas e número de mortes por cada região, além de apresentar gráficos com a evolução da pandemia.

A consultoria Open Knowledge Brasil (OKBR) criou um índice de transparência do Covid-19, que avalia a qualidade e efetividade das informações da pandemia pela União e estados brasileiros. O Governo Federal ficou na sétima posição do ranking comparado aos estados. O estado de Pernambuco registrou a melhor colocação do ranking, sendo o único entre os demais com a avaliação alta.Os Estados Unidos, atual epicentro da pandemia, já ultrapassou mais de 200 mil casos e tem enfrentado dificuldades em realizar balanços nacional sobre os casos. Segundo apurou a BBC, o país conta atualmente com os esforços dos governos dos estados, que tem realizado levantamentos regionais junto a equipes específicas e instituições como universidades.

Comparação entre a cobertura do H1N1 em 2009 e a cobertura do COVID – 19 em 2020.

Analisando as coberturas jornalísticas das pandemias de H1N1 em 2009 e a cobertura do COVID- 19 atualmente, podemos notar duas grandes diferenças. A primeira é a participação ativa do leitor/ consumidor da informação. Nos dias atuais a sociedade não só consome conteúdos, mas também produz. A facilidade e rapidez com a qual as notícias falsas se espalham e tomam proporções alarmantes, faz com que a cobertura da pandemia atual seja totalmente diferente em muitos aspectos da cobertura da pandemia de H1N1 (gripe suína) em 2009. Casos como esses influenciam diretamente no imaginário coletivo, provocando medo, risco e desamparo, a enxurrada de informações falsas e incompletas que circulam na internet são como uma distorção e para o jornalismo fica a responsabilidade de desmentir informações falsas e apresentar com clareza informações verdadeiras.

A segunda diferença é a necessidade de adaptação pela qual o jornalismo tem passado. Recursos que antes eram ferramentas opcionais, como videochamadas, transmissões ao vivo e uso das redes sociais, agora são imprescindíveis para a produção jornalística. Isso porque o COVID- 19 tem maior transmissibilidade e letalidade do que o H1N1. A necessidade de isolamento social fez com que houvesse uma mudança na estruturação da produção jornalística, as redações foram substituídas pelo home office e cada vez mais a participação de entrevistados por meio de transmissões ao vivo é utilizada.

Cobertura jornalística  do coronavírus X AIDS no rádio 

No auge da AIDS as coberturas jornalísticas feitas pelo rádio, eram usadas somente uma vez na semana,  sem o ao vivo, atualizações com o número de mortes, e incentivo de campanhas. Atualmente, para a Covid-19 há maior demanda de informações, e entradas ao vivo com autoridades, facilitando o  repórter a ter maior acesso aos dados, ao contrário dos anos 80 que havia certas omissões. 

Há mais de duas décadas no jornalismo e rádio, o professor, e chefe de reportagem  da Rádio BandNews, Cládio Marcos, falou sobre a sua percepção do novo jornalismo na cobertura do coronavírus se comparada a da AIDS. ” O jornalismo de hoje, está voltado para a prestação de serviços, em que há a maior procura de informação pelas pessoas. O jornalismo de antes não se compara com o de hoje. A notícia está na informação do repórter, na orientação do apresentador, e nos intervalos comerciais.  Colocamos entradas ao vivo do ministro da Saúde e outras autoridades. Há um engajamento total da rede ” destacou. 

A crise mundial de saúde pela qual o mundo está passando, evidenciada pelo novo coronavírus (Covid-19), mudou o curso de diversos segmentos da economia. A ambientação on-line, espaço web completamente híbrido e mutável, diante da pandemia, se transformou em uma solução para dar continuidade ao trabalho das empresas de todos os segmentos, públicos ou privados. 

A cobertura jornalística no jornal impresso 

O editor executivo do jornal Correio Braziliense, Vicente Nunes, falou como está sendo a cobertura da Covid-19 do veículo impresso e online, cuidados, e as diferenças apresentadas no trabalho realizado em meio a pandemia. 

De 150 a 200 matérias. Estes são os números diários de produção do Correio Braziliense  sobre o coronavírus, em que uma grande demanda vai para o impresso, e tudo para o site. Divirta-se Mais, com dicas de tudo o que acontece na cidade, e o caderno de Turismo foram suspensos para toda redação se voltar para a Covid-19. Todas as editorias trazem conteúdo sobre o tema, que vai desde o Congresso a assuntos internacionais, e matérias exclusivas. 

Vicente revelou que a cobertura da Covid-19 está sendo inovadora, e trouxe diferenças.”Nunca tivemos uma cobertura como esta. Nas demais pandemias, criava-se um núcleo especial para tratar do tema. Agora, toda a redação está envolvida na cobertura. A boa notícia: as vendas do jornal aumentaram e o site está registrando recordes seguidos de audiência. Isso é compensador” , afirmou.

Cuidados

A imprensa como trabalho imprescindível no combate do coronavírus, está na ativa, mas seguindo as recomendações.  Vicente contou que quando é preciso, os repórteres vão para a rua. ” Quando é extremamente necessário, há a participação dos profissionais em entrevistas.  Os jornalistas estão trabalhando em home office, e também fazemos conferências. Só há no jornal, as pessoas para atualizar o site e baixar o material. No local está tendo higienização, uso de máscara, e álcool em gel por toda redação”, disse.

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(Imagem: Canva.com)

Disciplina do curso de Jornalismo da Universidade Católica de Brasília (UCB). O material aqui publicado tem caráter unicamente experimental. Faz parte dos exercícios da disciplina Redação Digital.

Estudantes realizadores: ANDRESSA DO NASCIMENTO GONÇALVES, EUGENIA MARTINS ALVES DE ARAUJO COSTA, FERNANDA GABRIELLA MARQUES BUENO, GABRIELA FONSECA COSTA, HEDHUY TENÓRIO VIEIRA, ISABELLA OLIVEIRA DE CARVALHO, KESLEY PEREIRA DA SILVA, LAÍS SILVA QUEIROZ ROCHA, LARISSA THAIANE DE ABREU PEREIRA, LAYS CRISTINE GOMES DA SILVA, MARIA LUYNE SILVA ARAÚJO, MARIANA SILVA DA NÓBREGA, NATHÁLIA ESTELA VARGAS, OMARA MARIA SOARES DA SILVA, RIBAMAR MARTINS DA SILVA, TIAGO KIRIXI RAMOS GOMES MUNDURUKU, TUANNY APARECIDA DE CARVALHO DE OLIVEIRA.

Professor Responsável: Alexandre Kieling – Estagiária Docente: Rachel Porfírio

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