Brasil inseguro

Plano Nacional de Imunização contra a Covid-19 vacinou menos de 20% da população
Desde que o novo agente do Coronavírus (nCov-2019) foi descoberto em 31/12/2019, muito se é esperada a vacina para combatê-lo. Sua primeira vítima fatal foi um homem de 61 anos que faleceu em 11 de janeiro de 2020, em Wuhan, na China. No Brasil, a primeira morte ocorreu dia 12 de março do mesmo ano, em uma paciente de 57 anos no estado de São Paulo.
Ao enfrentar o desconhecido, autoridades da saúde, cientistas e empresas do mundo inteiro se reuniram para investir em pesquisas que pudessem trazer respostas sobre como conter o avanço do vírus pelo mundo. Em poucos meses, todos os países registravam casos e óbitos causados pela doença. A esperança, contra um vírus mortal, era uma vacina.
“Vacinas oferecem uma grande esperança de se mudar o rumo de uma pandemia. Mas para proteger o mundo, precisamos fazer com que todas as pessoas em risco em todas as partes, não só em países que podem arcar com as vacinas, sejam imunizadas”
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS)
Ainda em março de 2020, vacinas usadas em outros tipos de coronavírus deram início a estudos para o desenvolvimento de um imunizante contra o Sars-Cov2. Enquanto isso, o uso do álcool 70% e as máscaras faciais viraram rotina na vida de qualquer cidadão.

Enquanto as vacinas eram testadas, o vírus ainda causava vítimas. Em 11 de março de 2020, o mundo chega a um ponto crítico e a OMS decreta pandemia global causada pelo vírus. São acima de 100 mil casos positivos e mais de 4 mil óbitos registrados. Enquanto isso, o Brasil contava com pouco mais de 200 mortos no fim do mesmo mês, número considerado baixo em comparação a outros países. Cenário que não se prolongou com o passar dos meses.
“Estamos profundamente preocupados tanto pelos níveis alarmantes de propagação e gravidade como pelos indícios preocupantes de falta de ação. Portanto, avaliamos que a Covid-19 pode se caracterizar como uma pandemia”
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS
O investimento e esforço de autoridades do mundo inteiro logo surtiu em resultados positivos. Em novembro de 2020, 11 vacinas já estavam em testes clínicos na fase 3 – essa etapa testa a eficácia do imunizante em seres humanos. No infográfico 01 é possível ver que, além das que estavam na última fase de teste, outras centenas de vacinas estavam sendo estudadas em paralelo.

Ainda em 2020, a empresa chinesa Sinovac desenvolveu uma das primeiras vacinas com eficácia contra a covid-19, a CoronaVac. Em testes realizados no Brasil, a vacina em questão registrou eficácia global de 50,4% contra a doença. Já a Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca chegou à fórmula da Covishield com uma eficácia global de 76% contra a doença em testes, também, realizados no Brasil. Assim como a alemã BionTech em parceria com a Pfizer também produziram um imunizante com eficácia global de 97%, empolgando a população. A Rússia também produziu uma vacina com 91,6% de eficácia contra o novo coronavírus, a Sputnik V.

A esperança de uma vacina e os resultados positivos dos testes fez com que diversos países começassem a fechar acordos de compra entre governos e empresas que mostravam resultados eficazes com o imunizante. Os primeiros acordos de compra foram feitos pelo Reino Unido e pelos Estados Unidos com a farmacêutica Pfizer em julho de 2020.
No Brasil, pouco se falava a respeito sobre a compra de um imunizante. A Rússia, por outro lado, saiu na frente e foi a pioneira no registro oficial de uma vacina contra a covid-19, a Sputnik V, em 11 de agosto de 2020.
‘‘Esta manhã, pela primeira vez no mundo, foi registrada uma vacina contra o novo coronavírus […] sei que é bastante eficaz, que dá uma imunidade duradoura’’
Vladimir Putin, presidente da Rússia.
Ainda no mesmo ano, enquanto outros países avançavam na compra e aplicação da vacina, o Governo Federal brasileiro, no entanto, negou, ao menos 4 vezes, ofertas da imunização.

No Brasil, vacina não foi prioridade
Apesar do vírus ceifar a vida de cada vez mais brasileiros, as investidas do Governo Federal não mostravam preocupação quanto a isso. Enquanto a OMS alertava para o cuidados pessoais, distanciamento social e um lockdown, o presidente do país, Jair Bolsonaro (sem partido), difundia o contrário.
A corrida pela vacina movimentava países do mundo inteiro, que zelavam por rápidos acordos de compra. No caminho oposto, Bolsonaro criticava as nações que estavam na frente da produção de um imunizante. Um de seus alvos foi a China, país qual o presidente culpava pela epidemia.
Em público, o presidente aparecia sem máscara e desdenhava da letalidade do vírus. Enquanto autoridades da saúde tentavam lidar com um sistema de saúde colapsado, cemitérios sem vagas e com a falta de insumos – Equipamento de Proteção Individual (EPI’s), medicamento e leitos – Bolsonaro incentivava aglomerações e manifestações em cidades do país.
O posicionamento de Bolsonaro também causou uma onda negacionista no país e, apesar dos fatos, dos números e das mortes, seus apoiadores chegaram a protestar até contra a vacina.

Histórias que se repetem?
Segundo informações da Fiocruz, em meados de 1904, o número de internações de pacientes devido à varíola ultrapassou a marca de 1.800 no Rio de Janeiro. Grandes motivos para isso era a grande quantidade de lixo e de animais transmissores da doença nas ruas da cidade.
Neste mesmo ano, o médico Oswaldo Cruz motivou o governo a impor a obrigatoriedade da vacinação em todo o território nacional, onde apenas os indivíduos que comprovassem que foram vacinados conseguiram trabalho, certidões de casamento, matrículas em escolas, etc.
A população, que já estava sendo oprimida devido a problemas relacionados à qualidade de vida, não aceitava ver sua casa invadida para tomar uma injeção contra a sua vontade. Sem informação e nenhuma orientação sobre a importância da vacina, muitos acreditavam que quem se vacinava poderia ficar com feições bovinas.
Cansados da situação, os habitantes foram às ruas para protestar sobre a situação, assim como a insatisfação com o presidente da época, o advogado Rodrigues Alves. O centro do Rio de Janeiro foi transformado em uma guerra que ocasionou um saldo de 945 prisões, 461 deportados, 110 feridos e 30 mortos em menos de duas semanas de conflitos.
O então presidente se viu obrigado a desistir da vacinação obrigatória, tornando seu uso facultativo. Já em 1908, quando a cidade foi atingida por uma violenta onda de varíola, o povo buscou ao máximo ser vacinado, tendo uma reação adversa à Revolta da Vacina.
Em 2020, a situação se repetiu no Brasil. O pais ficou em conflito entre negacionistas e adeptos da ciência diante das contaminações e mortes provocadas pela covid-19. Grande parte da população foi às ruas pedir pela imunização em massa.

O embate vivenciado pelo Brasil nos últimos meses do ano de 2020, mostraram lentidão do país pela corrida da vacina. Em dezembro, enquanto o Brasil ainda testava vacinas contra o novo coronavírus, diversos países do mundo já imunizava sua população.
Nações como Reino Unido, Itália, Estados Unidos e Chile saíram na frente e, neste mesmo mês, iniciaram a vacinação com o imunizante desenvolvido pela Pfizer, em parceria com a alemã BioNTech. Já Rússia e Argentina, saíram na frente com a Sputnik V, vacina russa. China, Singapura e Indonésia, iniciaram o processo de imunização com a vacina produzida pela Sinovac – a Coronavac que, na época, estava em fase de testes clínicos no Brasil. Já a Índia, acabava de aprovar o uso da vacina Oxford/AstraZeneca para uso emergencial de sua população, bem como a Covaxin, também indiano.

A ciência vence a ignorância
Cenário distinto do visto em outros países, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Butantan se esforçavam para trazer um imunizante eficaz ao Brasil. A Fiocruz testava a Covishield, vacina desenvolvida pela Oxford/AstraZeneca e o Butantan, a Coronavac, imunizante feito pela Sinovac.
Os esforços dessas autoridades tiveram resultados e os testes seguiam a todo vapor no país em milhares de brasileiros que se voluntariaram. Chamado de “laboratório do vírus” o Brasil se transformou em um cenário ideal para testes clínicos. Tal cenário auxiliou a Fiocruz e o Butantan a chegarem a notícias positivas quanto à vacina.
Por determinação da Anvisa, órgão regular que aprova uso de vacinas no país, as empresas precisavam mostrar resultados dos testes clínicos realizados em brasileiros para serem aprovados e a vacinação iniciada.
Mesmo que outros países já estivem usando os imunizantes para dar início à vacinação, o Brasil ainda precisava enfrentar um processo burocrático de aprovação.
Mônica Calazans, primeira brasileira a ser vacinada
Em 17 de janeiro de 2021, minutos após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar o uso emergencial da Coronavac e da Covishield, Mônica Calazans, de 54 anos, torna-se a primeira pessoa a ser vacinada contra a Covid-19 no Brasil. A imunização foi uma iniciativa do governo paulista e aconteceu no hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Mônica é moradora de Itaquera, localizada na zona leste de São Paulo e enfermeira da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, referência no combate à pandemia no estado. Hipertensa e diabética, ela já atuava na linha de frente em combate ao coronavírus há 10 meses e mesmo com perfil de alto risco para complicações da doença, revezava turno em mais de um hospital.
“O senhor não tem noção da minha felicidade”, disse Mônica ao governador de São Paulo, João Dória, antes de tomar a vacina. “Foram dez meses de sofrimento”. A enfermeira se voluntariou assim que se iniciaram os testes clínicos da vacina Coronavac pelo Instituto Butantan.
Mônica revelou ter sido alvo de ataques virtuais após a decisão de ser a primeira pessoa a vacinar no Brasil, mas seguiu acreditando que este era o único meio de recomeçar a vida de uma maneira justa e com garantia de viver dignamente, com saúde e bem-estar.
“Falo com segurança e com propriedade: não tenham medo. É a grande chance que a gente tem de salvar mais vidas. Vamos nos vacinar”, afirmou.
Um mês após tomar a primeira dose da vacina, ela recebeu a segunda dose da CoronaVac no dia 12 de fevereiro. A imunização aconteceu durante uma coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, e no mesmo dia o governo de São Paulo começou a aplicar a segunda dose da vacina em todos os profissionais de saúde que foram imunizados após a Mônica no mês de janeiro.
Início da vacinação no Brasil x Ritmo atual
Em 19 de janeiro de 2021, o Ministério da Saúde confirmava a entrega de 6 milhões de doses da CoronaVac para todos os estados e o Distrito Federal, dando início ao processo de vacinação no país.

A campanha segue o Plano Nacional de Imunização (PNI) e iniciou pelos grupos prioritários da chamada Fase 1. Esta fase atende trabalhadores de saúde, pessoas institucionalizadas (que residem em asilos) com 60 anos de idade ou mais, pessoas institucionalizadas com deficiência e população indígena aldeada. Confira no infográfico 03 quais foram os grupos definidos como prioritários pelo Ministério da Saúde:

No Distrito Federal, a vacinação começou no dia 19 de janeiro, priorizando os grupos pertencentes à Fase 1. Para os profissionais da saúde a ordem de prioridade era: profissionais da rede pública, médicos e enfermeiros da rede privada e logo após os demais funcionários da área.
A farmacêutica Stefany Duque, de 22 anos, funcionária na área da saúde na rede privada da capital do país, conta que sua vacinação acontece duas semanas após o início da campanha no DF. Duque ainda relembra que o processo foi rápido e organizado.

“Eu fui vacinada em fevereiro. Somente os médicos e enfermeiros foram vacinados, no hospital onde eu trabalho. Assim que eles concluíram, realizei a minha inscrição no site responsável e tinham duas opções de locais para a vacinação”
Stefany Duque, funcionária da rede privada de saúde do Distrito Federal
Em fevereiro deste ano, o país já contabilizava mais de 9,3 milhões de casos do novo coronavírus e quase 230 mil mortes desde o início da pandemia. Quanto ao total de vacinados, o número ultrapassava as 3 milhões de pessoas.

Em entrevista à BBC, o epidemiologista Paulo Lotufo, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, afirmou que o ritmo de vacinação no país estava simplesmente péssimo e que no segundo mês do ano, já deveríamos ter utilizado pelo menos o primeiro lote de 6 milhões de doses da CoronaVac, do Instituto Butantan e da Sinovac.
O atraso nos pedidos de autorização das doses no Brasil e o aumento no número de brasileiros antivacina são alguns dos entraves apontados para o atraso no processo de vacinação, começando depois de cerca de 50 outros países. Veja no infográfico 04 como países que iniciaram a vacinação ainda em 2020 despontaram na imunização de seus cidadãos.

Hoje o Brasil ocupa o 56º lugar no ranking global da aplicação de doses da vacina contra a Covid-19 e entre os países que compõem o G20, grupo das 20 maiores economias do mundo, o país continua em 9º. Levantamento junto às Secretarias de Saúde aponta que, em meados de maio, quase 36 milhões de brasileiros tomaram a primeira dose e pouco mais de 18 milhões receberam a segunda, totalizando cerca de 53 milhões de doses aplicadas.
No ritmo em que a vacinação contra a Covid-19 é conduzida no Brasil, o país levaria mais de quatro anos para ter toda a sua população imunizada. O cálculo é do microbiologista da Universidade de São Paulo (USP) Luiz Gustavo de Almeida.
Aceleração do processo
Com a intenção de agilizar o sistema de vacinação no país, voluntários ajudam os profissionais que estão trabalhando na área. No Distrito Federal, o estudante de enfermagem de 18 anos, Artur Bontempo, se sentiu comovido pela situação do país e quis ajudar. Ele conta que se voluntariou para ajudar nos pontos de vacinação, após ver as filas e os depoimentos das pessoas que demoravam para ser atendidas ao se vacinarem.
“Eu pensei: estou em casa e posso ajudar, já que é minha área de atuação. Então por que não? Fui atrás de como eu poderia me candidatar, até que falei com uma amiga que já estava sendo voluntária e me passou o contato do coordenador e consegui entrar para o projeto”
Artur Bontempo, estudante de enfermagem e voluntário em um posto de vacinação no DF

Assim como Artur, jovens no país todo estão se voluntariando com a esperança de acelerarem a Campanha de Imunização contra a covid-19 no Brasil. Mas segundo o presidente do Transforma Brasil, Fábio Silva, o percentual de voluntários no país ainda está baixo.
“O percentual de voluntários no Brasil ainda é muito pequeno. Diante de tudo o que a gente está vivendo na pandemia, a gente sabe que a grande solução é a união, então são os brasileiros ajudando os próprios brasileiros”
O país deu início à Fase 3 do Plano Nacional de Imunização, que vacina indivíduos com condições de saúde que estão relacionadas a casos mais graves da covid-19. E em seguida, na fase 4 receberão a dose, professores, profissionais das forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional e a população privada de liberdade.
Uma vacinação lenta e em pequena escala, somada à livre circulação do vírus, é o perfeito celeiro para a propagação de variantes virais que, além de serem mais transmissíveis, como é o caso da variante P1, encontrada em Manaus, podem escapar totalmente da proteção gerada pelas vacinas.
Quando a vacina chegará para todos?
Com cerca de 210 milhões de habitantes, o Brasil já perdeu mais de 400 mil vidas para a covid-19, segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde. Esses dados alarmantes faz com que a população brasileira questione o tempo de vacinação no país.
Outro ponto levado em consideração para atribuir o atraso da vacinação, se diz respeito a falta de coordenação nacional. Apesar de seguir um PNI que estabelece integrantes do grupo prioritário, cada estado e município do país estabelece as etapas de vacinação.
Em Minas Gerais, por exemplo, a capital Belo Horizonte imunizou, na primeira semana de maio, estudantes universitários da área da saúde. No Distrito Federal, o governo local iniciou a vacinação para o grupo de pessoas que possui comorbidades que podem causar um agravamento em caso de contágio do novo coronavírus.

Em outras regiões do país faltam vacinas para imunizar o primeiro grupo tido como prioridade – idosos com mais de 60 anos.
É possível visualizar no infográfico 05 (acima) como alguns estados não atingiram, sequer, 100 mil pessoas imunizadas. Como é o caso do Acre, Roraima e Amapá que, juntos, têm cerca de 250 mil pessoas vacinadas com a primeira dose da vacina contra a covid-19. Os três estados somam mais de 2 milhões de habitantes. No sentido oposto, Minas Gerais e São Paulo foram os estados que mais imunizaram. Cada um deles já aplicou mais de três milhões de vacinas contra o novo coronavírus.
O Ministério da Saúde (MS) projeta distribuir, até o final do ano, 562 milhões de doses em todo o território brasileiro, o suficiente para os 29 grupos prioritários e não-prioritários. Apesar do número ser consideravelmente alto, alguns estudiosos e pesquisadores apontam um cenário pessimista, alegando a lentidão da aplicação diária no país. Já outros profissionais revelam que se o governo federal agilizar a contratação e compras de novas vacinas, o cenário será outro.
Um estudo realizado pela ONG Impulso Gov, apresenta três cenários diferentes levando em consideração a produção nacional de imunizantes, os acordos fechados no exterior e o número de pessoas em cada grupo prioritário, que de acordo com o governo federal totaliza cerca de 77,3 milhões de habitantes.
“Os números mostram que, no cenário intermediário, que parece mais provável agora, a vacinação dos grupos prioritários seria possível até o fim de abril. Já no pior cenário, em que o país só consiga alcançar metade da sua capacidade de produção de vacinas, todas as pessoas integrantes de grupos prioritários no Brasil estariam imunizadas até o fim de julho”
ONG Impulso Gov

Já o painel “Monitora Covid” da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), prevê dois anos e meio para que a população inteira com mais de 18 anos seja vacinada – apenas com a primeira dose. Segundo informações do estudo, o ritmo de aplicação ainda é baixo em comparação com outros países, colocando o Brasil em um nível baixo de vacinação.
“Assim como foi observado no governo Biden, nos EUA. Uma meta de chegar ao fim do ano com toda a população vacinada, a gente precisaria da aplicação de cerca de 1,5 milhão de doses diárias”, relatou o médico epidemiologista do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz, Diego Xavier.
Essa meta, porém, ainda é algo distante. Apesar de já aplicar cerca de um milhão de doses por dia – contando primeiras e segundas doses – esse resultado é um número inconstante no Brasil. Há dias em que esse resultado se mantém, mas também existem dias que a quantidade de vacinas aplicadas reduzem. A explicação para essa volatilidade pode ser explicada pela falta de doses do imunizante e pelo negacionismo. Mesmo após a primeira dose, existem pessoas que se negam a tomar a dose de reforço.
Novas vacinas ao Brasil
Apesar do cenário desesperançoso, o mês de maio trouxe boas notícias para a campanha de imunização do país. No dia 29 de abril deste ano, o Brasil recebeu um milhão de doses do imunizante da Pfizer.
No dia 03 de maio, os 26 estados do país e o Distrito Federal receberam e armazenaram as doses do imunizante. Dessa forma, uma nova vacina foi incluída na Campanha de Vacinação contra a covid-19. Confira no infográfico 06 quais são as vacinas que estão sendo administradas no Brasil:

O diferencial da vacina da Pfizer é que ela é a única que já possui o uso definitivo autorizado pela Anvisa. O que isso quer dizer? O uso definitivo de um imunizante diz que ele pode ser aplicado na população geral, sem precisar seguir a ordem emergencial já definido pelo órgão.
Diferente da Covishield e da Coronavac, que possuem apenas registro de caráter emergencial – podem ser aplicadas apenas no grupo prioritário definido pelo PNI, o imunizante alemão pode ser aplicado nas pessoas que não integram este grupo. Mas é importante ressaltar que, essa liberação não quer dizer que alguém fora deste grupo vai ser vacinada hoje ou amanhã. O PNI, instituído pelo Ministério da Saúde, tem uma ordem prioritária a ser seguida por estratégia de contenção do avanço do Sars-Cov2 e, até que todo esse grupo seja vacinado, ele ainda será a prioridade.
Diferente dos demais imunizantes que vão precisar entrar com um novo pedido pela Anvisa solicitado seu uso definitivo, a vacina da Pfizer já tem essa permissão. Portanto, encerrando o ciclo de prioridades, essa é a única vacina, até o momento, que vai pode ser aplicada nos brasileiros que ficaram fora do grupo prioritário.
Mas até lá e enquanto a vacina contra o coronavírus não chega para todos, o recomendado pelos profissionais de saúde ainda é o distanciamento social, o uso de máscara e a higienização correta das mãos, evitando assim demais proliferações desse vírus tão letal.

A guerra de informações travada nas redes sociais gerou muita controvérsia e dúvidas sobre as vacinas e a própria doença. No podcast, o infectologista brasiliense Mário Bill procura esclarecer algumas das várias questões que envolveram essa polêmica.
Os desatinos na gestão do combate à pandemia terminaram em CPI no Senado
O atraso do Brasil no combate à pandemia e também as atitudes do presidente da república, Jair Bolsonaro, foi motivo para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). A CPI da Covid-19, como foi chamada, foi instalada no dia 27 de abril e é presidida pelo senador Omar Aziz, tendo como vice-presidente o senador Randolfe Rodrigues.
O objetivo é saber quanto Bolsonaro interferiu nas ações do ministério frente à pandemia e se essa postura contribuiu para a aceleração do contágio e do número de mortes.
Os depoimentos que vão envolver todas as autoridades públicas que participaram do processo de gestão do combate à pandemia serão tomados pelos senadores. O primeiro foi ex-ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, ouvido no dia 04 de maio. O médico declarou que o presidente foi alertado das consequências em não ouvir a ciência.
“Era muito constrangedor explicar porque o ministério estava indo por um caminho e o presidente por outro.”
Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde
A recusa de uma campanha governamental sobre a covid, a demora para a compra de vacinas, medidas de testagem, a insistência em medidas ineficazes e, entre outros assuntos, serão os temas abordados ao longo do inquérito.
Trabalho experimental realizado pela turma 2020 2 de Redação Digital do Curso de Jornalismo da Universidade Católica de Brasília. Supervisão do professor Alexandre Kieling.
Estudantes:
ALICE MESSIAS DIAS
CARINNE APARECIDA DE SOUZA CARVALHO
CARINNE APARECIDA DE SOUZA CARVALHO
IGOR CARVALHO PORTO
JAQUELINE FARIAS FERNANDES
JÚLIA LUISA DA SILVA
LARA JACINTO LEAL DA FE
LILIANA LIMA DOS SANTOS
MANUELA DE MELO MOURA
MONICKY YUKA EGUCHI YOSHINO
YASMIN GURGEL SANTOS
